Acabou. A SP City Marathon
2017 agora é história. No máximo, uma recordação materializada na medalha de finisher ou do meu número de peito já
devidamente plastificado para posteridade. Estou satisfeito por ter concluído o
desafio, por ter feito meu melhor tempo na distância, por não ter desanimado um
dia sequer com o diagnóstico da condromalácia patelar, por ter conseguido
manter o foco nos treinos, mesmo sem estar acompanhado por um treinador.
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| Minha chegada na Maratona de Porto Alegre, 2007. |
Sim, estou feliz e até um
pouco convencido. Realizar um feito como esse faz a gente se sentir um pouco
mais “fodão” mesmo. Faz parte. Acho que me senti assim, há dez anos atrás,
quando corri minha primeira maratona. Naquela época sentia que tinha chegado ao
topo da minha carreira de corredor. Já tinha corrido 5k, 10k, 21k e os 42k. Na
minha cabeça não faltava mais nada, como se tivesse chegado ao final de um
daqueles games cheios de fases. O ciclo estava completo.
Lembro que aproveitei os
dias OFF da planilha que se seguiram à maratona e resolvi dar um OFF por mais
algumas semanas, meses, anos. Pouco a pouco larguei mão da corrida, da
esquematização dos treinos, da rotina matinal, dos treinos aos sábados na USP –
sempre tinha uma desculpa na ponta da língua pra matar um treino ou outro. Até
o ponto que eu larguei a assessoria esportiva e aí, sem a motivação dos
treinadores, a corrida virou apenas um exercício eventual. Deixei de ser um
corredor, um maratonista para tornar-me um corredor de final de semana, na
acepção mais pejorativa do termo.
A ausência dos treinos e das
corridas deu espaço a uma vida cada vez mais notívaga, boêmia. Aumentava a
gordura, diminuía o meu condicionamento. Olheiras, inchaço no rosto e nos
membros inferiores, passaram a fazer parte da minha aparência e a dor de
cabeça, o mal estar estomacal e o resfriado viraram companhia constante.
Fisicamente, nada lembrava o aspecto de um corredor de resistência. Sabia que
precisava de uma mudança radical e definitiva.
Em 2013, finalmente, apertei
o RESET, dei um BOOT em tudo que já não funcionava mais. Abandonei as bebidas
alcoólicas e a vida noturna, compreendi que a função dos alimentos é, acima de
tudo, nutrir o corpo e não apenas confortar a alma e resolvi assumir um estilo
de vida mais ativo. Nem pensava em correr maratonas, nem nada do gênero. Foi um
recomeço, um reencontro com a corrida. Percebi o quanto a corrida nas primeiras
horas do dia fazia bem ao meu corpo, à minha mente. Comecei a participar de
corridas, a treinar em “picos” diferentes, fui apresentado às trilhas. Hoje, divido
os treinos de corrida, com os treinos de musculação – minha nova paixão – e são
raros os dias sem qualquer atividade física.
Não sinto a menor falta dos
meus dias de boêmia, ficaram no passado. Foi bom mas acabou. No regrets, baby! Eu encontrei uma nova
forma de viver, novas motivações e tenho aceitado, de bom grado, tudo que esse
estilo de vida tem me proporcionado. Tenho aprendido e experimentado coisas
novas e sinto-me diariamente motivado a fazer mais e melhor, seja na minha
carreira profissional, na minha vida pessoal ou na corrida. Tem sido assim, um
pé a frente do outro.

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