Olimpíadas rolando e eu sem assunto para comentar: as mazelas do esporte brasileiro e o crescimento econômico.
Talvez não tenham
notado minha ausência, não importa. O futebol ausente também não está me
fazendo falta. Estou num pequeno feriado, férias minúsculas; um ferialito do
futebol. A ressaca pelo título da Libertadores foi brava, mas bravo mesmo
ficaram os adversários. Pudera: perderam a piada. Mas como corintiano é gente
fina, resolveram quebrar a taça: meia dúzia de piadas jogadas no ar do mundo
virtual. E pela falta de futebol do meu time, decidi mostrar uma porção
diferente dos meus textos, algo leve e jocoso; um pouco mais satírico do que
costumeiramente apresento. Admito a influência de outros campos estéticos e literários.
O futebol falta, mas não a informação.
O Brasileirão passou
para a segunda marcha, num ritmo mais aquecido, mesmo um pouco nebuloso.
Janelas, contratações e falta de brilho transformaram o campeonato numa
embromação sem tamanho. Quase uma novela em sua in medias res. Peguei o campeonato pela metade, com paulistas
sofrendo na zona do rebaixamento; e com vascaínos e atleticanos brigando pelo
título. Ficou difícil para o Corinthians (apesar de não ser impossível). E só
não é possível abrir mão do campeonato porque desde sempre time grande também
pode cair. Acompanhar o Brasileirão? Apenas nos jogos de domingo em que não
tiver nada importante para fazer.
Sorte ainda do
Brasileirão é que as Olimpíadas também não estão empolgando. Pela falta de
medalhas, pelas “craques” velhos de novo; ou por falta do padrão Globo. Pouco
se ouve (e se vê por aqui) sobre a competição. Não posso criticar a transmissão
da Record, não assisti ainda. Mas uma coisa é certa: pelo poder de mídia (e
mítico) da Globo, as Olimpíadas perderam um pouco o glamour esse ano. Galvão
Bueno pode ser irritante algumas vezes, mas ele sabe vender o produto. Os gols
do Neymar seriam mais espetaculares. A prata vira ouro. A queda vira heroísmo.
Assim por diante. Um ufanismo extremo podia fazer a gente pegar gosto pela
coisa.
Tanto que, mesmo com
muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, não consegui um tema sequer para
apresentar aqui. Talvez falar sobre a medalha de ouro do judô. O quê para mim é
louvável, não pela medalha; mas por eu gastar alguns minutos falando de um
esporte que eu nem conheço, de uma esportista que eu nem sabia o nome. Quem é
culpado? Governo? Política? Não. Ninguém é culpado. Eu tenho quase certeza que
praticar e gostar de determinados esportes é uma coisa de instinto, predestinação.
Não gosto de lutas, de qualquer espécie e finalidade. Sempre preferi os
esportes coletivos, e por isso são os únicos em que tenho uma predisposição em
acompanhar.
Assim, as Olimpíadas
estão rolando. A magia e a história são elementos que justificam essa
mobilização mundial. O que importa é competir, não é verdade? Só esqueceram de
passar a filosofia para os chineses e americanos, tão eufóricos por medalhas.
Nós, brasileiros, nos contentamos com pouco. O que vale é a farra. Ganhar dos
argentinos também é culturalmente interessante, mas para controle estatístico
não vale absolutamente nada. Para parâmetro de eficiência, então; nem se fala. O
modelo que devemos propor é exatamente dos americanos, ou dos chineses,
atualmente. Qualquer resultado próximo ao das duas potências, será expressivo.
Então, como estamos
muito aquém; melhor nem ver os jogos. Ou se assistir, saber que a competição é
tudo, a vitória é quase nada. Vangloriar um herói brasileiro, sabendo que ele não
teve qualquer apoio para chegar lá. Federações, confederações e afins fazem
bastante, mas não muito. Rir da própria desgraça, em ser potência econômica;
mas não ser potência na educação e no esporte. Será que alguma coisa realmente
tem haver com a outra?
Brasil está ai para
definir quem está na vanguarda do crescimento, mas que ainda aceita como normal
suas próprias mazelas.
Um comentário:
Que mudança de estilo! Gostei. Tentei escrever um texto sobre o Londres 2012 e não consegui e, provalvelmente, não vai sair nada mesmo. O Brasileirão não empolga e acho que o único assunto possível é a volta do Rogério Ceni. Aguardemos.
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