domingo, 30 de julho de 2017

Diário de maratonista (Reflexões pré-largada 15º de 20)

Bom, amigos leitores, hoje foi dia de maratona pelas ruas de São Paulo, foi dia de SP City Marathon. E eu estive lá. Antes de descrever a prova propriamente dita e as minhas reflexões pós evento, eu gostaria de comentar um pouco sobre o que achei da organização da prova, afinal, a maratona é um evento grande, são muitos corredores ao longo de percurso longo. Todo cuidado com os detalhes é pouco.

Enfim, começo com as inscrições. Fiz a minha inscrição para a maratona cerca de 10 meses antes do evento. E tem que ser assim. Abrir as inscrições cedo mostra seriedade com a preparação do corredor. Desde setembro de 2016 sabia que hoje estaria correndo, às 06:00 horas da manhã. Sabia os detalhes da prova, conhecia o regulamento. Eventuais alterações no percurso foram informadas meses antes da prova. Todo mundo pôde fazer a sua preparação de maneira adequada.

Retirada dos Kits. Bom, pra quem não está acostumado, nas corridas de rua os corredores recebem um kit, antes da corrida, contendo chip de cronometragem, número de peito (de uso obrigatório) e mais alguns agradinhos da organização como camiseta, boné, sacolinha, etc. Além de realizar a entrega dos kits em duas datas antes da realização da prova, a organização utilizou o espaço do Expo Transamérica, às margens da Marginal Pinheiros, para realização da chamada “Expo” do evento, um local para o comércio e exposição de artigos de corrida e realização de palestras sobre o evento. A “Expo” ainda é pequena, conta com poucos expositores, mas acho que a escolha do local demonstra que a organização acredita que o evento crescerá nos próximos anos.

Eu deixei pra ir na sexta-feira, pouco antes de fechar, assim, fiquei sem tempo pra curtir tudo que estava a disposição do corredor. O local (Expo Transamérica), pra mim, é muito longe, mas, consegui ir de metrô e trem, por apenas R$ 7,60. A organização também disponibilizou ônibus gratuito saindo do shopping JK. O estacionamento no local custava a pequena bagatela de R$ 48,00 (caríssimo), fato que foi informado previamente pela organização. Nem preciso dizer o quanto alguns corredores reclamaram do preço. Gostaria que a Expo fosse realizada num local mais próximo? Claro. Mas, São Paulo é uma cidade enorme que não tem tantos locais disponíveis para a realização de feiras e exposições. Além disso, não se corre maratona toda semana. Ficar quase uma hora nos vagões de metrô e trem não foi tão difícil assim. Aceito a reclamação dos colegas corredores, mas segue o jogo.

Hoje, dia da prova, tudo o que foi prometido aos corredores foi cumprido: largada por ondas, postos médicos espalhados por todo o percurso e hidratação a cada 3 km, exceto no trecho da Av. Vinte e Três de Maio, água e gatorade gelados em todo o percurso, gel carboidrato, bananas, salgadinhos e bala de goma energética. Bom, eu não utilizei a maioria dos alimentos oferecidos pela organização, mas, acho que a fartura na suplementação superou as minhas expectativas.

A largada por ondas, na qual os corredores são separados por blocos de tempo, e largam em intervalos de dez minutos é um desejo antigo da comunidade corredora, principalmente em provas grandes e longas. A largada em ondas possibilita que os corredores larguem com menos corredores a frente e, assim, consigam correr no ritmo desejado desde os primeiros metros. Funcionou bem. Não foi melhor porque alguns corredores resolveram furar as ondas pra largar na frente ou acompanhando os colegas. Às vezes, nós corredores sabotamos a corrida. Nesse particular, nenhuma crítica à organização.

Quanto aos pontos de hidratação, apenas um puxão de orelha no staff da prova. Em vários trechos, principalmente nos mais cascudos, era possível ver membros do staff de braços cruzados, enquanto os corredores, já cansados tentavam alcançar água ou gatorade nas glândulas. Ajudaria muito se o staff entregasse aos corredores. Não é frescura!! O cansaço pega em certas momentos da prova e o simples ato de se deslocar para alcançar um copo d’água é uma tarefa extremamente dolorosa.

Contudo, verdade seja dita, a grande maioria dos staffs cumpriu o seu papel: entregaram a suplementação aos corredores e com palavras de incentivo. Acreditem, a maratona é um dos desafios mais duros e solitários enfrentados pelos corredores. Uma palavra de incentivo pode injetar adrenalina em nossas veias. Ponto negativo, também, pro staff dos guarda volumes. Se o negócio funcionou bem na largada, com uma sacolinha padronizada entregue pela organização com antecedência, na chegada o negócio não funcionou tão bem.

Os guarda volumes eram ônibus que foram deslocados da largada (Estádio do Pacaembú) para a chegada (Jockey Clube) separados por número de inscrição. Após a maratona, alguns corredores tiveram que esperar, debaixo de sol, por quase meia hora, os staffs localizarem a sacolinha com os pertences, que deveriam estar organizados dentro do ônibus. Mas, aparentemente, não estavam. O sistema adotado para os guarda volumes era adequado, mas, alguns staffs conseguiram desorganizar a coisa toda. Que melhoras aconteçam no futuro.

E a saída do Jockey Clube? Bem, em setembro de 2016 eu adquiri, junto com a inscrição, um bus ticket que dava direito a um ônibus da dispersão da prova até o local da largada no Estádio do Pacaembú. Essa foi a melhor decisão que eu tomei no ano de 2016, porque pegar um táxi ou um Uber, ali, naquela muvuca, seria bem difícil. Não precisei esperar por muito tempo, o ônibus estava aguardando no local indicado pela organização, bem confortável e climatizado. Terminei a minha aventura são e salvo.

Resumo da rodada, amigos: Em quase vinte anos de corrida de rua no Brasil, nunca me senti tão respeitado. Nem nos anos áureos da Corpore, que organizava as melhores provas de São Paulo. É lógico que quem está acostumado a correr no exterior terá muito mais críticas à organização, afinal, o padrão é outro mesmo. Mas, percebi que a organizadora do evento; a Iguana Sports, é comandada por quem corre e respeita as necessidades do corredor. Não é uma empresa interessada apenas no dinheiro das inscrições. Espero, realmente, que a SP City Marathon tenha vida longa e sirva de exemplo pras outras provas organizadas no Brasil. O balanço final, em minha opinião, foi altamente positivo.    


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