Até para o são paulino mais
cauteloso, o jogo de ontem a noite contra o Coritiba, seria, como de fato foi,
difícil. Não que o Coxa tenha um grande time de futebol, mas, o São Paulo,
apesar do inegável talento de alguns de seus jogadores, não inspira muita
confiança na torcida. Apesar disso, ontem à noite no Morumbi, 40 mil tricolores
pagaram pra ver, recriando um clima só comparável aos jogos do São Paulo pela
Libertadores nos áureos tempos.
Verdade seja dita; o São Paulo
tem fraquejado nos jogos decisivos, mostrado pouca atitude e os jogadores, em
muitas ocasiões, parecem espectadores de luxo do espetáculo. A falta de atitude
vencedora e de comprometimento com a disputa tornou-se crônica no São Paulo.
Jogador vem, jogador vai, técnico vem, técnico vai e a ladainha continua. Esse,
é um dos motivos da precaução do torcedor. Até mesmo um jogo contra uma equipe
média, como é o caso do Coritiba, torna-se um grande desafio, o Jogo da Vida ou
da Morte. E foi muito disso que assisti na noite de ontem.
O São Paulo jogava em casa,
poderia ter começado bem mais aguerrido que o Coritiba, que entrou no gramado
do Morumbi disposto apenas a jogar no erro do time paulista. Para tanto, o São
Paulo precisava pressionar os paranaenses, tornar a atmosfera um pouco mais
hostil, desconfortável ao adversário. Afinal de contas, essa é a única vantagem
de ter o mando de campo, contudo, o São Paulo não fez isso. E chegamos ao
primeiro grande problema desse time; a falta de compromisso dos jogadores de
meio campo, na recuperação de bola. O meio formado por Denilson, Casemiro,
Jadson e Cícero estava totalmente descompromissado com o jogo. Não marcaram,
não roubaram as bolas e nem criaram, deixando a zaga e a nossa dupla de
atacantes fazer todo o serviço. Se os quatro repetirem essa atuação em Curitiba
sairemos de lá goleados.
Muita gente, dentre os quais esse
boleiro, xingou o Paulo Miranda pelo lance que gerou a sua expulsão, mas,
revendo o videoteipe na madrugada percebi que estava errado. Mais uma vez o
nosso sonolento meio campo deixo os atacantes coritbanos no mano a mano com a
nossa zaga e, especificamente no lance da expulsão, se o Paulo não faz aquela
falta (bem grosseira por sinal) o Coxa tinha estufado as nossas redes. Ao
contrário do Casemiro, o nosso “I wanna be Falcão” e do Cícero, o beque Paulo
Miranda não se omitiu. A pergunta que não quer calar é a seguinte: Cadê aquele
tal de Fabrício? Com ênfase no “tal”, pois, chegou aqui falando grosso, dizendo
que era líder, xerife e tal e coisa e, ao que tudo indica, não passa de mais um
jogador chinelinho.
O Lucas é um baita jogador e ver
a disposição com a qual ele joga as partidas merece um pouco mais de aplauso do
torcedor tricolor. É nosso melhor jogador e em breve sairá do país. Poderia
fazer bem mais, juntamente com o Luis Fabiano, que está em má fase, mas, o que
tem feito como, por exemplo, o gol de ontem, tem garantido a auto-estima do
nosso torcedor em grau mais elevado. Ah, se o Lucas tivesse um meio campo mais
combativo e organizado... Aí vem o nosso próximo problema, caros amigos:
entendo que o Leão foi contratado como xerifão, para botar o time na linha, e
todas aquelas bobagens que, de tanto propagadas, acabam virando uma verdade,
entretanto, já passou da hora do técnico arrumar um pouco esse time. Assistimos
até com uma certa ponta de inveja o futebol apresentado por alguns rivais,
projetando aquela organização no nosso pé de obra mais qualificado.
Coletivamente, o São Paulo vai muito mal.
O que esperar do jogo de
Coritiba, então? Calma, amigos, nada de pânico. A situação é ruim, mas, ao
menos temos a vantagem ao nosso lado. Em Coritiba, precisaremos da melhor
atuação do ano de nossos jogadores. Todos eles! E não somente do Lucas e do
Luis Fabiano. Não acho que esse time do Coritiba consiga pressionar o nosso
time. É um time que, mesmo jogando em casa, aposta nos contrataques para
superar os rivais mais tradicionais. Após aquele golaço milagroso no final da
partida, quando estávamos com um jogador a menos, acredito, realmente, que
poderemos passar para a final. Aliás, acreditar, é a única coisa que podemos
fazer por enquanto. Permanecemos vivos, na disputa.
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