sábado, 15 de julho de 2017

Diário de Maratonista (Reflexões pré-prova - 5º dia de 20)

Escolher a prova ideal.

Como escolher a prova perfeita? Acho que desde 2013 eu penso em correr minha segunda maratona, mas, sempre esbarrava na indecisão acerca do local. Escolher uma prova é complicado. É preciso pensar no percurso, na altimetria, no clima, na localização, na logística, principalmente, se for disputada num local longe de casa. São muitos detalhes de preparação, sem falar, claro, dos meses de treinamento envolvidos.

Desde meados do ano passado, quando eu li os relatos e assisti aos vídeos da primeira edição da SP CITY MARATHON, não pude conter a empolgação. Afinal, diferentemente, da Maratona Internacional de São Paulo que tem um dos percursos mais chatos da história da humanidade e que comete o crime de não passar por nenhum trecho histórico da cidade, a SP CITY já ganha pontos na largada, que ocorre no Estádio do Pacaembú; o mais importante estádio da cidade, sede de todas as torcidas e palco dos Jogos Panamericanos de 1963.

A prova parte em direção ao Centro Histórico, percorrendo o Teatro Municipal, o Largo São Francisco, a Catedral da Sé,  e de lá parte, via 23 de Maio, para o Parque do Ibirapuera. O Ibira, como é chamado carinhosamente, que foi construído em meados dos anos 1950 reúne, hoje, a maior coleção de corredores por metro quadrado do Brasil, diariamente, desde as primeiras horas da manhã. Ou seja, passar pelo Ibira é um tributo indispensável para todo corredor que se preza. Pois bem, é o Ibirapuera que marca o final do primeiro terço de percurso.

A prova então vai pro novo centro empresarial paulistano. O bairro do Itaim Bibi, com seus prédios novos, de arquitetura moderna, sede de grandes empresas. As retas longas e os túneis dessa parte do percurso tentam criar alguma harmonia com a “topografia” retilínea e maçante dos prédios de escritório. A saída dessa selva de concreto, acrílio e vidro é pelo novíssimo Parque Villa Lobos, no Alto de Pinheiros. Mesmo que o percurso apenas margeie a entrada do parque, correr por uma região mais arborizada será uma mudança de cenário muito benvinda para ganharmos o oxigênio necessário para encerrarmos esse segundo terço da prova.

A parte final da prova começa na Ponte de Cidade Universitária. Cruzar o Rio Pinheiros nunca é uma experiência agradável. O mau cheiro é a sua principal característica. É nessa parte da prova que o joio começa a ser separado do trigo. A corrida parte em direção ao campus da USP que, aos sábados é o reduto dos corredores paulistanos e das assessorias esportivas, mas, aos domingos, sem corredores, alunos ou professores vira uma Cidade Fantasma mesmo. A prova tende a esvaziar, tanto quanto a energia dos corredores. Serão aproximadamente sete quilômetros em duas retas;, a Raia Olímpica e a Av. Politécnica.

Na saída da USP restaram “apenas” quatro quilômetros, em direção ao Jockey Clube, um dos pontos turísticos da cidade ainda desconhecido da maioria dos paulistanos. Não sei bem o porquê. Acho que em razão de um estigma existente sobre as corridas de cavalo. Acham que é um reduto de viciados em jogatina, sei lá. Será nesse prédio, construído entre os anos 1930 e 1940, logo após ao que chamamos de belle epoque paulistana, que a maratona terá o seu final. Como paulistano, sinto-me representado em todas curvas desse percurso. Como corredor de rua, sinto-me desafiado a correr São Paulo.
Vídeo do percurso

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