Quem não se lembra de algum
jogador que numa determinada tarde de domingo teve o seu dia de craque, ganhou
os holofotes, as manchetes de jornal e depois sumiu do mapa? Isso acontece a
toda hora. Só puxando aqui pela memória lembro de vários casos de
jogadores que tiveram os seus momentos de glória, sem precisar ficar confinado
de sunga em lugar nenhum.
O torcedor do Vasco deve estar lembrando agora do atacante Cocada. No ano de 1988, na final do Campeonato Carioca, o time cruzmaltino enfrentava o seu arquirrival Flamengo em busca do sonhado bicampeonato carioca, fato que não acontecia há mais de quarenta anos. A expectativa era grande e o jogo nervoso, permanecendo sem gols até o seu final, quando aos 41 minutos da segunda etapa o atacante Cocada, um desconhecido reserva, entra em campo. Num contra ataque veloz do time do Vasco, aos 44 minutos, o Cocada arremata pro gol. Um golaço que, àquela altura garantiria o título ao Vasco. Só que o jovem atacante exagerou na comemoração e foi expulso aos 45 minutos, como o leitor pode conferir aqui. Cocada ganhou a celebridade e os jornais do dia seguinte ganharam a manchete óbvia de bandeja – Um título com gosto de cocada!
Às vezes a fama instantânea nem precisa estar associada a uma conquista, a um título. Quem não se lembra do Silva, aquele jovem atacante do Juventus. Não lembram dele? Bom, a história foi mais ou menos assim; no Campeonato Paulista de 1889, o time do Juventus enfrentava o Corinthians em pleno Pacaembú. Lá pelas tantas, o desconhecido Silva marca um gol de bicicleta no time do Corinthians, do goleiro Ronaldo (aquele careca da Band!). Até a Fiel aplaudiu o garoto, não sei bem se por deboche ou por contemplação mesmo. O barato da história era que o jogo foi realizado no Dia das Mães e o Silva tinha prometido o gol de presente para a sua mãe, a Dona Nedina, que acompanhava a partida nas arquibancadas. Golaço! Esse mereceu cada um dos quinze minutos de fama que teve.
E o Josimar na Copa de 1986, hein? Tá certo, o leitor mais enciclopédico pode argumentar dizendo que o Josimar já tinha carreira no Botafogo e não se enquadra no BBB da Bola. Tudo bem, aceito a crítica, mas, vai uma explicação. O nosso lateral direito pra Copa era o Leandro, do Flamengo, que pediu dispensa numa história pra lá de esquisita, mas, apesar de fazer falta naquele time, nós podíamos contar com o Edson, que era um baita lateral direito no Corinthians. Ninguém aqui em São Paulo sabia ao certo quem era o tal do Josimar, que tinha sido convocado às pressas somente pra ser banco do Edson. E não é que na segunda partida o Edson se machuca? O Telê foi obrigado a escalar o Josimar contra a Irlanda do Norte e ele não decepcionou. Marcou um baita golaço de fora da área, ganhando fama e celebridade a partir daquele momento. Pena que o herói daquela Copa não tenha sido tão brilhante no prosseguimento de sua carreira.
O futebol é tão democrático que permite até mesmo a quem não entra em campo ganhar os holofotes. O caso clássico de fama repentina aconteceu no jogo final das eliminatórias da Copa de 90, no Maracanâ, entre Brasil e Chile. Naquela tarde a torcedora Rosenery Mello, resolveu soltar um sinalizador náutico pra fazer graça no estádio. O sinalizador caiu no gramado dando a deixa que o então goleiro Roberto Rojas precisava para fazer uma encenação digna de Oscar, a fim de melar a partida. Sempre defendi a versão de que nem foi a Rosenery que jogou o sinalizador da arquibancada, mas sim, algum marmanjo covarde que ficou com medo da repercussão do caso. A Teoria da Conspiração é livre nessas horas. O fato é que o episódio garantiu à moça Rosenery o título de musa, o apelido de Rose Fogueteira e uma capa da Playboy, numa época em que posar para revista masculina garantia ao menos uma casa própria. No caso do Rojas, o incidente causou o seu banimento do futebol.
Enfim, os quinze minutos de fama proporcionados pela bola são muito mais soborosos que aqueles do confinamento da Rede Globo, os seus personagens são mais verdadeiros e simpáticos ao público, sem precisar fazer caras e bocas e nem tampouco fingir ter algum conteúdo. Daí que o futebol, o estádio, o jogo talvez seja o grande reality show da vida e sem discurso do Pedro Bial.
2 comentários:
Pô, este negócio de clicar na palavra e aparecer o vídeo eu não conhecia. Como você faz este truque heim Geléia?
O truque é chamado de link. É só incluir na hora que estiver colocando o texto no blogger.
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