domingo, 29 de julho de 2012

Pé no Fundo na Hungria


Olá leitores!

Lembram do mote "autódromo bom produz corrida boa"? Pois é. Hungaroring, autódromo construído no ocaso da Cortina de Ferro, sem dúvida a pior pista construída na era pré Hermann Tilke, produziu a pior corrida do ano. Nem as "mágicas" do regulamento atual (asa móvel e KERS) conseguiram fazer a prova interessante. OK, sempre se pode argumentar que um fim de semana com corrida é melhor que um fim de semana sem corrida, mas isso não torna a corrida mais atraente. Quanto mais corridas se vê em Hungaroring, mais monumental fica a ultrapassagem que o Piquet fez sobre o Senna em 1986 nessa pista. E mais monumental fica a vitória do Mansell na mesma pista em 1989, largando lá da 12ª posição e ultrapassando (!!!) nesse kartódromo supercrescido.
Hamilton largou na 1ª posição, fez a primeira curva na frente e lá permaneceu até a bandeirada. Teve sabedoria de suportar bem a pressão do Grosjean na primeira parte da corrida, e no final conseguiu manter o Räikkönen a uma distância que impedia tentativas de ultrapassagem mais efetivas. Ganhou e mereceu. Seu companheiro Button disputava a 3ª posição com o Kimi, até que a equipe resolveu mudar a estratégia... e o tal do "plano B" da equipe se revelou uma Bela porcaria, pois as tais 3 paradas apenas serviram para jogar o inglês de volta À pista no meio do tráfego - isso numa pista em que a ultrapassagem sempre foi um problema. Terminou em 6º, bravo com a equipe. E com todos os motivos.
Em 2º veio o Räikkönen, que se não foi tão brilhante quanto o companheiro de equipe na classificação, foi ótimo na corrida. No final da prova pressionou consideravelmente o Hamilton, mas o "brilhante" e "bem projetado" traçado não propiciou uma chance real de ultrapassagem. Em outra pista, teria jantado a McLaren com batatas (e vodka) e aberto boa vantagem. Enfim... Seu companheiro Grosjean terminou em 3º (confirmando o bom acerto da equipe Lotus para esse circuito), após ter andado no começo da corrida em 2º e perdido a posição para o Kimi num dos pouquíssimos momentos da prova que renderam alguma emoção: na saída do Räikkönen do 1º pit stop, ele vinha já com pneus aquecidos e mais rápido, quando os dois carros da equipe Lotus chegaram emparelhados na freada da Curva 1. Na dividida de posição, o finlandês levou a melhor sobre o francês e assim foram até o final.
Em 4º veio Vettel. O alemão sofreu no início da corrida com o Button segurando ele atrás - afinal, ultrapassar nessa pista é quase uma odisséia - e apelou para uma estratégia de 3 paradas para ver se algo interessante acontecia. Quase aconteceu, pois no final da prova, com pneus em melhor estado, era nitidamente mais rápido que o Grosjean. Mas também não adianta ficar reclamando no rádio com o engenheiro que está mais rápido que o carro da frente e não partir para cima e ultrapassar. O fato de não ter mais nas mãos o carro dominante está fazendo ele ficar com muito mimimi. Seu companheiro Webber mais uma vez terminou em 8º, e mais uma vez arrumou alguma desculpa para o desempenho abaixo do esperado - dessa vez foi a estratégia de 3 paradas, a mesma que funcionou com o Vettel. Tem piloto que depois que renova o contrato para o ano seguinte resolve correr de pijama.
Em 5º veio o Alonso. Largou em 6º, ganhou uma posição na largada e lá se manteve. Correu pensando no campeonato, já que o carro da Ferrari e a pista não se entenderam. A prova dele foi tão conservadora, mas tão conservadora, que cruzou a linha de chegada apenas 11 segundos e meio à frente do companheiro de equipe, Massa, 9º colocado, que teve um dia (mais uma vez) para ser esquecido. O Miojinho largou em 7º, perdeu 2 posições na largada e depois ficou aguardando que alguma coisa acontecesse à sua frente para recuperar alguma posição. Tudo bem, a pista não favorece a ultrapassagem, mas nem ao menos tentar ele tentou. Prevejo que ano que vem teremos outro piloto com experiência internacional disputando o Campeonato Brasileiro de Stock Car... afinal, ficarei efetivamente surpreso se a Ferrari renovar o contrato com ele.
Em 7º veio o Bruno Senna. Esse sim mostrou a que veio, ajudado pelo bom desempenho da Williams com tempo quente. Pela primeira vez largou entre os 10 primeiros, andou forte a corrida toda, não cometeu erros quando pressionado pelo Button nem pelo Webber, que tinham carros mais rápidos que o dele... a tendência é que melhore o desempenho após as férias de verão da categoria, pois são pistas que ele já conhece por ter andado nelas com a Lotus no ano passado. Seu companheiro Maldonado, 13º colocado, aprontou outra vez: como não conseguia ultrapassar o Di Resta na disputa pela 12ª posição, acertou o escocês a meia náu e (pela 6ª vez no ano) foi punido. Dessa vez foi um drive-through. Parece-me que uma parte razoável dos milhões que o Chavez investe no garoto vão para a reposição de peças que ele quebra. Eu diria que tem uma chance razoável de receber a Comenda Andrea de Cesaris de piloto destruidor de carros.
Em 10º veio Nico Rosberg. Não foi um mau resultado considerando o asfalto acima dos 40°C de temperatura (os carros da Mercedes sofrem com o calor) e a largada em 13º lugar. O papelão ficou por conta do companheiro Schumacher, que quando o diretor de prova errou o botão e acendeu as luzes amarelas do semáforo ao invés das vermelhas deixou morrer o motor do carro, provocando o cancelamento daquela largada e obrigando a mais uma volta de apresentação (por isso a corrida teve 69 voltas ao invés de 70). Aí o carro foi recolhido aos boxes e ele teve de largar de lá. Voltou rápido para os boxes, com um pneu furado (furou o pneu andando sozinho, diga-se de passagem), mas aí ultrapassou o limite de velocidade do pit lane e teve de cumprir um drive-through. No final, alegando superaquecimento do motor, recolheu o carro aos boxes, após passar boa parte da corrida andando sozinho naquela pista chata.
Próxima corrida, 2 de setembro, no maravilhoso circuito de Spa-Francorchamps (mais próximo da cidade de Francorchamps, na verdade), no meio da bela floresta das Ardenas, território favorito dos alemães para invadir a França (na 1ª e 2ª Guerras Mundiais), e onde não tem corrida chata. Até a próxima!

Alexandre Bianchini

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