Olá leitores!
Que final de semana! Os motores roncaram (e também zumbiram)
por todos os lugares nesse último domingo de julho. Só não aproveitou quem não
quis, houve diversas opções para todo mundo.
Começando pela F-1, tivemos o já tradicional GP da Hungria,
realizado em Hungaroring, a pista que foi um Tilkódromo antes mesmo do Hermann
Tilke começar a projetar pistas, e que na minha modesta opinião é quase sempre
a pior pista do campeonato (de vez em quando inventam uma pista em um lugar
estranho que consegue ser pior que Hungaroring, mas não é fácil conseguir
isso). E se eu tivesse poder em Maranello ficaria preocupado, afinal já fazem
alguns anos que o vencedor dessa corrida não é campeão do mundo, mas enfim...
Vitória de Sebastian Vettel, em uma corrida que pode ser
comparada a um jogo de xadrez. Tanto pela tática como pela emoção de quem não
está participando diretamente da coisa... ele na verdade teve o trabalho de
acelerar o suficiente para não ser alcançado pelos carros da Mercedes, já que
por obediência à hierarquia da equipe seu companheiro não o riria ultrapassar.
Deu certo, e agora ele entra nas férias de verão europeu da categoria com 14
pontos de vantagem para seu principal rival. A única coisa que complicou um
pouco a corrida para ele foi a direção do carro, que começou a apresentar
desalinhamento após a largada, mas mesmo assim ele dominou de ponta a ponta.
Seu companheiro Kimi Räikkönen (2º) foi um fiel escudeiro e certamente deixou
as cabeças lá na sede que estão discutindo a dupla de pilotos para o ano que
vem bastante satisfeitas.
Em 3º chegou Valtteri Bottas, que acelerou bastante, mas não
conseguiu alcançar a dupla da Ferrari. Quando o carro dele perdeu rendimento,
seu companheiro (e vice líder do campeonato) Lewis Hamilton (4º) estava com o
carro mais rápido, e eles inverteram as posições para que o inglês atacasse as
Ferrari. No entanto, ele não conseguiu, e a equipe ordenou nova troca de
posições no final da prova – coisa que surpreendeu muita gente, que achava que
Hamilton não devolveria a posição para Bottas (eu incluso). Devo dar os
parabéns pela atitude, pouco comum nos dias atuais.
Em 5º chegou Max Verstappen, que além de ter sido o melhor
dos outros carros que não Mercedes e Ferrari incendiou a situação interna na
Red Bull: logo na segunda curva da pista, o jovem holandês quis disputar
posição com seu companheiro de equipe, o carro escorregou de frente e bateu na
lateral do carro do Daniel Ricciardo (20º), que teve de abandonar logo em
seguida com o radiador furado. Pediu desculpas depois da prova, mas pela reação
do australiano ao menos nesse momento não adiantou grande coisa. Daniel ficou muito
bravo com o jovem companheiro, e realmente vai ser difícil “azeitar” novamente
as coisas entre eles.
Em 6º terminou Fernando Alonso, aproveitando que nessa pista
a desvantagem de potência do motor Honda de seu McLaren é suavizada. Um dia
após o seu 36º aniversário, o espanhol fez uma das suas melhores apresentações
e conseguiu pontos importantes para a McLaren, além de protagonizar uma das
cenas mais curiosas da categoria: os novos donos da categoria, os americanos da
Liberty Media, estão fazendo o possível para tornar a categoria mais palatável
para a nova geração. Uma dessas atitudes, já que a categoria entra de férias
após essa corrida, foi reproduzir no chão em frente ao pódio aquela imagem do
Alonso em uma cadeira de praia no GP do Brasil... e não é que ao final da prova
ele pegou uma cadeira de praia e posou para fotos sobre a imagem dele mesmo,
repetindo a mesma posição? Genial. Seu companheiro Stoffel Vandoorne também fez
uma boa apresentação, terminando em 10º lugar após pressionar os carros da
Force India.
Em 7º chegou Carlos Sainz Jr., que largou muito bem, teve a
pretensão de acompanhar a Mercedes do Hamilton, e não conseguindo tentou
defender sua posição. Acabou não conseguindo barrar Alonso, mas de resto foi um
grande resultado. Seu companheiro Daniil Kvyat (12º) batalhou muito, mas não
conseguiu extrair tudo do carro, denotando clara insatisfação ao final da
prova.
Em 8º e 9º, em mais uma dobradinha, os carros da Force
India, respectivamente Pérez e Ocon. Novamente eles se tocaram (dessa vez na 1ª
volta), e dessa vez quem ficou levemente prejudicado foi o francês, mas nada
que comprometesse seriamente o restante da corrida.
