Olá, leitores!
Corrida muito movimentada, necessariamente, é corrida
emocionante? O GP do Bahrein foi movimentado, muito, mas não saberia dizer se
essa movimentação toda foi emocionante. OK, foi melhor que aquelas edições em
que ninguém passava ninguém, aquela procissão, aquela descida da Anchieta com
neblina em comboio. Mas na verdade dependeu da vontade, da gana de alguns
pilotos, essa emoção. A corrida sem o Perez e o Hamilton, por exemplo, seria
uma dose dupla de Valium.
O vencedor, com autoridade, foi o atual campeão Vettel. Depois
que assumiu a liderança na volta 3, abriu vantagem de tal maneira que no final
apenas precisou administrar o resultado. Vitória maiúscula, sem mais. Seu
companheiro Webber (7º) até começou bem a prova, mas ficou preso no tráfego
após a primeira troca de pneus, e daí o desempenho só foi piorando até o final
da prova.
Em 2º chegou Kimi Räikkönen, outro piloto que teve um
desempenho constante a prova inteira. As primeiras voltas não foram brilhantes,
mas depois ele pôde acelerar ao máximo, e poderia ter incomodado mais o Vettel
no fim da prova se o carro tivesse mais velocidade máxima. Seu companheiro
Grosjean (3º) voltou a se encontrar com o carro e teve um grande desempenho
conquistando o pódio nas voltas finais com uma bela ultrapassagem sobre o Di
Resta. Vamos ver se ele continua com essa performance até o fim do ano.
Em 4º chegou o Di Resta, que por pouco não faz um pódio para
a Force India... mas já chegou a liderar algumas voltas, então acredito que o
Mallya vai dormir sorrindo e agradecendo à divindade hinduísta de sua
preferência. Acredito que é questão de tempo para o pódio aparecer. Seu
companheiro Sutil (13º) não fez uma grande apresentação, logo no começo da
prova se enroscou com o Miojo, teve o pneu furado, caiu para último e veio
fazendo uma corrida de recuperação. No final, ainda acabou na frente do
macarrônico piloto.
Em 5º veio o Hamilton. O carro não ajuda nem um pouco, vai
perdendo ritmo conforme a corrida se desenrola, mas o Hamilton fez uma
corridaça. Ele tem aquela qualidade dos campeões, não esmorece com as
dificuldades, e batalhou o tempo todo. Ultrapassou usando asa móvel, sem usar a
asa, em lugar que era ponto de ultrapassagem e onde não era também... um dos
que fizeram valer a pena assistir a corrida. Seu companheiro Rosberg (9º) fez a
pole position... e daí em diante, foi só ladeira abaixo. O projeto de suspensão
da Mercedes faz o carro consumir muito os pneus, e ele não sabe lidar com as
adversidades como o Hamilton.
Em 6º, ressurgindo das cinzas, chegou o Sergio Pérez. Após
um início de ano catastrófico, ele se encontrou com o carro e foi outro que
disputou todas as posições que tinha direito. A sua disputa com o próprio
companheiro de equipe foi antológica, o tipo de coisa de deixar estrategista da
Ferrari sem cabelos, mas a McLaren deixou a coisa correr. O carro da McLaren
continua sem dizer a que veio, mas a pilotagem do Pérez valeu o resultado. Seu
companheiro Button (10º) não andou lá aquelas coisas e ainda reclamou aos
montes do Pérez ter pressionado e quase tocado rodas com ele durante a corrida.
Deve estar com vontade de disputar o “troféu mi-mi-mi” com o Alonso...
Por falar em Alonso, ele chegou em 8º mesmo tendo que parar
2 vezes nos boxes por causa de travamento da asa móvel na posição aberta (o que
é proibido pelo regulamento), e após a 2ª recebeu ordem da equipe para não mais
a usar até o fim da corrida. Se esforçou, lutou e mesmo com problemas conseguiu
levar o carro até os pontos. Já seu companheiro Miojo (15º) se classificou al dente, mas se enrolou com a
estratégia traçada pelo engenheiro Smedley (isso é nome de vilão de desenho
animado, não de engenheiro) e passou do ponto. Terminou atrás do Hülkemberg, do
Sutil e do Bottas. Preciso completar mais alguma coisa?
Agora teremos um intervalo de 3 semanas, e a F-1 volta dia
12/05, para o GP da Espanha, em Barcelona. Algumas equipes devem levar
atualizações de seus carros para essa corrida, que marca o início das corridas
da temporada no continente europeu, então poderemos ter alguma surpresa.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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