Olá leitores!
Infelizmente, norte americano não tem muita sorte com F-1.
Na época de Watkins Glen, algumas das mortes mais cabeludas da F-1 aconteceram
em território norte-americano. Em 2005, justamente quando o público
norte-americano estava se acostumando com aquele (para eles) exótico mundo da
F-1, aconteceu aquele problema com os pneus levados pela Michelin para a
corrida no circuito misto criado dentro do lendário oval de Indianapolis, que
não suportavam por mais de 10 voltas as forças laterais produzidas na velocíssima
curva antes da reta principal, a última do misto mas a primeira do oval, usada
em sentido contrário, quando todos os carros com pneus Michelin abandonaram a
prova e apenas 6 carros disputaram a corrida. Isso matou o interesse dos
ianques pela categoria. OK, Titio Bernie é insistente, e convenceu a criarem no
Texas um circuito maravilhoso, talvez a melhor obra de Tilke, o Maldito, esse
ano não choveu (ano passado passou um furacão perto e a água que caiu não foi
pouca), mas a corrida não pôde exatamente ser chamada de “empolgante”. Não foi
chata, em absoluto, mas... podia ter sido melhor. Numa pista daquelas, se
espera uma partida de truco, não de xadrez. Enfim...
Vitória de Lewis Hamilton, 50ª de sua carreira, auxiliado
nas estatísticas certamente pelo grande número de corridas disputadas na
atualidade. Fez uma volta maravilhosa na classificação, largou na frente e lá
permaneceu sem ser ameaçado. Simples. Seu companheiro Nico Rosberg (2º) fez o
necessário para se manter com a mão na taça, auxiliado pelo safety-car virtual
(invençãozinha do inferno, diga-se de passagem...) que facilitou seu trabalho
de passar o Ricciardo, que fez uma grande largada com seu Red Bull. Enfim, a
princípio não devemos ter decisão antecipada do título, mas não tivemos emoção
também...
Em 3º chegou Daniel Ricciardo, que fez mais uma apresentação
de alto nível nesse domingo. Se não fosse o maledetto do safety-car virtual
provocado pelo seu companheiro de equipe, que parou o carro em um lugar que
requereu a intervenção de um guindaste para o tirar do caminho, e muito
provavelmente ele teria chegado em segundo, pois o Rosberg estava tentando se
aproximar e não conseguia. Uma pena. Seu companheiro Max Verstappen vinha em 6º
lugar, após uma desastrada troca de pneus em que ele entrou nos boxes sem
avisar a equipe e sem ter sido chamado (ele disse que achou que eles tinham
pedido para ele entrar, coitado, tão novo e já ouvindo vozes na cabeça...),
quando ocorreu uma quebra, pelo barulho provavelmente de câmbio.
Em 4º chegou Sebastian Vettel, mesmo em um dia tecnicamente
desastroso para a Ferrari. Ele mesmo teve um pouco de sorte, pois dois carros
que normalmente estariam à frente dele (Max e Kimi) abandonaram, então a
posição está de bom tamanho. O difícil é o repórter que está cobrindo a corrida
ter que fazer cara de paisagem quando ele disse que “o safety-car atrapalhou a
tentativa dele chegar ao pódio”... como, se ele no máximo acompanhava o ritmo
das Red Bull, sem conseguir se aproximar?? Difícil... Seu companheiro Kimi
Räikkönen teve de abandonar depois do elemento pernicioso que opera aquela
porcaria de “semáforo de partida” da Ferrari soltar o piloto enquanto o
mecânico ainda prendia a porca da roda traseira direita. Eu acho o famoso “pirulito”
mais eficiente e mais barato, mas o pessoal tem que inventar... a Ferrari está
próxima de voltar àquela fase tenebrosa de 1992, só falta fazer um chassi que
na teoria é maravilhoso e na prática é um dos mais lentos do grid.
Em 5º chegou Fernando Alonso, em um grande resultado para a
McLaren, e conquistada com uma pilotagem estilo NASCAR, bastante agressiva. Ele
sabe que pode fazer esse tipo de coisa à vontade, pois quando os comissários
vão distribuir punições dificilmente o fazem sobre o Alonso... medo de ouvir as
reclamações do espanhol, talvez. De qualquer maneira, fez por merecer a
posição. Seu companheiro Button terminou em 9º, um bom resultado para quem foi
péssimo na classificação e largou em 19º. Não empolgou, mas convenhamos que
pouquíssimas vezes na carreira ele empolgou, e não seria agora nos estertores
que ele conseguiria fazer algo diferente...
Em 6º chegou um feliz Carlos Sainz Jr., feliz com a
confirmação que estará na equipe ano que vem e com a bela apresentação feita na
pista. Talvez uma das melhores apresentações do jovem espanhol, em minha
opinião poderia talvez apenas ter oferecido um pouco mais de resistência ao
Alonso quando ocupava a 5ª posição, um lugar pouco comum de estar com uma Toro
Rosso com o motor Ferrari do ano passado. Seu companheiro Daniil Kvyat (11º)
estava com uma estratégia boa para quem iria largar mais lá atrás, que foi
jogada fora quando ele recebeu a (justa) punição por empurrar o Pérez para fora
da pista na atribulada primeira volta. Depois disso, levou o carro ao final.
Em 7º chegou Felipe Massa, que sofreu uma passada “de força”
do Alonso e depois ficou reclamando. O problema é o seguinte, futuro aposentado
da F-1: você estava cozinhando o galo, meditando se iria para cima do Sainz Jr.
ou não, e o Alonso foi mais decidido que você. Se você ao invés de ficar
estudando o adversário fosse logo pra cima, ele não teria chegado e passado
você. Essa mania do Massa ficar enrolando na pista me irrita, profundamente.
Mesmo. Menos mal que resolveu sair de fato da pista, afinal eu o considero um
ex piloto em atividade desde aquele acidente com a mola na cabeça, que acabou
com o pouco de arrojo e decisão que ele tinha. Seu companheiro Valtteri Bottas
(16º) se enroscou com Hülkemberg na primeira volta, danificou o assoalho do
carro e depois apenas levou o carro até o final, já que o dano no assoalho
diminuiu o downforce do carro, que já não é dos maiores.
Em 8º chegou Sérgio Pérez, que conseguiu superar o prejuízo
causado pela direção estabanada do Kvyat com uma boa pilotagem, uma bela
apresentação na verdade. Seu companheiro Nico Hülkemberg (de mudança para a
Renault ano que vem) não teve chance de fazer nada, tendo o carro danificado
logo na primeira curva. Frustrante, convenhamos.
Finalizando a zona de pontuação chegou Romain Grosjean, para
felicidade da equipe Haas, pontuando na sua corrida “de casa” após uma série de
provas fora da zona de pontos e com problemas mecânicos (principalmente
freios). Problema esse que apareceu para o companheiro Gutiérrez, que abandonou
por conta disso.
Menção honrosa para a prova do Felipe Nasr, que mesmo com o
pior carro do grid conseguiu se envolver em algumas disputas de posição no meio
da corrida, algo impressionante levando em conta o carro de boi que ele conduz.
Para quem largou em 21º com um carro tão ruim, o 15º lugar não é
definitivamente uma posição a ser desprezada.
Agora é torcer para a próxima corrida, no México, ser mais
animada... em tese, a pista ajuda, mas infelizmente isso não tem sido o suficiente.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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