Olá leitores!
Muito interessante as opções que se mostraram no final de
semana no esporte a motor, eu diria que foi um final de semana decisivo para muita
gente. “Ah, mas exceção feita à F-E ainda tem muita corrida para acontecer até
o final das temporadas, deixe de história!”, muitos de vocês podem falar.
Calma, explicarei minha afirmação durante o texto.
Em Silverstone (pista sobre a quais surgiram rumores que não
deve renovar seu contrato para receber a F-1, mas acho pessoalmente que não
deve passar do escalão de boato) Lewis Hamilton deu um gigantesco passo para se
tornar tetracampeão da F-1. E não foi só por ter feito a pole de maneira
autoritária, nem por ter pilotado como se os outros pilotos não existissem na
pista ou pertencessem a categorias inferiores. O grande passo que ele deu com
isso tudo foi amplificado pela incompetência da Ferrari em fazer uma estratégia
minimamente razoável para seu piloto (por enquanto) líder do campeonato. A
equipe não consegue analisar corretamente os dados de consumo de pneus, não
consegue alterar rapidamente o que foi planejado de véspera, não consegue
reagir a qualquer adversidade que saia do Plano A e do Plano B. Se um falha e
não tem como implantar o outro, não se consegue ter a necessária agilidade para
tomar uma decisão rápida e eficaz. Não conseguem, por exemplo, mudar de uma
estratégia de uma parada para uma de duas paradas, isso requer uma rapidez de
raciocínio e uma coragem que faltam ao pessoal que ocupa a mureta da pista em
frente aos boxes. Parece que contrataram um estrategista militar italiano
(lembrando que os últimos grandes estrategistas saídos da Bota devem ter sido
Júlio César e Marco Antônio...), tamanho o “brilhantismo” das decisões tomadas.
Assim como Felipe Massa perdeu o título nas paradas de boxe equivocadas
(notadamente aquela de Cingapura onde ele saiu arrastando a mangueira de
abastecimento), Vettel perderá esse título por conta da ineficiência dos
estrategistas da equipe. Eu, no lugar do Arrivabene, teria demitido o cidadão
logo após a bandeirada...
Vitória fácil e absolutamente merecida de Lewis Hamilton, que
na opinião desse cronista está com uma mão e 3 dedos no título, já que nas
pistas restantes do campeonato a Mercedes deve se mostrar superior à Ferrari e
agora Lewis encostou no Seb na pontuação. A verdadeira vitória maiúscula. Seu
companheiro Valtteri Bottas (2º) foi outro que fez uma corridaça, e ainda foi
ajudado pela incompetência vermelha: largou em 9º após receber punição de 5
posições de largada por troca de câmbio, e estava se encaminhando para um
excelente (nessas condições ) 3º lugar, mas aí o pneu do Vettel furou e ele
herdou a posição, para felicidade geral nos boxes da Mercedes, que não poderia
esperar resultado melhor para a equipe na Inglaterra.
Em 3º chegou Kimi Räikkönen, numa posição nada má para um
segundo piloto que volta e meia vem sendo criticado publicamente pelo alto
escalão da equipe. Fosse ele menos calado, teria dito que é menos feio a
diretoria avisar logo que não conta com os serviços dele para o próximo ano e
que está procurando outros nomes. Enfim, fez o que pôde para chegar no pódio –
e isso tendo que fazer uma parada não programada no final, já que o “maravilhoso”
pneu fornecido pela Pirelli dechapou, que nem aquele pneu mal recauchutado de caminhão,
que você de vez em quando encontra a banda de rodagem na beira da estrada. Seu
companheiro Sebastian Vettel (7º) teve o pneu furado na última volta e
desperdiçou a chance de conquistar o 5º título dele na carreira e o primeiro na
Ferrari, em parte por não ter conseguido imprimir ritmo como o de Hamilton, em
parte por conta da equipe que jogou contra ele. Coisas de Ferrari...
Em 4º chegou Max Verstappen, que não apenas conseguiu terminar
a corrida (coisa que não vinha acontecendo com frequência...) como protagonizou
um dos mais belos lances da corrida, em sua disputa de posição com Vettel. Se
nada no carro apresentar problema, sério candidato ao pódio na Hungria, já que
a pista excessivamente travada favorece seu Red Bull. Quem também fez uma
corridaça foi seu companheiro Daniel Ricciardo, que largou em penúltimo e
conseguiu galgar diversas posições até a bandeirada final.
Em 6º terminou Nico Hülkemberg, em um belo resultado para a
Renault, mostrando que as atualizações feitas pela equipe deram certo. Não teve
muita gente com quem dividir posição, na verdade... seu companheiro Jolyon
Palmer (20º) nem conseguiu largar, vítima de uma pane hidráulica na volta de
apresentação...
Em 8º e 9º terminaram os dois carros da Force India, dessa
vez com o Esteban Ocon à frente do Sérgio Pérez. No meio da prova tiveram uma
bela disputa de posição entre eles, e ajudaram a tornar a corrida menos
sonolenta (afinal, em cerca de 2/3 da prova não aconteceu quase nada...).
