Quartas-de-final: Brasil 3x1 Inglaterra.
Brasil x Inglaterra se enfrentariam no Estádio
Salsalito praticamente lotado com 17.736 pessoas, em Viña Del Mar. Uma Copa com
média baixa de gols, 2,7 por partida, principalmente para aquela época. Duas
goleadas na fase de classificação: Hungria 6x1 Bulgária e Iugoslávia 5 x 0
Colômbia. Não fosse estes dois resultados, a média de gols daquela Copa seria
ainda menor.
Até os 30’ pouca coisa aconteceu na partida. Até que um
cachorrinho resolveu roubar a cena e a partida fora interrompida. Driblou até o
Mané. Precisou do inglês Jimmy Greaves se fingir de cachorro engatinhando no
gramado para agarrar o cãozinho. Este momento entrou para a história. Poderia
fazer parte do livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, na qual por um
breve momento, o cachorro foi o ator principal. Este foi o jogo em que
Garrincha só não fez chover. E não teve Malvinas como incentivo (talvez o incentivo fosse outro...), e muito menos precisaria de "la mano” para ele subir mais que Norman (12cm
mais alto que ele) e marcar de cabeça, após cobrança de escanteio de Zagallo:
Mas
a vantagem brasileira duraria 5 minutos, quando Hitchens empatou e o primeiro
tempo terminou 1x1. Aos 8’ da segunda etapa, falta perto da grande área e Didi
se prepara para soltar sua folha-seca. Ajeitou a bola com carinho, mas quem
corre para a bola é Mané. Chute forte, o goleiro Springett rebate e Vavá
aproveita o rebote e de cabeça, coloca os brasileiros à frente. Pouco depois,
aos 14’, uma pintura de Mané. Ao ver Springett um pouco adiantado, de fora da
área, colocou a bola no ângulo esquerdo. 3x1 e certamente, a maior atuação de
Garrincha em copas.
Semi-final: Brasil 4 x 2 Chile.
Para a decepção dos chilenos o confronto contra o Brasil não
foi o jogo da final. Esta partida que ocorreria em Viña Del Mar pela tabela (
no estádio para 18.000 pessoas) foi transferido para o Estádio Nacional em
Santiago (com capacidade para 65.000). Claro que o primeiro estádio não
comportaria esta partida que recebera Iugoslávia x Tchecoslováquia. Só que o
público de Brasil x Chile foi de 73.856, bem maior que a capacidade do estádio
e público maior que o da própria final.
Apesar do placar elástico para os brasileiros a partida foi
muito dura. Mas aos 9’, Garrincha com o pé-esquerdo acerta um belo chute no
ângulo esquerdo de Escuti. Aos 32’ a velha jogada. Zagallo cobra escanteio, e
Garrincha aparece no meio de dois zagueiros e marca de cabeça. Aos 42’ Toro
marca de falta para deixar os chilenos ainda no jogo. Mas logo aos 2’ do
segundo tempo, Vavá ampliava novamente. Aos 17’ bola na mão de Zózimo e o
árbitro deu uma forcinha para os chilenos: 3x2 no pênalti convertido.
O jogo pegou fogo, dentro e fora de campo. Falta dura em
Zito e um chileno é expulso. Garrincha passou a efetuar seu famoso drible “fez-que-vai-mas-não-foi”
chamando o marcador para a dança. Interpretando o lance como menosprezo, a
torcida chilena passou a vaiar e hostilizar Mané, toda vez que ele pegava na
bola. E dentro de campo também não foi diferente, como se vê na foto abaixo. Mesmo assim aos 33’ Vavá aumentava a vantagem, esfriando um pouco o estádio.
Mas não acabou por aí. Garrincha acabou sendo expulso, num
lance que hoje valeria apenas um cartão amarelo, não fosse o calor da partida.
Um leve “pontapé de amizade” no traseiro do jogador Rojas após perder a jogada.
O bandeirinha viu e avisou o árbitro. Na saída de campo, Mané recebera uma
pedrada e passaria a noite com a cabeça enfaixada. Mas ele estaria inteiro (ou
quase) para a grande final.


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