quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um gavião pousou na minha sorte



Foi uma vitória cheia de simbolismos. Vou ser sincero: Nem nos melhores sonhos a coisa aconteceria desse modo. Mas chegamos. Fomos campeões. Como era para ser, depois de tanto tempo. De tanta espera. De tanto sofrimento. Se o time ainda não é brilhante, já podemos dizer que é histórico. De um jeito ou de outro, ame-o ou deixe-o. E tudo começou muito cedo, essas dicas incontestáveis do destino. Ninguém fez a leitura dos astros, lá nos primeiros jogos da Libertadores; mas estava escrito: o time seria campeão.

Deu frio na barriga? Deu. Medo? Claro. Entrávamos nos jogos como patinho feio? Evidente. Era a frase escrita: contra tudo e contra todos! Contra nós mesmos e a ingrata estatística. E os números nos perseguiram até o final, como tragédia anunciada. Vasco tinha um bom time, Santos era considerado o melhor das Américas até então. E o Boca? Bicho gigantesco! Grandioso, calmo e conquistador. Corinthians do povo, time dos territórios brasileiros; seria presa fácil? Os números mais uma vez contestado a história: Boca Júnior seria campeão!

Mas um gavião pousou na sorte. Nos treinos do Corinthians um bicho chegou e virou mascote dos jogadores. Sumiu logo em seguida. Quem não viu ali a indicação: esse ano é nosso? Precisa mais? Precisávamos. A bola do Diego Souza não entra, Ralf faz um gol nos últimos minutos; Romarinho estréia com gol em campo inimigo. Tudo isso acontecendo e os torcedores ainda temerários. Calma, gente! O título é nosso. E a pedra da conquista foi a bola na trave nos últimos minutos na Argentina; quando no rebote o jogador do Boca cabeceou para fora. Ali estava a conquista, agora é inevitável. Eu gritei no meio da sala, intimamente, acanhado: esse time será campeão. Mas a história estava ali, o jeitão de sofrimento. Estava em nossa frente o Boca!! Poucos ganham do Boca, diziam aos quatro cantos.

O dia do jogo: tantos foguetes, tanta conversa e tanta expectativa. Final da Copa do Mundo? Maior. Aquilo ali parecia maior. O dia de São Paulo vivido como se fosse acontecer o jogo mais importante da história! E era: estava sendo. Tanto para os torcedores corintianos quanto para os antis (alcunha da torcida unida inimiga). Quem quer o Corinthians campeão? Apenas e exclusivamente os corintianos. Nada mais e nada menos. Corinthians é Corinthians, não é Brasil. Como deve ser a boa rivalidade. Todas as torcidas unidas, todos contra uma. Na argentina tínhamos simpáticos, os rivais dos bosteros. Não estamos sozinhos, pensem!

E o jogo começa como qualquer final de campeonato. Mas tudo estava diferente. Corinthians não estava derrotado, estava esperançoso. Sabia onde e como queria chegar. O primeiro tempo deu medo: os times iguais. Mas já estava escrito: será diferente. O segundo tempo começou e a boa fase do clube, do Tite e dos jogadores estava em campo: Gol do Emerson num passe de calcanhar de Danilo. Calcanhar? Seria a mensagem subliminar de um torcedor ilustre? Sócrates estava em campo? Mera coincidência, eu acho. Torcedores vibram. Boca se desespera como numa: eles aparentam uma frieza, mas estão se remoendo. O segundo gol acontece de um erro de um dos mais experientes jogadores do Boca: os argentinos também choram!

O gol, o gol. Seria tudo? Cadê o grito de campeão? Não acontece. Ainda está preso na garganta. E agora? E se o Boca vira o jogo? Impossível!! Mas nem tudo parece impossível para o Corinthians. Campeão!! Para o fim da zombaria adversária. Haverá outras, mas por esse título nunca mais!! Campeão mesmo!! Contra o Boca. Sim, não foi qualquer um que sofreu, foi o Boca. Argentino perdendo e com vitória do jeito que argentino gosta. Argentino, inglês e brasileiro: a torcida única representa a torcida de todo mundo: a vitória saborosa é a vitória das coisas improváveis!!

Pela primeira vez e de modo invicto: andei dizendo isso em tom de brincadeira quando era mais novo e sonhava com esse título.

2 comentários:

Cesar Augusto disse...

Não assisti ao primeiro jogo e vi muito pouco do segundo. Sou um péssimo secador. Mas, no final das contas acho que foi justíssimo, o Corinthians mereceu. Foi um campeão legítimo ninguém poderá falar de apito amigo e outras coisas. Acho que a torcida precisava tirar esse peso. Ser o único time de SP sem esse título é ruim, mas, perder a final em casa seria traumático. Não fiquei feliz,mas, fazer o quê. Coisas da vida. Opa, peraí "final em casa" não. O Pacaembú ainda é da Prefeitura. Ah, vocês não tem estádio, né? Tadinhos...

Sérgio Oliveira disse...

Essa zoação vai demorar um pouco ainda......kkkkkk