Fechando a zona de pontuação (10º) chegou Felipe Massa, que
como ele mesmo disse poderia chegar mais à frente, mas com a má classificação
feita no sábado o negócio foi correr atrás do lucro desperdiçado. Seu
companheiro Lance Stroll (16º) fez uma boa largada, mas depois as coisas não
ficaram tão fáceis, e acabou perdendo posições. Justiça seja feita, mesmo após
a boa largada nunca disputou posição que pontuasse.
Mas o final de semana não foi só F-1, tivemos rodada dupla
da Fórmula E na estreante pista de New York, e nas duas o lugar de honra do pódio
ficou com o mesmo piloto, Sam Bird, que se adaptou às mil maravilhas ao traçado
e não deu chance para os adversários. No sábado ele foi escoltado no pódio por
Vergne em 2º e Sarrazin em 3º, ambos da Techeetah, e no domingo sua companhia
foi de Rosenqvist (2º) e Heidfeld, ambos da Mahindra. O piloto cheio de
conteúdo (afinal, para criticar a equipe que transmitia as 24 Horas de Le Mans
na TV brasileira, ele deve ter um conteúdo muito impressionante – e previsível
no caso de se ser um piloto, não de um jornalista) teve a oportunidade de ver o
seu grande rival na luta pelo título, Sébastien Buemi, fora das duas corridas
pois estava participando de compromisso já assumido no WEC. Sua missão, então,
era aproveitar seu gigantesco conteúdo técnico e acertar o carro para
conquistar duas vitórias e levar a decisão aberta para a última corrida... só
que conhecimento técnico sozinho não faz o carro andar mais rápido, e ele ficou
fora do pódio nos dois dias (4º lugar no sábado e 5º no domingo), e vai para a
última prova com 10 pontos atrás do Buemi. Não é impossível, mas é difícil a
tarefa de ser campeão. Nelsinho Piquet também não teve muito o que agradecer:
11º no sábado e 16º no domingo, com direito a punição e tudo mais. Um final de
semana para o filho do tricampeão esquecer.
Na Alemanha foi realizada a prova de 6 Horas de Nürburgring,
com domínio absoluto da Porsche, que venceu com o trio Bamber/Bernhardt/Hartley
(o mesmo que venceu as 24 Horas de Le Mans) no carro #2 e foi acompanhado pelo
trio do carro #1 em 2º lugar, Lotterer/Tandy/Jani. Em 3º terminou o Toyota #7,
que fez a pole position mas não conseguiu segurar o ritmo dos dois Porsche), Toyota
esse pilotado por Conway/López/Kobayashi. Buemi, aquele que deixou de correr de
furadeira para correr de carro de verdade, chegou em 4º com o Toyota #8, que
teve problemas ainda na volta de apresentação, retornou aos boxes, e quando
retornou já tinha perdido voltas, pelo que o 4º lugar foi um grande resultado.
Aqui no cone Sul teve etapa do WTCC na bela pista de Termas
do Rio Hondo, na Argentina, e na primeira corrida do dia o degrau mais alto do
pódio foi ocupado (pela primeira vez) por Yann Ehrlacher, seguido pelo rápido
Mehdi Bennani em 2º e Esteban Guerrieri em 3º, para a grande alegria da torcida
local. Já a segunda prova teve vitória de Norbert Michelisz, à frente do líder
do campeonato Tiago Monteiro e do veloz Thed Björk, que disputa com o português
a liderança da pontuação.
Tivemos também Fórmula Indy em Toronto, uma corrida
sonolenta que teve como vencedor Josef Newgarden, piloto que gosta do traçado
urbano canadense e também tem sorte nessa pista, seguido por Alexander Rossi
(que fez o possível para lutar pela vitória mas não conseguiu) e por
Hinchcliffe, em mais um belo resultado para a pequena equipe de Sam Schmidt. Os
principais postulantes ao título ficaram lá para trás: Helinho terminou em 8º e
Dixon em 10º. Certamente não o resultado que Castroneves gostaria, mas ao menos
diminuiu um pouco a diferença para Dixon. Tony Kanaan não se deu bem na prova e
terminou apenas em 19º lugar.
E a NASCAR foi para a pequena mas charmosa pista de Loudon,
em New Hampshire, onde Denny Hamlin pilotou demais no último segmento,
controlou a pressão do Kyle Larson nas voltas finais, e venceu com merecimento
a corrida, e de quebra carimbou seu passaporte para os playoffs da categoria. Mais
uma vez o “rei dos segmentos” Martin Truex Jr. andou muito bem, mas um pneu
furado fez com que ele fizesse uma parada nos boxes fora do programado e acabou
a corrida ainda em um ótimo 3º lugar. Fechando o Top-5 tivemos Matt Kenseth em
4º e Kevin Harvick em 5º.
Até a próxima!
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