Olá leitores!
E chegamos ao final da
temporada. Já que o campeonato estava com o título decidido, São Pedro resolveu
que daria sua contribuição para o espetáculo: o único momento em que os pilotos
andaram com os pneus de pista seca foi justamente na corrida, pois em todos os
treinos a chuva foi uma presença constante, chuva essa que na hora da corrida
se resumiu a uma garoa fina o suficiente para não molhar a pista de uma maneira
que requeresse os pneus intermediários (para chuva fraca). E se não foi uma
corrida com grandes emoções do início ao final, foi melhor que a grande maioria
das corridas feitas nas pistas novas (os “Tilkódromos”), comprovando a tese da
jornalista Alessandra Alves (Rádio Bandeirantes) segundo a qual “pista velha é
que faz corrida boa”.
Em 1º lugar, pela 13ª vez
essa temporada (igualando recorde de Michael Schumacher em 2004) e pela 9ª vez
consecutiva (igualando recorde de Alberto Ascari nas temporadas de 1952 e 1953)
chegou Vettel. Só não esteve na liderança durante a maior parte da 1ª volta, já
que Rosberg fez uma largada primorosa, assumiu a liderança e se manteve nela
até a subida para os boxes. Contudo, antes de completar a volta Vettel já
reassumiu a liderança e não a largou mais. A fase da equipe está tão boa que
nem mesmo o erro no segundo pit stop (não levaram para a frente dos boxes o
pneu dianteiro direito para a troca e tiveram que ir buscar lá dentro) abalou a
supremacia dele na corrida. Como é a última corrida com o atual regulamento
(ano que vem muda muita coisa, começando por motor), durante a comemoração
avisou a equipe para aproveitar o momento especial que estão vivendo. Seu
companheiro Webber (2º) não largou bem, como de costume, completou a 1ª volta
em 5º, foi passando Rosberg, Hamilton e batalhou um bocado com Alonso pela
posição na segunda metade da corrida. O melhor foi a comemoração: como foi a
última corrida dele na categoria, após receber a bandeirada, enquanto os
olhares estavam para o vencedor, ele retirou o capacete para fazer a volta de
retorno aos boxes de rosto ao vento. Já que os coxinhas da FIA não iriam mesmo
conseguir dar uma punição para ele cumprir na próxima corrida... aproveitou.
Que tenha boa sorte em sua nova empreitada (o WEC, mundial de corridas de
endurance, onde correrá pela Porsche).
Em 3º chegou o Alonso, em
mais uma grande apresentação. Analisando friamente, largar em 3º e terminar na
mesma posição não parece grande coisa, mas não mostra todas as batalhas por
posição que aconteceram durante a corrida. E o espanhol teve boas disputas
contra Hamilton, Rosberg e Webber, principalmente contra o australiano. Acho
que teve motivos para sair contente do carro. Seu companheiro Massa (7º), em
sua corrida de despedida da Ferrari, largou muito bem (passou de 9º para 6º na
primeiras curvas) e já estava em 4º, contendo os ataques do Hamilton quando
cometeu o maior pecado da F-1 moderna: cruzou com as 4 rodas a linha de entrada
dos boxes, ou no linguajar técnico da FIA “desrespeitou os limites da pista”.
Como nos dias de hoje fogueiras são politicamente incorretas para punir os
pecadores, ele recebeu um drive-through devido a esse pecado mortal e voltou lá
atrás. Ainda conseguiu recuperar algumas posições, mas aí passou a andar num
ritmo mais lento que os pilotos à frente (e, diga-se de passagem, um ritmo mais
lento que o dele mesmo antes da punição)... fica difícil defender um piloto
quando ele não consegue manter o mesmo ritmo durante a corrida inteira. Entendo
e compartilho da ira dele, mas não é assim que se reverte uma punição que se
considera injusta.
Em 4º ficou o Button,
naquela que talvez tenha sido a melhor apresentação da McLaren nesse ano. Desde
1980, a
equipe não ficava a temporada inteira sem ter um piloto subindo ao pódio.
Button é um piloto que “cresce” nessas condições de tempo instável, e não
duvido que a boa apresentação tenha a ver com o clima. Seu companheiro Pérez
(6º), em sua última corrida pela equipe, fez uma senhora apresentação: largou
lá atrás (classificou em 14º, mas teve de trocar o câmbio e perdeu 5 posições na
largada) e veio crescendo de posicionamento com o desenrolar da corrida.
Acredito que foi demitido da equipe por causa disso: faz uma corrida muito boa,
depois faz uma grande sequência ruim, aí desencanta em outra prova... com os
dólares da Telmex no bolso, não deve ser muito difícil arrumar uma equipe para
o ano que vem.
Em 5º chegou Rosberg. Esteve
entre os 3 primeiros durante todos os treinos com chuva, aí na corrida largou
muito bem mas começou a ter problemas com os pneus e caiu de rendimento. Mesmo
assim estava contente ao final da corrida, por ter ajudado a equipe a ser a
vice campeã no Campeonato de Construtores. Bom para ele. Seu companheiro
Hamilton (9º) vinha em 4º lugar até a volta 47, quando na Reta Oposta ele veio
para o meio da pista, o (retardatário, diga-se de passagem) Bottas achou que
dava para ultrapassar por fora, o inglês não o viu do lado de fora, e se
movimentou para fazer a curva normalmente... se tocaram, a roda do Bottas
quebrou, o pneu dele furou, teve que ir aos boxes trocar o pneu e ainda levou
um drive-through por ter causado um acidente. Com isso tudo, não foi uma má
posição de chegada.
Em 8º terminou o Hülkemberg,
que não fez uma apresentação brilhante mas sim o que os pneus deixaram. Porém,
esse 8º lugar garantiu a ele o 10º lugar no Campeonato de Pilotos, o que é
muito bom levando em conta a decadência da equipe na qual ele está. Espero que
encontre um carro decente para correr ano que vem, pois carros “descentes” ele
já teve o suficiente. Seu companheiro Gutiérrez terminou apenas em 12º.
Fechando a zona de
pontuação, chegou o substituto do Webber, Ricciardo. Reclamou muito das
condições da pista e dos pneus dianteiros que não aqueciam o suficiente, então
nessas condições não foi um resultado de todo ruim para sua corrida de
despedida da Toro Rosso. Seu companheiro Vergne, por exemplo, chegou apenas em
15º, após se enroscar com o Maldonado (sempre ele...) no Esse do Senna.
Próxima corrida, na
madrugada de 16 de março, no belo Alberta Park em Melbourne, Austrália. Ano
novo, regulamento novo, e eu espero que com diversas equipes disputando as
primeiras posições.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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