Que temporada essa de 2012! Cinco corridas, cinco vencedores diferentes, e até o velho Frank Williams (70 anos completos em 16 de abril) voltou a comemorar uma vitória de sua equipe, algo que não acontecia desde o GP do Brasil de 2004. Se temos que reclamar de alguma coisa, é do desempenho pífio dos brasileiros.
É sempre muito bom presenciar a primeira vitória de um piloto. Quando essa vitória vem acompanhada de tantos simbolismos quanto a do Maldonado, torna-se incrível. Especialmente no Brasil, credita-se a ele a “aposentadoria forçada” de Rubens Barrichello, sempre teve fama de “piloto pagante”, e a grande mídia o tornou alguém “imerecedor” do posto na equipe. Enorme bobagem. Se ele chegou graças ao dinheiro da PDVSA (a Petrobrás da Venezuela), Ayrton Senna chegou com o dinheiro do Banco Nacional, Michael Schumacher com o apoio da Mercedes Benz, Vettel desde cedo tem a grana da Red Bull, Alonso era financiado pela Telefonica de España... conta-se nos dedos os pilotos que não dependem de aporte financeiro de um patrocinador para a sua estréia. Aposto que hoje o Hugo Chavez riu a toa em seu gabinete, com um piloto venezuelano vencendo um espanhol em pleno território espanhol, e lembrando que o herói do presidente venezuelano é Simon Bolivar, o homem que lutou contra os espanhóis pela independência, e que Chavez já mandou o rei da Espanha calar a boca. É muita coincidência para uma só vitória. A alegria só não foi maior por causa da classificação e corrida pífias do Bruno Senna (errou no Q1 e se envolveu num acidente tolo com Schumacher) e pelo incêndio nos boxes da equipe durante a comemoração pós prova. Mas mostra que com o dinheiro de 2 pilotos pagantes a equipe pôde investir mais e criar um carro com qualidades.
E mais uma vez o talento de Alonso fez a diferença: classificou bem, largou melhor ainda, e perdeu a liderança por eventos que acontecem em toda corrida. Ele reclamou muito de ter sido “atrapalhado pelo tráfego”, reclamou do estreante Pic, mas isso faz parte do jeito chiliquento e pitizento do Alonso. Não quer enfrentar tráfego? Vá correr com dragsters. Acho que ele precisa ir correr nos EUA para largar de tanta frescura. Em compensação, tudo o que o Alonso foi bem o Miojinho foi mal, terminando em 15º. Outro que reclamou horrores, dizendo que “a punição acabou com a corrida dele”. Vamos aos fatos: ele chegou no Vergne, estreante da categoria, que corre de Toro Rosso, e não conseguiu ultrapassar por nada nesse planeta, só passou quando o francês foi trocar os pneus. O Vettel também foi punido por desrespeitar a mesma bandeira amarela e terminou a corrida em 6º. Está cada dia mais difícil justificar a presença dele na equipe, e fica quase impossível discordar dos corneteiros da Autosprint que escrevem que a Ferrari corre apenas com um carro. Contrato acaba no fim do ano, e provavelmente o Bruno Senna deve ser o único brasileiro na F-1 em 2013 – isso se as bobagens dele também não o fizerem perder a vaga.
Mais uma vez o Kimi Räikkönen fez uma bela corrida e terminou em 3º com a Lotus – e mostrando que o projeto do carro é muito bom, o companheiro Grosjean terminou em 4º. Estou curioso em relação à próxima corrida, que será em Monaco, pista na qual o Kimi anda muito bem. Não seria um absurdo imaginar 6 vencedores diferentes em 6 corridas...
Em 5º chegou ele, o mito Kamui Kobayashi. A ultrapassagem que ele fez no Button merece entrar para qualquer antologia da F-1, obra de gênio. Depois, quase fez o mesmo com o Rosberg, na mesma curva. Não deu certo, mas depois passou e despachou o Nico. Pilotou “com a faca nos dentes” o tempo todo. Como não me canso de escrever, esse dá gosto de assistir pilotando. O Peres dessa vez não brilhou, e tampouco terminou a prova.
Em seguida, chegou Vettel. Pouco inspirado, largou em 7º, foi punido por não diminuir a velocidade em zona de bandeira amarela, foi lá para trás, ser recuperou e terminou em 6º (viu, Massa??). A Red Bull ainda está tentando adaptar seu carro para as regras de 2012, e não está fácil a vida dos pilotos. Webber terminou 1 volta atrás do líder, em 11º lugar. Vida dura...
Nico Rosberg foi o 7º, em mais um fim de semana que a Mercedes foi melhor em ritmo de classificação que em ritmo de corrida. Seu companheiro Schumacher parece estar tendo problemas com avaliação de velocidade, zona de freada, tempo de reação, coisas que costumam piorar com a idade, e acertou a traseira do Bruno de uma forma bizarra, para ser modesto. Ví e reví o acidente, e não sei que trajetória o alemão queria fazer. Enfim, os comissários o consideraram culpado e o puniram com a perda de 5 posições no grid de largada de Monaco.
8º e 9º a dupla da McLaren, respectivamente Hamilton (que largou em último após ter sido punido por acabar a gasolina na volta de retorno aos boxes após a classificação) e Button. Button esteve irreconhecível em Barcelona, parecia que tinha recebido o mesmo caboclo que está de encosto no Massa. Por sua vez, com uma estratégia de uma parada para troca de pneus a menos que o padrão, Hamilton correu bem – embora tenha perdido tempo com o Massa, mas nem por isso ficou reclamando do tráfego como o Alonso.
Fechando a zona de pontuação o Nico Hülkemberg, com sua Force India. De pontinho em pontinho, a equipe vem mostrando seu crescimento. Seu companheiro, Di Resta, terminou em 14º, à frente do Miojinho.
Próxima corrida, 27 de maio, em Monaco. Nas ruas do Principado, uma boa posição de largada é fundamental, portanto o treino classificatório deve ser acompanhado com tanta atenção quanto a corrida em sí. Até a próxima!
Alexandre Bianchini
Um comentário:
Realmente, essa temporada tem sido bem mais interessante que as anteriores. Vale a pena acordar cedo e conferir, principalmente as corridas disputas em território europeu (melhores pistas = melhores corridas). Grande vitória do Maldonado. Na falta de um brasileiro na disputa esse é o cara. Legal ver a Williams ganhando uma corrida depois de tanto tempo. O maldosos dizem que o fogo nos boxes começou com uma garrafa de uísque degustada por alguns mecânicos, mas, eu não acredito. Pura maldade!
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