quinta-feira, 15 de março de 2012

O negócio e o esporte: a eficiência dos negócios mira os vencedores

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(Desculpe-me, Alexandre Bianchini, mas tive que pegar emprestado o seu tema preferido aqui no Patativa da Bola. E muito mais além, acabei sendo "convidado especial" da Coluna PÉ NO FUNDO. Prometo que farei isso apenas mais algumas vezes).

Mais uma etapa de Fórmula 1. Confesso que fiquei ausente da competição nos últimos anos. Pudera. Para espectadores que assistem a competição uma hora ou outra, o jogo de cartas marcadas é fator primordial para o desinteresse. E não há nada de sujeira nessas cartas, mas uma questão de superioridade financeira, técnica e de habilidade. Vettel é favorito, como foi desde a primeira etapa do ano passado. E isso é desesperador para quem assiste como para quem investe.

De olho na questão do efeito Schumacher – os organizadores já inventaram uma porção de reverso na regra; em meio a disputa ou não; e como algumas supostas idéias absurdas como “molhar a pista” nos treinos ou na hora da corrida. Por enquanto, apenas passou pelo crivo da entidade algumas pequenas alterações que estão diretamente com a o desempenho dos carros e coisas do gênero. Uma falácia que serve apenas para poucos entendedores. Diminuir a eficiência do difusor e remapeamento dos motores são palavras gregas para o sujeito que acorda no domingo de manhã esperando apenas o momento da macarronada.

No geral eu quero saber apenas uma coisa (e creio que as maiorias dos que vêem a corrida tem a mesma sensação): vai ter ultrapassagem? Só um piloto ganha? O primeiro do podium é o cara que ganha mais pontos no campeonato? O cara pode ser campeão com essa “retranca futebolística” do “somar pontos”? Essas perguntas básicas de quem se desinteressa fácil pela competição onde parece não haver qualquer “competição”.

E no meio de tudo isso, ainda sim estou otimista. Otimista por causa do negócio, do business. O dinheiro tem um concorrente, que sempre ronda os telespectadores, os não fanáticos pelas escuderias milenares da Fórmula Um. A Fórmula da corrida americana, que tinha colocado um pé no Brasil e que parece querer abraçar o mundo: Indy. E nesse giro e briga pela audiência (e não apenas televisiva), os americanos decidem levar um sujeito carismático para suas asas: Rubinho. Rubinho na Indy é a última chance daqueles que gostam do Rubinho, acreditando que, enfim ele pode ser um campeão mundial.

A contrapartida verde-amarela ainda é um nome, mas também uma esperança. Não conheço suficiente automobilismo (e creio que até quem conheça não possa opinar), mas Bruno Senna é o futuro. Pode ser que esse futuro dure pouco, mas ainda assim é uma tentativa de resgatar o ufanismo brasileiro. Gritaremos a primeira vitória do piloto ouvindo aquela música nacionalmente conhecida? Relembraremos um dos nossos maiores ídolos quando ouvirmos uma entrevista do seu sobrinho? O que queremos afinal do piloto brasileiro para esse ano?

Queremos vencer novamente.

E mais do que isso, todos querem que a Fórmula Um repita a disputa. Arqui-rivais em campo e fora dele. Gana, arrojo e a “faca nos dentes”. Temos pilotos com essa vontade? Creio que sim. Mas de Bruno Senna podemos esperar que ele faça o melhor do que o possível? Vibraremos com Hamilton, Button e Alonso? Massa vai se jogar no abismo nessa sua última chance pela Ferrari? Ou manteremos essa distância disputa entre o pelotão do único carro na frente e a briga dos melhores piores nos pelotões de baixo?

Todos querem uma Fórmula Um diferente esse ano, mas diferente dos torcedores, dos investidores e da entidade responsável pela competição; a maioria das pessoas apenas se queixa por ter que mudar de canal, e nada mais.
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