Outro dia estava
assistindo ao programa Juca Entrevista da ESPN Brasil, com a
participação do Fernando Meligeni. Ex-tenista brasileiro, nascido
na Argentina, são paulino, esportista politizado e articulado. Coisa
rara nos dias atuais. Lá pelas tantas, o Meligeni diz que, na sua
época de atleta, nos Jogos Olímpicos, torcia contra a seleção de
futebol do Brasil. Quase caí de costas. "Como é que é, seu
argentino safado?" Apresso-me, num rompante nacionalista bobo.
O nobre esportista
explica na sequência. Não apenas ele, mas, a maioria dos atletas
brasileiros torce contra a seleção nos Jogos Olímpicos. E,
pensando bem, tirando o ufanismo de lado, faz todo o sentido do
mundo. O ouro olímpico do futebol impediria que todo e qualquer
esporte aparecesse na mídia, justamente na época que os esportes
ditos amadores mais precisam capitalizar a exposição das olimpíadas.
Se o futebol ganha, ninguém vai nem se importar com vôlei, com o basquete, a natação,
a ginástica. Todos os holofotes estarão voltados para um esporte
que já recebe apoio e dinheiro público e privado, espaço nos meios
de comunicação e incentivo popular. O que restaria aos outros
esportes? A indiferença. Por que jornal vai dar espaço para um
cara que treina seis horas por dia, trabalha outras oito horas e
ainda faz um bico no final de semana se ele pode publicar um caderno
de dez páginas sobre a seleção do Mano Menezes? E por aí vai.
Por mais maquiavélico
que possa ser o Meligeni tem razão. E lembro aqui de inúmeras
situações nas quais já torci, despudoradamente, contra a seleção
brasileira. Os motivos são vários, sendo um mais torpe que o outro,
e que vão desde a convocação desse ou daquele perna de pau, o
esquema tático, o modelo da camisa ou uma aposta selada em alguma
espelunca (Santo Zidane te devo várias). A torcida contra ou a favor
é livre. É futebol, não tem essa de patriotismo. Ganhando ou
perdendo a seleção já rende ao menos uma conversa animada na hora
do café.
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