terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Poesia moderna: Arte cênica da sobrevivência.

Ensaio sobre a mutação de Neymar.



Há tempos me cobram um texto sobre o Neymar. Gênio? Neymar é o craque do momento, ninguém é mais do que ele no Brasil. E a discussão sugere uma reflexão à parte. Ele é o melhor do mundo? Subjetividade do torcedor implica uma resposta incompleta e menos ainda definitiva. Neymar para mim está em mutação, uma evolução do próprio Neymar. Enquanto para os santistas ele já é, para os outros torcedores ele pode ser. É claro, a conversa aqui é genérica, mas a impressão é democrática, coisa típica do futebol e sua visão passional.

Neymar em construção, Neymar que pode se tornar aquele Neymar definitivo da história. Futebol tem, jeitão de boleiro tem. Neymar faz coisas diferentes, excepcionais para o mediano futebol. Mas ainda assim não é tudo. Já vi outros jogadores surgirem gênios de uma hora para outra, e de repente, ficarem marcados com uma ou duas jogadas; dois ou três títulos. Não é o caso do Neymar, que anda se superando, inovando sua própria característica, sendo decisivo. Qualquer esportista precisa de objetivos, precisa gostar do que faz; as declarações de Neymar sobre o futebol são claras: o cara gosta de jogar bola, nasceu para isso; se multiplica por isso. Os objetivos ainda não são claros, mas dá noção do que ele quer ser o melhor do mundo.

Resposta sem rodeios: Neymar é o melhor do mundo? Não. Mas o que surpreende ainda é que ele pode ser. Tem todos os elementos para ser o cara mais genial depois de Pelé. É muita coisa ser o segundo melhor do mundo na história? Talvez um exagero. Então, por hora, pensemos no Messi. Modelo de gênio atual, chegando a ofuscar a idolatria por Maradona. Falta um título mundial, por exemplo, que pode acontecer no Brasil. Já pensaram Messi maior que Maradona? Vai ser. E nesse jogo de equiparações não temos ainda como colocar o Neymar na frente de Messi. Pelo menos por enquanto. Neymar não pode ser melhor do mundo se ainda não é melhor do que Messi.

A questão é que Messi está chegando ao seu nível mais elevado. Messi não conseguirá ser maior do que Messi. Mesmo que consiga o recorde de melhor jogador do mundo, de forma consecutiva; está ganhando por aquilo que apresenta e pelo que ele já é. Completo, sem inovações; mas ainda assim craque. O seu desempenho normal e regular o premiou todos esses anos. E só perderá o posto de melhor quando seu desempenho for abaixo do esperado, ou quando surgir algum jogador que faça as mesmas coisas que ele, ou algo a mais.

Esse jogador pode ser o Neymar. Creio que é o único jogador em atividade que pode  superar Messi como o melhor do mundo. Nem os vices tão aclamados pelo futebol mundial conseguem mais (ou melhor) do que o Neymar do futuro. O Neymar projetado do que vemos hoje, como numa espécie de reconstrução de sua própria criação; ou coisa parecida. Os outros jogadores já chegaram ao máximo do seu desempenho, o Neymar ainda é estágio.

É claro, existe a possibilidade do tiro no pé. O jogador se “achar tanto” que acaba se “perdendo”. Neymar andou se encontrando em campo e se perdendo fora dele, com briga com o treinador e o excesso de mídia. Atualmente tem aparecido menos fora de campo, tem dado declarações mais serenas; sendo que no campo tem sido o inverso: tem se arriscado mais, tanto em dribles como em posicionamento. Cresceu inclusive para sobreviver: apreendo arte cênica da sobrevivência contra os brucutus insensíveis e insensatos.

Em partes há grande rejeição de sua maneira de agir em relação a destruição de seu jogo. Por outro lado, parece que ele achou uma forma de continuar vivo, e de continuar sua mutação para entrar na história. Não pode é fazer dessa defesa sua única maneira de dizer que é brilhante. Pois nós, os torcedores comuns, os não-santistas, podemos pensar que tudo é teatro, inclusive que seu futebol criativo, alegre e envolvente; pode ser mesmo uma farsa. Mas pode não passar de uma inveja de torcedor adversário.





2 comentários:

Mario disse...

Concordo, não mudaria uma vírgula. Está 50 anos na frente do restante que joga por aqui, mas ainda não atingiu o patamar do Messi, do Maradona, Ronaldo e de outros craques. Mas com 21 anos, está praticamente fazendo o mesmo que estes jogadores já faziam, e talvez com um repertório ainda mais incrível.

Excelente análise e bela síntese do jogador.

Arthur Simone disse...

Realmente excelente a análise... Neymar é a prova viva do ditado "em terra de cego...". Para realmente demonstrar ser craque, deve jogar ao lado deles, de Messi, Cristiano Ronaldo... Enfim, ir para a Europa, num grande centro, num time do nível do Barcelona... Tendo base de comparação, esse garoto acaba sendo o Melhor do Mundo...
E o Neymar pai tem colocado uns freios no menino, que está se tornando aos poucos homem, mais responsavel pelo que diz e faz.