Olá leitores!
São Pedro deu mais uma demonstração de seu humor tipicamente
britânico: após uma sexta feira e um sábado com chuva (exceto o treino livre na
manhã de sábado, onde apareceu um sol tímido) a corrida foi completamente seca.
Como os treinos tinham sido com chuva, as equipes estavam livres para escolher
os pneus que quisessem para a largada. E quem se deu melhor nessas condições
foi a Red Bull do Mark Webber, que largou em 2º lugar, soube manter a posição
pacientemente e no final tinha pneus mais rápidos que o pole position Fernando
Alonso. Venceu seu 2º GP da Inglaterra com merecimento.
Não fosse o gigantesco talento de Alonso, Webber teria
largado na pole, pois treinou muito bem na chuva de sábado. Na largada foi
fechado pelo Alonso (que praticamente largou na diagonal), se manteve em
segundo, e soube aproveitar que os pneus duros eram mais rápidos em Silverstone
que os macios para nas voltas finais se aproximar do espanhol e o ultrapassar -
mesmo com uma relação de marchas "curta", que fazia o motor chegar no
limite de giros antes do final da reta, cortando o crescimento da velocidade
máxima do carro. Em 3º lugar veio o seu companheiro, o atual bicampeão Vettel,
que não largou muito bem e passou algumas voltas no início tentando se
recuperar da largada pouco feliz - o que fez graças à estratégia da Red Bull de
antecipar o pit stop, fazendo com que ele voltasse com pneus novos com pouco
tráfego à frente, sendo veloz o suficiente para ultrapassar Massa e Schumacher
após a primeira rodada de troca de pneus deles. Não teve, contudo, ritmo de
corrida para acompanhar Webber e Alonso, pelo que o pódio ficou de ótimo
tamanho.
Em 2º lugar chegou Alonso, que deve ter terminado a prova
decepcionado. Após o desempenho muito acima da média no treino classificatório
esperava-se que ele fizesse uma corrida de acordo. Ao contrário da maioria dos
pilotos, que escolheu utilizar os pneus da maneira tradicional
(macios-duros-duros), ele preferiu inverter a ordem, deixando os pneus macios
para o fim da prova, quando o carro está mais leve. Na teoria, o correto a
fazer. Na prática não funcionou bem, pois os pneus duros estavam mais rápidos
que os macios, e no momento crucial da corrida ele estava rodando de meio a 1
segundo mais lento que o Webber. A vantagem é que ele perdeu pontos para o
Webber, mas ampliou sua vantagem em relação aos outros concorrentes nas
primeiras posições da tabela, o que deve ter feito o espanhol sair menos
aborrecido com o 2º lugar. Seu companheiro Massa, 4º colocado, surpreendentemente
fez uma boa corrida, com belas disputas contra Schumacher e Vettel, e no final
da prova resistiu bravamente aos ataques do Räikkönen. Chegou a lembrar o Massa
de antes da molada na cabeça. Esperemos que no resto do ano ele se comporte assim
também.
Em 5º veio o Kimi Räikkönen, que não teve uma largada
excepcional (largou em 6º) mas no final da corrida estava muito rápido. Tivesse
sido mais rápido no meio da corrida, até poderia ter brigado pelo 3º lugar com
o Vettel. Está voltando à forma dos tempos de McLaren, e até o fim do ano creio
que pode ter chance de vencer alguma corrida. Em 6º veio seu companheiro,
Grosjean, que tinha largado apenas em 9º, se envolveu com toques no início da
corrida, teve que ir prematuramente aos boxes para trocar o bico do carro, mas
sozinho na pista começou a emendar uma volta mais rápida na outra.
Aparentemente se divertiu bastante ultrapassando os carros de 22º até terminar
em 6º, pois as entrevistas no final da corrida mostravam sua satisfação com o
resultado.
Em 7º veio o Schumacher. Com tempo frio o carro da Mercedes
anda maravilhosamente, mas conforme o asfalto esquenta o desempenho do carro
cai, e a 3ª posição na largada se converteu naquilo que o próprio alemão
definiu como "o melhor que poderia almejar", uma colocação atrás dos
carros da Red Bull, Ferrari e Lotus. Seu companheiro Rosberg brigou com o carro
e a pista uma boa parte da corrida e terminou em 15º. O pai dele (o campeão de
1982 Keke Rosberg) deve ter feito a festa do dono do bar mais próximo...
Em 8º chegou Hamilton, que muitos apontavam como sério
candidato à vitória caso chovesse... mas com tempo seco o carro não colaborou.
Até chegou a liderar a corrida, já que foi outro que apostou numa estratégia de
utilização de pneus diferente para o começo da corrida, mas conforme as voltas
passavam o rendimento caiu e sobrou a decepção de um desempenho ruim perante a
torcida que lotou o autódromo para o ver correr. Seu companheiro Button, 10º
colocado, foi outro que ficou decepcionado pelo mau resultado no "GP de
casa", e reclamou muito do carro no fim da prova. As coisas não andam bem
para os lados de Woking (cidade onde a equipe tem sua sede)...
Em 9º lugar terminou o Bruno Senna, após algumas corridas
fora da zona dos pontos. Ele nem andou tão lento, mas admitiu que o resultado
poderia ser melhor se tivesse largado mais à frente, e efetivamente a
classificação vêm sendo um ponto fraco da temporada dele. Se ele quiser
continuar na equipe ano que vem, seria interessante começar a melhorar seus
resultados. Sua situação na equipe só não está pior porque o companheiro dele é
o Maldonado, que alguns alcunham de "Maldanado", dado à sua tendência
de fazer algo genial em uma prova e algo absolutamente idiota na prova
seguinte. Depois de jogar o Hamilton na barreira de pneus na corrida passada,
dessa vez ele quis ultrapassar o Perez com os pneus frios, perdeu o controle do
carro, e simplesmente se apoiou no mexicano para fazer a curva, arremessando-o
para a caixa de brita. Perez saiu do carro soltando todos os palavrões que
conhecia, e ao chegar nos boxes chamou o Maldonado de "imbecil" e
"piloto perigoso" para baixo. A trajetória do Maldonado me lembra a
do italiano Andrea de Cesaris, famigerado destruidor de carros que se manteve
por longo tempo na F-1 devido ao fato que o pai era o representante da Phillip
Morris (leia-se Marlboro) na Itália, e sempre tinha uma vaga para comprar em
alguma equipe. Maldonado é muito rápido, sem dúvida, mas sua tendência a fazer
bobagens começa a se sobrepor à imagem de piloto rápido.
Próxima corrida, dia 22/07, GP da Alemanha em Hockenheim,
tradicional traçado inaugurado antes da 2ª Guerra Mundial que foi brutalmente
assassinado e esquartejado pelo Hermann Tilke. Ainda assim, é uma corrida que
merece ser vista.
Até a próxima!!
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