terça-feira, 15 de agosto de 2017

Diário de maratonista (Reflexões pós corrida – parte final)

Acabou. A SP City Marathon 2017 agora é história. No máximo, uma recordação materializada na medalha de finisher ou do meu número de peito já devidamente plastificado para posteridade. Estou satisfeito por ter concluído o desafio, por ter feito meu melhor tempo na distância, por não ter desanimado um dia sequer com o diagnóstico da condromalácia patelar, por ter conseguido manter o foco nos treinos, mesmo sem estar acompanhado por um treinador.

Minha chegada na Maratona de Porto Alegre, 2007.
Sim, estou feliz e até um pouco convencido. Realizar um feito como esse faz a gente se sentir um pouco mais “fodão” mesmo. Faz parte. Acho que me senti assim, há dez anos atrás, quando corri minha primeira maratona. Naquela época sentia que tinha chegado ao topo da minha carreira de corredor. Já tinha corrido 5k, 10k, 21k e os 42k. Na minha cabeça não faltava mais nada, como se tivesse chegado ao final de um daqueles games cheios de fases. O ciclo estava completo.

Lembro que aproveitei os dias OFF da planilha que se seguiram à maratona e resolvi dar um OFF por mais algumas semanas, meses, anos. Pouco a pouco larguei mão da corrida, da esquematização dos treinos, da rotina matinal, dos treinos aos sábados na USP – sempre tinha uma desculpa na ponta da língua pra matar um treino ou outro. Até o ponto que eu larguei a assessoria esportiva e aí, sem a motivação dos treinadores, a corrida virou apenas um exercício eventual. Deixei de ser um corredor, um maratonista para tornar-me um corredor de final de semana, na acepção mais pejorativa do termo.

A ausência dos treinos e das corridas deu espaço a uma vida cada vez mais notívaga, boêmia. Aumentava a gordura, diminuía o meu condicionamento. Olheiras, inchaço no rosto e nos membros inferiores, passaram a fazer parte da minha aparência e a dor de cabeça, o mal estar estomacal e o resfriado viraram companhia constante. Fisicamente, nada lembrava o aspecto de um corredor de resistência. Sabia que precisava de uma mudança radical e definitiva.

Em 2013, finalmente, apertei o RESET, dei um BOOT em tudo que já não funcionava mais. Abandonei as bebidas alcoólicas e a vida noturna, compreendi que a função dos alimentos é, acima de tudo, nutrir o corpo e não apenas confortar a alma e resolvi assumir um estilo de vida mais ativo. Nem pensava em correr maratonas, nem nada do gênero. Foi um recomeço, um reencontro com a corrida. Percebi o quanto a corrida nas primeiras horas do dia fazia bem ao meu corpo, à minha mente. Comecei a participar de corridas, a treinar em “picos” diferentes, fui apresentado às trilhas. Hoje, divido os treinos de corrida, com os treinos de musculação – minha nova paixão – e são raros os dias sem qualquer atividade física.  


Não sinto a menor falta dos meus dias de boêmia, ficaram no passado. Foi bom mas acabou. No regrets, baby! Eu encontrei uma nova forma de viver, novas motivações e tenho aceitado, de bom grado, tudo que esse estilo de vida tem me proporcionado. Tenho aprendido e experimentado coisas novas e sinto-me diariamente motivado a fazer mais e melhor, seja na minha carreira profissional, na minha vida pessoal ou na corrida. Tem sido assim, um pé a frente do outro. 

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