Olá leitores!
Após a bandeirada de chegada, achei sinceramente que valeu a pena ter acordado antes das 5 da manhã e ter aguardado quase 1 hora para a relargada da corrida após a bandeira vermelha provocada pela chuva torrencial. Valeu pois tivemos um espetáculo como há um bom tempo não víamos. A largada, com chuva fraca, foi OK. Tivemos os previsíveis toques de largada de Sepang – afinal, é uma reta razoavelmente longa com uma curva que parece um caracol no final, estranho sería se não se tocassem – mas estava tudo encaminhado para uma corrida previsível... até que o dilúvio veio. Veio e embaralhou completamente as cartas da corrida, que terminou com um resultado surpreendente.
Hoje a Itália celebra o talento de Dom Fernando Alonso de las Asturias, aquele que conseguiu levar o pior carro que a Ferrari construiu nos últimos 20 anos ao primeiro posto na corrida. Se aproveitando dos erros dos adversários, deixou-os para o companheiro de equipe cometer e pilotou impecavelmente para levar a F2012 a um inacreditável 1º lugar. Já o piloto de Fiorino Felipe Massa fez outra corrida pavorosa. 15º colocado, quase uma volta atrás do Alonso, é o tipo de resultado que apenas dá munição para a sensacionalista imprensa italiana que pede sua cabeça numa bandeja. A título de informação: a edição da última semana da revista italiana Autosprint, uma das 4 mais conceituadas do ramo automobilístico, deu na capa uma imagem pequena do Button comemorando a vitória na Austrália e uma foto grande (meia capa da revista) do Massa abandonando o carro em uma caixa de brita, citando que “apenas com Alonso pontuando a Ferrari já fica longe do título de construtores”, teve editorial cornetando o Felipe e uma enquete no site sobre qual deveria ser a atitude de Domenicali, confiar no Massa ou substituí-lo por outro – a propósito, na votação dos leitores venceu o Barrichello. Depois o Miojinho reclama da sorte. A equipe até entregou um outro chassí em relação ao que ele tinha usado na Austrália para essa corrida. Nos treinos classificatórios ele até que foi bem, se classificando 3 décimos de segundo atrás do Alonso, mas aí chega na corrida e ele faz aquela lambança toda.
Quem deixou a desejar também foi a McLaren. Depois de mais uma dobradinha na classificação (Hamilton e Button novamente qualificando em 1º e 2º lugares), largaram bem, se mantendo na frente até a bandeira vermelha. Após a relargada, com a pista secando, Hamilton foi para os boxes trocar os pneus de chuva forte para os intermediários, os mecânicos se atrapalharam com a troca, ele se atrapalhou na saída... e perdeu posições. Ainda conseguiu teminar em 3º, o que não deixa de ser positivo. Button foi pior: se enroscou com uma poderosa Hispania, o bico do carro do Karthikeyan furou o pneu do carro dele, teve de parar novamente, e aí adeus chances de vitória. Ficou atrás até do Rosberg, em 14º.
Nada disso tira as loas que merecem ser declamadas para o nome da corrida, o mexicano Sérgio Perez. Alonso fez o que fez, com um carro Ferrari, que mesmo mal projetado ainda é um Ferrari. Perez chegou a andar 1 segundo e 1 décimo mais rápido que Alonso por volta quando estava na perseguição ao espanhol com um carro da Sauber. Ele emendou cerca de 8 voltas mais rápidas da prova em sequência, e arrisco dizer que não ganhou a corrida pois o engenheiro dele, numa demonstração de falta de bom senso total, no momento em que Perez estava a menos de 1 segundo do Alonso, preparando o bote, entra no rádio e diz para ele tomar cuidado, que a posição dele era muito importante para a equipe. O jovem piloto mexicano deve ter se desconcentrado com a mensagem, pois algumas curvas após deu um passeio na área de escape, permitindo ao Alonso abrir cerca de 5 segundos. Depois disso, passou a andar apenas 4 ou 5 décimos de segundo mais rápido que a Ferrari, não sendo o suficiente para voltar a ameaçar a liderança. O mito Kobayashi sofreu com problemas nos freios e com uma estratégia menos feliz e acabou abandonando a prova.
A Red Bull se salvou com o 4º lugar do Webber, já que Vettel esteve apagadíssimo, irreconhecível, teminando num pífio 11º posto. Os projetistas devem estar debruçados sobre seus computadores tentando corrigir os problemas de aderência.
Em 5º terminou o glorioso Kimi Räikkönen, com esse carro da Lotus que parece ter um bom ritmo de corrida. Tanto que a volta mais rápida da corrida foi do Finlandês Voador. Não tenho muita certeza que a equipe esteja sentindo falta do Kubica... O Grosjean ficou no caminho ainda na 4ª volta, como consequência de um toque com Schumacher.
Em 6º, fazendo uma corridaça, chegou Bruno Senna, que hoje sozinho marcou mais pontos que a Williams na temporada 2011 inteira. Corrida inteligente, se mantendo longe de confusões e ao mesmo tempo tirando o que podia do equipamento. Precisa com certeza melhorar nas classificações, mas está no caminho certo. Maldonado chegaria em 10º, mas o motor quebrou na penúltima volta, seria interessante ver a equipe Williams voltar a pontuar com os dois carros.
Quem decepcionou foi a Mercedes. Mesmo problema do ano passado: carro bom de volta lançada, mas com ritmo de corrida deficiente. Schummy conseguiu um 10º lugar com o abandono de Maldonado, e o Nico Rosberg (não o Keke, como o senil Galvão Bueno chamou no meio da transmissão) foi apenas 13º, disputando posição com o Button.
Nos pontos ainda devemos destacar o estreante Vergne com a Toro Rosso em 8º e o Hülkemberg com Force India em 9º.
Próxima corrida ainda será com um fuso horário menos favorável para nós, o GP da China no dia 15 de abril. Mais uma corrida na madrugada (4 horas), para os insones de plantão.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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