Há exatos 100 anos era inaugurado o campo do Santos Futebol Clube. Ainda não se chamava “Urbano Caldeira”, até
porque este ainda estava cuidando da papelada e regularização do terreno junto à
prefeitura. Também não era conhecida
como “Vila Belmiro”, embora o Sr.”Belmiro”, já havia vendido seus lotes e muito
provavelmente o bairro já deveria ter esta denominação na época. Arquibancadas de madeira, um coreto, seguia o padrão dos "estádios" ou campos do começo do século XX.
Com o passar dos anos, o estádio
do Santos Football-Club, foi ganhando notoriedade, e os times da capital, após a
descida da tortuosa Serra do Mar pela estrada
antiga, penavam para conseguir um bom resultado no litoral. (Lembrando
que na época do amadorismo, o Santos era o único “intruso” da Liga Paulista,
sendo composta basicamente pelos times da capital). O Club Athletic Ypiranga, time
operário e das massas, foi a primeira vítima, perdendo por 2x1 no jogo de inauguração do estádio. Já entre os anos de 1929 e 1930, o clube alvinegro emendou a maior sequência invicta
da sua história, mais de 30 partidas sem perder. Parte do lendário escrete de 1927 fez parte desta campanha, o
primeiro a romper a barreira dos 100 gols em competições oficiais por aqui, só
não foi campeão por alguns “probleminhas” com arbitragem e sua relação com os
influentes dirigentes paulistanos.
Óbvio que a Vila tem participação
nisso, na manutenção e no próprio crescimento do clube. Aliás, não lembro de
algum outro time fazer festa para seu estádio, como ocorrera no último dia 08, no amistoso contra o Benfica. Não estou falando das arenas
modernas, que acabaram se tornando símbolo da grandeza de certos clubes, mas
fazer festa para um estádio antigo e pequeno, é coisa que talvez só o santista entenda.
Muito já se comentou que um clube
do tamanho do Santos não pode ficar com um estádio tão acanhado, que hoje comporta
12 ou 15 mil pagantes. Concordo, pois o
futebol se capitalizou muito, e antigamente, se ter um estádio já era sinal de
lucro para um time, hoje pode ocorrer o contrário.
Mas para o santista a Vila não
pode ser esquecida do dia para noite, mesmo se amanhã aparecer uma arena
moderníssima com um enorme peixe dourado na frente do estádio, telões modernos,
aço, mármore, ou cadeiras forradas de veludo. A
Vila tem muito mais do que isso. É uma história que se funde com a do próprio
clube, da cidade de Santos e do futebol paulista e brasileiro, sendo também o estádio mais antigo em atividade no Brasil.
Créditos (fotos):
Foto 1: Vila Belmiro, tarde de 12 de outubro de 1916.
Foto 2: Vila Belmiro, manhã de 12 de outubro de 2016.


Nenhum comentário:
Postar um comentário