Após o mês de férias, a F-1 volta à ativa em uma das mais
belas pistas não só do calendário, mas do mundo: Spa-Francorchamps. Na
expectativa...
Tivemos também o final da temporada 2016/2017 da “categoria
do futuro”, a Fórmula E, e com título brasileiro: em um final de semana em que
tudo deu certo para ele e nada deu certo para Buemi, Lucas di Grassi conseguiu
se sagrar campeão da temporada na rodada dupla de Montréal, onde ele teve –
literalmente – a chamada “sorte de campeão”. Quem leu a resenha da última
etapa, lembra que eu disse que ele poderia ter aproveitado a outra prova, em
que o Buemi não participou, para “fazer a lição de casa” e vencer, o que não
aconteceu. Em compensação, nesse final de semana houve o “troco”; nos treinos
livres da primeira etapa, ele bateu forte no guard-rail e precisou trocar a
bateria do carro, ato que fez ele receber uma penalização de 10 posições no
grid (tipo as da F-1). Ele acabou largando em 12º lugar, mas se recuperou muito
bem (como grande piloto que é) e terminou em 4º, atrás do vencedor da etapa di
Grassi. Só que na inspeção pós corrida descobriram que o carro estava abaixo do
peso mínimo, e ele foi desclassificado. Dessa forma, o brasileiro reverteu a
vantagem que o suíço tinha na pontuação... e aí no domingo foi correr com o
regulamento na mão. Fez isso e ainda foi ajudado pelo fato do Buemi ter se
envolvido no enrosco causado pelo Stéphane Sarrazin, aí foi só correr para o
abraço no final da prova, onde um 7º lugar foi mais do que suficiente para o
brasileiros ser o 3º campeão em 3 temporadas (lembrando que a primeira
temporada foi vencida pelo Nelsinho Piquet). Como ele ajudou a desenvolver o
protótipo do carro elétrico, foi um título dos mais merecidos.
Na Finlândia tivemos etapa do WRC, um dos ralis mais
tradicionais e difíceis da temporada. Sim, já foi mais difícil, mas ainda é um
lugar em que o conhecimento do terreno conta muito para o sucesso na prova. E tivemos
um vencedor inédito, comprovando que no antigo Rali dos 1000 Lagos santo da
casa faz milagre sim: o degrau mais alto do pódio ficou com uma “prata da
casa”, o jovem Esapekka Lappi (Toyota), que herdou a primeira posição quando o
seu companheiro de equipe Latvala abandonou a prova por problemas mecânicos. Em
2º ficou outro piloto jovem, Elfyn Evans, e em 3º terminou Juho Hanninen.
Aconteceu mais uma etapa do campeonato da F-Indy, e a briga
pelo título está cada vez mais empolgante: Josef Newgarden está muito à vontade
com o carro, e conquistou com todos os méritos a vitória na tradicional pista
de Mid Ohio, seguido de longe (mais de 5 segundos) por Will Power em 2º e por
Graham Rahal em 3º. Helinho infelizmente
não passou do 7º lugar no final e Tony Kanaan foi ainda pior: ficou apenas em
16º... vamos torcer para melhor sorte nas próximas etapas.
Esse domingo foi dia da segunda etapa do ano em Pocono, como
já disse antes uma das minhas pistas favoritas do campeonato da NASCAR, e
finalmente a ziquizira saiu de cima do Buschinho: ele finalmente conseguiu sua
primeira vitória no ano, após 36 corridas sem vencer, e propiciou para a Toyota
a sua 100ª vitória na categoria. E não venceu por pouco não, foram mais de 6
segundos sobre o segundo colocado Kevin Harvick. Em 3º chegou Martin Truex Jr.,
em 4º Denny Hamlin e fechando o Top-5 tivemos Brad Keselowski.
E aqui em Interlagos tivemos, num final de semana do
Campeonato Paulista de Automobilismo, uma tradicional prova de Endurance: os
500 km de São Paulo, com pilotos de diversas categorias correndo juntos na
pista e com a chegada acontecendo após o por do Sol, trazendo a oportunidade de
ver carros correndo com os faróis acesos e apenas eles iluminando a pista (sim,
iluminação artificial sai caro, e a crise no Brasil está longe de chegar ao
final). Eu deixo os parabéns a TODOS os participantes, afinal fazer prova de
longa duração no Brasil é uma aventura, e agradecer às equipes de outros
estados que vieram abrilhantar a competição. A vitória ficou com o Porsche 911
GT3 da equipe Stuttgart Racing, que mostrou o quanto as nossas competições
precisam melhorar para alcançar o mesmo nível do exterior: principalmente
quando pilotado por Ricardo Maurício, o carro #20 voava pela pista, desempenho
realmente impressionante. Não que ele andasse devagar com Marcel Visconde no
comando, diga-se de passagem...
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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