Foi uma vitória
cheia de simbolismos. Vou ser sincero: Nem nos melhores sonhos a coisa
aconteceria desse modo. Mas chegamos. Fomos campeões. Como era para ser, depois
de tanto tempo. De tanta espera. De tanto sofrimento. Se o time ainda não é
brilhante, já podemos dizer que é histórico. De um jeito ou de outro, ame-o ou
deixe-o. E tudo começou muito cedo, essas dicas incontestáveis do destino.
Ninguém fez a leitura dos astros, lá nos primeiros jogos da Libertadores; mas
estava escrito: o time seria campeão.
Deu frio na barriga?
Deu. Medo? Claro. Entrávamos nos jogos como patinho feio? Evidente. Era a frase
escrita: contra tudo e contra todos! Contra nós mesmos e a ingrata estatística.
E os números nos perseguiram até o final, como tragédia anunciada. Vasco tinha
um bom time, Santos era considerado o melhor das Américas até então. E o Boca?
Bicho gigantesco! Grandioso, calmo e conquistador. Corinthians do povo, time
dos territórios brasileiros; seria presa fácil? Os números mais uma vez
contestado a história: Boca Júnior seria campeão!
Mas um gavião pousou
na sorte. Nos treinos do Corinthians um bicho chegou e virou mascote dos
jogadores. Sumiu logo em
seguida. Quem não viu ali a indicação: esse ano é nosso?
Precisa mais? Precisávamos. A bola do Diego Souza não entra, Ralf faz um gol
nos últimos minutos; Romarinho estréia com gol em campo inimigo. Tudo isso
acontecendo e os torcedores ainda temerários. Calma, gente! O título é nosso. E
a pedra da conquista foi a bola na trave nos últimos minutos na Argentina;
quando no rebote o jogador do Boca cabeceou para fora. Ali estava a conquista,
agora é inevitável. Eu gritei no meio da sala, intimamente, acanhado: esse time
será campeão. Mas a história estava ali, o jeitão de sofrimento. Estava em
nossa frente o Boca!! Poucos ganham do Boca, diziam aos quatro cantos.
O dia do jogo:
tantos foguetes, tanta conversa e tanta expectativa. Final da Copa do Mundo?
Maior. Aquilo ali parecia maior. O dia de São Paulo vivido como se fosse
acontecer o jogo mais importante da história! E era: estava sendo. Tanto para
os torcedores corintianos quanto para os antis (alcunha da torcida unida
inimiga). Quem quer o Corinthians campeão? Apenas e exclusivamente os
corintianos. Nada mais e nada menos. Corinthians é Corinthians, não é Brasil.
Como deve ser a boa rivalidade. Todas as torcidas unidas, todos contra uma. Na
argentina tínhamos simpáticos, os rivais dos bosteros. Não estamos sozinhos,
pensem!
E o jogo começa como
qualquer final de campeonato. Mas tudo estava diferente. Corinthians não estava
derrotado, estava esperançoso. Sabia onde e como queria chegar. O primeiro
tempo deu medo: os times iguais. Mas já estava escrito: será diferente. O
segundo tempo começou e a boa fase do clube, do Tite e dos jogadores estava em
campo: Gol do Emerson num passe de calcanhar de Danilo. Calcanhar? Seria a
mensagem subliminar de um torcedor ilustre? Sócrates estava em campo? Mera
coincidência, eu acho. Torcedores vibram. Boca se desespera como numa: eles
aparentam uma frieza, mas estão se remoendo. O segundo gol acontece de um erro
de um dos mais experientes jogadores do Boca: os argentinos também choram!
O gol, o gol. Seria
tudo? Cadê o grito de campeão? Não acontece. Ainda está preso na garganta. E
agora? E se o Boca vira o jogo? Impossível!! Mas nem tudo parece impossível
para o Corinthians. Campeão!! Para o fim da zombaria adversária. Haverá outras,
mas por esse título nunca mais!! Campeão mesmo!! Contra o Boca. Sim, não foi
qualquer um que sofreu, foi o Boca. Argentino perdendo e com vitória do jeito
que argentino gosta. Argentino, inglês e brasileiro: a torcida única representa
a torcida de todo mundo: a vitória saborosa é a vitória das coisas
improváveis!!
Pela primeira vez e
de modo invicto: andei dizendo isso em tom de brincadeira quando era mais novo
e sonhava com esse título.

2 comentários:
Não assisti ao primeiro jogo e vi muito pouco do segundo. Sou um péssimo secador. Mas, no final das contas acho que foi justíssimo, o Corinthians mereceu. Foi um campeão legítimo ninguém poderá falar de apito amigo e outras coisas. Acho que a torcida precisava tirar esse peso. Ser o único time de SP sem esse título é ruim, mas, perder a final em casa seria traumático. Não fiquei feliz,mas, fazer o quê. Coisas da vida. Opa, peraí "final em casa" não. O Pacaembú ainda é da Prefeitura. Ah, vocês não tem estádio, né? Tadinhos...
Essa zoação vai demorar um pouco ainda......kkkkkk
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