quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Até quando esperar?



Assim como o técnico Adilson Batista, eu também não agüento mais essa história de Ronaldo. Se ele joga ou não, se engordou ou não. Todas essas coisas. É realmente uma ladainha sem tamanho. Talvez se fosse um outro jogador nem comentaríamos mais, nem seria tão questionado em entrevistas coletivas: acontece que estamos falando do Ronaldo, um dos maiores jogadores de futebol do Brasil.

Mas que Ronaldo nós estamos falando? Ele mesmo disse que deveriam respeitar sua trajetória. Nunca na história desse país um jogador de futebol foi tão respeitado como o Ronaldo. Melhor dizendo: teve o Romário em busca do milésimo gol; o Túlio, e todo seu folclore. Todos eles jogadores, mas ex-atletas. Túlio e Romário, apesar da escassa preparação física, estavam em campo, fazendo o que sabem; respeitando suas limitações. Ronaldo, por um problema do destino, vive sua eterna briga com o corpo.

O que esperar do Ronaldo? Podemos esperar muito. Vejam vocês os primeiros meses no Corinthians. Fez mais, e muito mais do que se esperavam dele. Mas e agora? O que continuaremos esperando? Melhor ainda, até quando esperar? É possível que ele tenha realmente chegado ao limite, que seu corpo não agüente mais tantas pancadas. E não são porradas como em Neymar, são golpes como sofreu Ganso recentemente. As contusões são como venenos homeopáticos na vida dos jogadores de futebol.

Ronaldo jogou apenas três partidas das vinte disputadas. Fez gols, como se esperava. De lances de segundos, valem a eternidade de alguns jogadores medianos. Alguém no futebol brasileiro pode fazer mais do que o Ronaldo em campo? Ainda não. Talvez os geniais santistas, mas ainda é cedo para fazer qualquer comparação. Há quem diga preferir Ronaldo sem nenhuma condição do que Souza e Iarley cheios de vontade. Concordo com isso.

Mas existe uma diferença entre sem nenhuma condição e sem condição nenhuma. Ronaldo está vivendo o segundo item, onde parece não depender apenas dele a vontade; nem o desejo de continuar jogando. Parece que não é apenas uma questão de grana. Ronaldo deve ter vários defeitos, mas não parece ganancioso. Continua no futebol porque ama, adora fazer o que faz; mas é necessário que seja possível.

Então, devemos esperar o Ronaldo em campo como uma graça qualquer; que revele que ainda é possível achar interessante o futebol. Mas que não o vejamos mais como o sujeito necessário e insubstituível. Não tenhamos mais no ex-atleta a característica do futebol de hoje: competitivo, sem graça e sem criatividade. Ninguém pode fazer o que o Ronaldo fez e ainda faz, mesmo com tantas limitações; pois em jogadores como Ronaldo e Romário, podemos esperar o craque; mesmo quando se evidência o tardio adeus aos gramados.
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Um comentário:

Mario disse...

A impressão que eu tenho é que quando Ronaldo chega em casa, vai direto pra geladeira. Será que ele anda mesmo se cuidando? Com seu histórico de contusões, mais o aumento do peso é o quadro que estamos vendo atualmente.
E talvez seja o único jogador em atividade no Brasil que o adversário ainda respeita, mesmo gordinho.