A corrida espacial estava em pleno vapor. URSS x EUA dividiam o mundo em dois blocos de influência econômica e ideológica, e o lançamento de satélites que começara em 1957 alavancavam as pesquisas nas telecomunicações. Um ano antes da Copa, em abril de 1961, Yuri Gagarin ultrapassou a estratosfera e nos revelou que "A Terra era azul". O primeiro ser humano a ir para o espaço, ficando lá por 48 minutos. Meio tempo de jogo, com 3 de acréscimos. URSS 1x0 EUA até o homem pisar na Lua. Este slogan da Copa do Chile (com o globo terrestre e uma bola ao seu redor) traduzia um pouco aquele momento da Guerra Fria. Mas as transmissões televisivas ainda ficavam devendo. Só quem morava no Chile poderia ver alguns jogos pela TV e aqui no Brasil - graças ao recém-inventado videotaipe - só teríamos imagens depois de dois dias. Aliás, nem o próprio Chile dispunha de videotaipe, pois esta nova maravilha fora trazida àquele país pelo milionário mexicano Emílio Azcárraga, dono do Telesistema a pedido da Fifa. Pelo menos, esta fora a contribuição da Copa para a América do Sul.
A receita para vencer a Copa de 1962 adotada pelo Brasil seria a mesma da Copa de 1958: mesma comissão técnica, mesmos jogadores, só o técnico que não foi o mesmo - Vicente Feola com problemas de saúde fora substituído por Aymoré Moreira. E as mesmas superstições: Paulo Machado de Carvalho chefe da delegação, usara o mesmo terno marrom de quatro anos antes; João Havelange, presidente da CBD ficaria no Brasil, como quatro anos antes; e o mesmo avião da Panair seria utilizado...com o mesmo piloto, o capitão Guilherme Bunger. Na equipe titular, só duas modificações na zaga: Bellini e Orlando, cederiam suas posições para seus reservas da Copa anterior, Mauro e Zózimo. Sem grandes novidades.
Este seria portanto o time base e o que estrearia contra o México no Estádio Sausalito com capacidade para 18.000 pessoas, em Viña del Mar: Gilmar, Djalma Santos, Mauro, Zózimo; Nilton Santos, Zito, Didi, Garrincha; Vavá, Pelé, Zagallo.
Em 30 de maio, uma quarta-feira, mais precisamente às 15:00 horas, seria dado o pontapé inicial para a busca do bicampeonato mundial. A Seleção demoraria para engrenar, num grupo que ainda contavam com a fortíssima Espanha e a pragmática Tchecoslováquia. E também muito pouco romantismo, pois fora uma das Copas mais violentas até então vistas, com recorde de expulsões, contusões e fraturas. E nenhuma seleção pra dizer a verdade encantou. Aliás, tivemos romantismo sim, mas fora de campo. E há quem diga, que isto até ajudou a seleção canarinho... Mas vamos deixar para o próximo post, ok?
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