sexta-feira, 11 de maio de 2012

Quinta-feira foi dia de futebol, bebê!


Enfim, encerramos mais uma rodada da dupla Copa do Brasil/Copa Libertadores. Disputas eliminatórias, independente do torneio, sempre chamam a atenção de quem gosta de futebol. Esqueçam a qualidade técnica dos jogos e jogadores. O chamado mata-mata, com todos os seus dramas, heróis, vilões, suor e lágrimas são suficientes para manter a atenção dos futebolistas e a conversa acesa em qualquer café, botequim ou rede social. Entre quarta e quinta-feira tivemos um pouco de tudo. Foi como uma luz no fim do longo e enfadonho túnel dos campeonatos regionais.

Na quarta-feira a cereja do bolo era, talvez, o jogo do Corinthians contra o Emelec no Pacaembú. Por incrível que possa parecer tinha muito torcedor do atual campeão brasileiro tremendo mais do que vara verde diante de uma nova desclassificação no interclubes sul-americano. Medo injustificável, na minha opinião, mas, reforçado pelo avanço da Cruzada da Ordem Anticorintiana; a maior seita fundamentalista do mundo. Por maior que fosse a torcida contra não daria jeito para os pobres equatorianos. Aliás, se a Conmebol fosse uma organização séria já teria pensado diminuir a participação de clubes equatorianos, bolivianos e peruanos. A disparidade técnica e de investimento é muito grande se comparada aos clubes do sul do continente, mas isso é uma outra história.

No outro lado da disputa, pela Copa do Brasil, o Palmeiras não teve a menor dificuldade para despachar o Paraná Clube. O representante paranense está agonizando na UTI do futebol. Pelo pouco que acompanhei do jogo, o tricolor curitibano precisa reformular urgentemente o seu elenco, se não quiser passar vergonha no segundo semestre. Ao Palmeiras a vitória serviu para embalar, ganhar confiança, mas, sem esquecer de que os paranistas disputam a segunda divisão do campeonato brasileiro e do campeonato paranaense.

Saindo um pouco dos clubes paulistas o destaque de quarta-feira ficou por conta da vitória do Boca Juniors contra o Union Española. Vitória fácil de um time que transformou o contra-ataque como a razão de ser de seu futebol. Felizmente, contrariando as minhas expectativas, o Riquelme jogou bem, dentro da sua categoria sub-40, claro. Servindo aos atacantes, mas sem mover um músculo sequer na marcação. Para os clubes brasileiros que sofrem da eterna Bocaphobia, fica o alerta; os argentinos estão na competição.

O outro jogo, no mesmo horário, deixou uma grande lição para o futebol e para a vida; às vezes, um ato de bravura e heroísmo, por mais nobre que seja, não passa de ato de estupidez. Eu explico: o Botafogo conseguiria a sua classificação, em casa, se ganhasse do Vitória/BA. Algo perfeitamente natural. Eis que o Botafogo, ainda no primeiro tempo, sai na frente. 1 a 0 no placar. Rendenção para o clube da estrela solitária, que sofreu um baita revés no campeonato estadual. Então, num cruzamento na área, uma falha de marcação, uma indefinição do goleiro, a bola vai entrando lentamente na meta botafoguense. Surge o lateral Lucas, com seus instintos aguçados, que parte para bola numa ponte digna dos melhores goleiros da várzea, impedindo o gol de empate. Baita ato de heroísmo. Só que a regra é clara e lateral não pode botar a mão na bola. Pênalti e expulsão do zagueiro. O goleiro botafoguense defende a cobrança do Vitória e o primeiro tempo termina com o Botafogo classificado, mas, com um homem a menos. O segundo tempo começa diferente e o Vitória volta melhor dos vestiários. Não demora muito para a virada dos baianos. Aquela mão boba do Lucas fez a diferença e no final aquele ato de heroísmo pareceu muito mais um ato de estupidez do lateral. Se a bola tivesse entrado no primeiro tempo, talvez, resultado fosse outro. Com 11 jogadores o Botafogo ainda podiar ganhar, mas, com 10...

Na quinta-feira o nível técnico dos jogos foi melhor. Pela Libertadores o Santos goleou o Bolivar da Bolíva por 8 a 0. Placar elástico que demonstra pela centésima primeira vez, que os clubes bolivianos estão de penetra nessa festa. Chega a ser constrangedor. O Santos fez o seu papel e aproveitou as oportunidades oferecidas pelo adversário. Nada de mais. Aliás, com a maldade que já é peculiar a esse blogueiro, depois de vitórias expressivas contra o The Strongest (ou The Weakest) e o Bolívar, o Santos pode pedir o reconhecimento do título de campeão boliviano de 2012. Mais um título no ano do centenário.

O jogo chave da competição sul-americana era o embate entre Fluminense e Internacional. O Fluminense, na minha modestíssima opinião, com todos os seus jogadores em forma, é o melhor time do Brasil. O Inter tem bons jogadores, mas, um tanto supervalorizado pela mídia. Não assisti ao jogo, mas, pelo que li, foi dramático. Vitória de virada dos cariocas por 2 a 1 e classificação para a próxima fase garantida. Aproveitando o ensejo, destaco um dos melhores times dessa Copa Libertadores e que, para variar, não é muito comentado pelos lados de cá; o Universidad do Chile. Time bom, com jogadores rápidos e habilidosos que pode chegar à final da competição. Aqui no Brasil, por uma compreensível ignorância, costumamos colocar todo time brasileiro e o Boca Jrs como favoritos, mas, atenção com os chilenos.

No creo en bruja, pero... como antecipa o dito popular. No Morumbi, o cenário era de tensão. No papel, o São Paulo tem um time melhor que a Ponte Preta, mas, basta voltar um pouco a fita para lembrar que a mesma Ponte eliminou o Corinthians peloo Campeonato Paulista, jogando fora de casa. Será que a Macaca ia repetir a zebra? Precisávamos ganhar a partida e logo no início do jogo o Somália abre o placar para a Ponte. Xi, olha a vassoura da bruxa!! O time tricolor jogava mal, lento, sem inspiração no meio campo e sem muita firmeza na defesa. O panorama daquele primeiro tempo só mudaria se achássemos o gol de empate. O mesmo filme antigo e amarelado. Bola parada, falha da defesa adversária e gol do São Paulo. Ok, estávamos no jogo, mas, ainda precisávamos vencer por dois gols de diferença. A reza foi forte e o goleiro Bruno deu o segundo gol para o Lucas marcar. Fim de primeiro tempo. No segundo tempo a entrada do Jadson fez a diferença, o time melhorou e a Ponte piorou. Não demorou muito para o Luis Fabiano (sempre ele) anotar o terceiro. Agora só restava trocar passes e defender o resultado para um último contra-ataque de misericórdia. E quem disse que conseguimos? Foi sofrimento até o último minuto. Final em 3 a 1. Estávamos classificados, no sufoco. Entre mortos e feridos, todos os clubes paulistas avançam nos seus torneios. Difícil foi esse blogueiro pegar no sono depois.

   

Nenhum comentário: