domingo, 10 de junho de 2012

Pé no Fundo no Canadá

Olá leitores!

Lembram daquela máxima que volta e meia repito, "autódromo bom gera corrida boa"? Pois é, vimos o ótimo Circuito Gilles Villeneuve propiciar uma ótima corrida. Não exaltarei o fato de Hamilton ter sido o 7º vencedor em 7 corridas, pois isso todos estão fazendo.  Exaltarei a corrida emocionante, com disputas do início ao fim, a corrida que teve as melhores últimas 10 voltas da temporada, e quem sabe das últimas temporadas, e exaltarei o novo regulamento, que fez com que as corridas largassem de ser aquela procissão a que nos acostumamos no últimos 15 anos. Anos em que os cartolas andaram fazendo mudanças no regulamento não para favorecer a disputa, mas para prejudicar essa ou aquela equipe. Anos em que a categoria perdeu seguidores pelo mundo inteiro, pois as corridas estavam, essencialmente, chatas. Os puristas podem argumentar que a emoção é artificial, criada por apêndices aerodinâmicos móveis ou pneus que se esfarelam facilmente, mas a verdade é que esse ano dá gosto de ligar a TV para assistir a corrida, mesmo com o torcedor comum lamentando o fato de não termos um brasileiro disputando as vitórias.
Hamilton venceu, e o fez de forma maiúscula. Foi dos pilotos que não aguardavam apenas a reta mais longa, onde era possível abrir a asa móvel, para efetuar as ultrapassagens. Não fez a pole pois existe um alemãozinho que quando está com o carro bem acertado é quase imbatível em uma volta lançada, mas assumiu a liderança na 20ª volta e uma vez na frente demonstrou que apenas uma estratégia muito errada da equipe ou um problema mecânico o tiraria da liderança. Nem mesmo os erros de troca de pneus da McLaren conseguiram estragar o dia iluminado de Hamilton, já que a cada erro ele voltava com mais vontade de acelerar fundo. As posições que ele perdia com os erros da equipe, ele recuperava com fúria ao volante. Não foi o piloto que ficou mais voltas na liderança, mas foi, sem dúvida, o que mais trabalhou para ficar na frente. Merecida vitória. Seu companheiro Button, irreconhecível, terminou em 16º lugar, 1 volta atrás dos líderes.
Em 2º lugar chegou Grosjean, com sua Lotus. Outro que foi muito veloz em ritmo de corrida. Na base de janela diferente de utilização dos pneus, até chegou a liderar a prova, mostrando que amadureceu muito após sua passagem frustrada pela categoria substituindo Nelsinho Piquet. Quando conseguir ter desempenho mais constante, pode ser candidato a vitórias. Seu companheiro Räikkönen esteve muito apagado esse fim de semana, em nada lembrando as atuações da época da McLaren e da Ferrari (ao menos da Ferrari quando estava levando a coisa a sério, óbvio), e deve ficar feliz com o 8º lugar conquistado na base da estratégia de fazer apenas 1 troca de pneus. Podia ter sido bem pior.
Em 3º veio o (possível) substituto de Massa na Ferrari, Sergio Perez. Outro piloto que parou apenas 1 vez para trocar pneus, só que no caso dele a coisa funcionou, já que ele têm essa característica de economizar os pneus. Aquela ultrapassagem sobre o Alonso que não ocorreu na Malásia aconteceu no Canadá, e admito ter ouvido estouro de fogos perto de casa quando ela aconteceu. OK, foi com ajuda da asa móvel, os pneus do Alonso estavam muito desgastados... mas isso não importa. O que ficará para os registros da história é que Alonso tomou um passão do Perez. E por falar em passão, não podemos deixar de exaltar Kobayashi, o "Kobamito", que terminou em 9º lugar mas deu o troco no velho caboclo alemão Schumacher como poucos: o alemão botou a faca nos dentes, passou Kobamito na freada do Hairpin com direito a travada de pneus e "espalhada" para cima do nipônico, mas Koba não se intimidou: na reta seguinte, quando Schummy veio para o lado de dentro da pista para defender a posição, Koba devolveu a ultrapassagem por fora e recuperou a posição...
Em 4º veio o pole position Vettel. Tentou investir na tática de uma parada a menos, mas os pneus acabaram antes do previsto e ele teve de parar nos boxes no final. Com pneus novos, conseguiu diminuir o prejuízo. Seu companheiro Webber acabou fazendo um 7º lugar, numa atuação apenas mediana. Não comprometeu, mas também não encantou.
No 5º lugar veio Alonso, que correu muito bem, deveria estar no pódio por merecimento, mas foi vítima da equivocada estratégia da Ferrari, que achou (baseada não se sabe no quê) que daria para fazer uma troca apenas com um piloto arrojado como o Alonso. Resultado: nas últimas voltas, com pneus muito desgastados, foi presa fácil para quem chegasse perto dele. Fica difícil defender a posição andando de 3 a 5 segundos por volta mais lento que os outros pilotos. O 5º lugar nem foi tão ruim nas circunstâncias. Seu companheiro Massa começou muito bem, deu a impressão que faria uma grande corrida, mas se empolgou muito, errou e rodou sozinho, teve que antecipar a troca de pneus, e aí foi uma briga por posições no pelotão intermediário. Os "brilhantes" estrategistas da Ferrari só o chamaram para a 2ª troca quando começou a rodar em 1m20s quando todo mundo estava rodando em 1m17s, 1m16s... Poderia, tranquilamente, ter terminado em 7º ou 8º, mas a equipe não deixou. Pode (e deve) ser culpado pelo erro nas voltas iniciais, mas o 10º lugar foi uma punição muito dura por aquilo que ele apresentou. Pelo menos dessa vez terminou na frente do Rosberg...
Rosberg foi o 6º. Chegou a fazer algumas vezes a volta mais rápida da prova, mas nunca esteve realmente em posição de lutar pelo pódio. O carro era muito rápido no meio do pelotão, e quando chegava no bloco da frente, perdia rendimento. Seria um comportamento estranho, não fosse a equipe a Mercedes. Seu companheiro Schumacher abandonou após ter a asa móvel travada na posição aberta. Os mecânicos tentaram soltar a mesma, mas não soltou nem com jeito, nem na pancada, e decidiram recolher o carro aos boxes.
O "Primeiro-Sobrinho-Mór", Bruno Senna, teve uma das apresentações mais apagadas da carreira, terminando em 17º, à frente apenas das Caterham e da única Marussia que terminou a prova.
Próxima etapa, 24/06, no chatíssimo circuito de rua feito no cais de Valencia. Existem conversas segundo as quais a partir de 2013 o GP da Espanha seria alternado entre Valencia e Barcelona, correndo em Barcelona nos anos ímpares e Valencia nos anos pares. Por mim é um bom arranjo, fazendo com que essa aberração Tilkeniana seja vista a cada dois anos, e não anualmente.
Até a próxima!

Alexandre Bianchini

Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

Concordo, foi uma corrida muito interessante. A questão do Massa rodando foi uma coisa estranha. Parece mesmo que ele está apenas esperando o contrato vencer. Já que não temos brasileiros, nada melhor do que torcer para o sulamericano, não?