Mais uma rodada do Campeonato Paulista, e uma quarta-feira em que o expectador teve a
chance de escolher qual jogo assistir na TV aberta – algo que se tornou raro
– entre Bolívar x São Paulo e Ituano x
Santos. Como sou informante do Peixe e o assunto aqui é o estadual, vamos ao comentário desta partida:
Pra começar, mais uma vez o hino nacional cantado ao vivo,
por estas novas duplas sertanejas. Como é algo totalmente fora de contexto,
fiquei zapeando até a bola começar a rolar de fato.
Bola rolando e bom público no Novelli Júnior, com
predominância de santistas. Mas mesmo assim o Ituano fez prevalecer o fator de
estar jogando em casa e deu muito trabalho. Marcinho Guerreiro (aquele mesmo) a
principal referência da equipe; mas quem deu mesmo trabalho para a defesa
santista foi o voluntarioso Marcão, com saúde de sobra. Incomodou mais que
André e Miralles, que atuaram juntos.
Interessante que mesmo com três atacantes (André, Miralles
e Neymar) a equipe estava menos ofensiva que os jogos anteriores. Com as
ausências de Renê Júnior e Arouca, e com apenas dois volantes (Adriano e
Cícero), o Santos perdeu em marcação e criatividade. Não pelo Cícero, que tem
sido um dos jogadores mais eficientes e foi o responsável pela vitória
alvinegra neste jogo, autor do único gol da partida.
Ruim também foi a atuação dos laterais: Guilherme Santos e
Bruno Peres. Atabalhoados, corriam muito e pensavam pouco. Bruno Peres é bom
ofensivamente, mas foi falho na cobertura, tal como Guilherme Santos. Ainda
precisam melhorar.
Outro que sabemos que tem qualidade mas que ainda está
devendo uma atuação mais convincente é o meia Montillo. Falta também um entendimento dele
com Neymar e vice-versa. Não vi uma tabela entre os dois, que tentavam jogadas
individuais sem sucesso. Falta ainda conjunto para a equipe.
Neymar também abusou do individualismo sem muito sucesso.
Apenas uma jogada em que quase fez um golaço por cobertura: o goleiro defendeu
com a ponta dos dedos, e a bola bateu no travessão. Não à toa que é o melhor
jogador das Américas pela segunda vez consecutiva. O craque santista quase
entrou em conflito com o técnico do Ituano Roberto Fonseca, que tentou apitar o
jogo principalmente no primeiro tempo. Só dava o “seo” Fonseca no microfone da
Bandeirantes. O craque santista tem que parar de se preocupar com o que ocorre fora da linha que divide o gramado.
Se o meio de campo com exceção de Cícero, as laterais, e o
ataque não foram bem, o destaque ficou para o novato zagueiro Jubal, recém-
promovido, campeão da Taça São Paulo. Não sentiu a partida, e até parecia um
veterano, procurando sair jogando ao invés de chutões. Mais uma boa revelação
para o Peixe, que costuma revelar mais jogadores de frente.
Síntese da partida: jogo movimentado mas fraco tecnicamente,
com muitas interrupções por faltas, o que chega a ser um pouco irritante.
Bonito mesmo é ver a bola rolando. Apesar disso, nota 6,5 pra partida.
Domingo o primeiro clássico do campeonato contra o São
Paulo, o tradicional “San-São” e o primeiro bom teste para ambas equipes. Paulo
Henrique Ganso jogando pela primeira vez contra sua ex-equipe, que ainda não apresentou o futebol de sua ex-equipe. O mesmo não vale para Cícero, melhor jogador
da equipe santista nas duas últimas partidas. Expectativa para um bom jogo.
2 comentários:
Vi um pedaço do Santos e Bragantino, onde o time santista jogou para o gasto para um honroso empate. Apesar de mais qualificado do que o ano passado, continuo achando que o Neymar ofusca o futebol dos outros jogadores. É um belo tema, não? Um craque pode fazer um jogador mediano jogar menos ou deveria fazê-lo jogar mais?
Questão difícil... Um "tal" Telê Santana fazia jogadores considerados medianos gastar a bola. Um pouco de psicologia, um pouco de linguagem de boleiro. Talvez um time ganhe mais confiança quando se tem um jogador diferenciado, só que perde um pouco a identidade quando este não joga. Acredito que vai muito da personalidade do jogador; e nos dias atuais, são poucos jogadores que tem personalidade.
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