terça-feira, 26 de junho de 2012

50 anos do Bi (2ª Fase).


Quartas-de-final: Brasil 3x1 Inglaterra.

Brasil x Inglaterra se enfrentariam no Estádio Salsalito praticamente lotado com 17.736 pessoas, em Viña Del Mar. Uma Copa com média baixa de gols, 2,7 por partida, principalmente para aquela época. Duas goleadas na fase de classificação: Hungria 6x1 Bulgária e Iugoslávia 5 x 0 Colômbia. Não fosse estes dois resultados, a média de gols daquela Copa seria ainda menor.

Até os 30’ pouca coisa aconteceu na partida. Até que um cachorrinho resolveu roubar a cena e a partida fora interrompida. Driblou até o Mané. Precisou do inglês Jimmy Greaves se fingir de cachorro engatinhando no gramado para agarrar o cãozinho. Este momento entrou para a história. Poderia fazer parte do livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, na qual por um breve momento, o cachorro foi o ator principal. Este foi o jogo em que Garrincha só não fez chover. E não teve Malvinas como incentivo (talvez o incentivo fosse outro...), e muito menos precisaria de "la mano” para ele subir mais que Norman (12cm mais alto que ele) e marcar de cabeça, após cobrança de escanteio de Zagallo:


Mas a vantagem brasileira duraria 5 minutos, quando Hitchens empatou e o primeiro tempo terminou 1x1. Aos 8’ da segunda etapa, falta perto da grande área e Didi se prepara para soltar sua folha-seca. Ajeitou a bola com carinho, mas quem corre para a bola é Mané. Chute forte, o goleiro Springett rebate e Vavá aproveita o rebote e de cabeça, coloca os brasileiros à frente. Pouco depois, aos 14’, uma pintura de Mané. Ao ver Springett um pouco adiantado, de fora da área, colocou a bola no ângulo esquerdo. 3x1 e certamente, a maior atuação de Garrincha em copas.

Semi-final: Brasil 4 x 2 Chile.

Para a decepção dos chilenos o confronto contra o Brasil não foi o jogo da final. Esta partida que ocorreria em Viña Del Mar pela tabela ( no estádio para 18.000 pessoas) foi transferido para o Estádio Nacional em Santiago (com capacidade para 65.000). Claro que o primeiro estádio não comportaria esta partida que recebera Iugoslávia x Tchecoslováquia. Só que o público de Brasil x Chile foi de 73.856, bem maior que a capacidade do estádio e público maior que o da própria final.

Apesar do placar elástico para os brasileiros a partida foi muito dura. Mas aos 9’, Garrincha com o pé-esquerdo acerta um belo chute no ângulo esquerdo de Escuti. Aos 32’ a velha jogada. Zagallo cobra escanteio, e Garrincha aparece no meio de dois zagueiros e marca de cabeça. Aos 42’ Toro marca de falta para deixar os chilenos ainda no jogo. Mas logo aos 2’ do segundo tempo, Vavá ampliava novamente. Aos 17’ bola na mão de Zózimo e o árbitro deu uma forcinha para os chilenos: 3x2 no pênalti convertido.

O jogo pegou fogo, dentro e fora de campo. Falta dura em Zito e um chileno é expulso. Garrincha passou a efetuar seu famoso drible “fez-que-vai-mas-não-foi” chamando o marcador para a dança. Interpretando o lance como menosprezo, a torcida chilena passou a vaiar e hostilizar Mané, toda vez que ele pegava na bola. E dentro de campo também não foi diferente, como se vê na foto abaixo. Mesmo assim aos 33’ Vavá aumentava a vantagem, esfriando um pouco o estádio.


Mas não acabou por aí. Garrincha acabou sendo expulso, num lance que hoje valeria apenas um cartão amarelo, não fosse o calor da partida. Um leve “pontapé de amizade” no traseiro do jogador Rojas após perder a jogada. O bandeirinha viu e avisou o árbitro. Na saída de campo, Mané recebera uma pedrada e passaria a noite com a cabeça enfaixada. Mas ele estaria inteiro (ou quase) para a grande final.




Nenhum comentário: