Ficar mais forte. Quando falamos de corrida, ficar mais forte significa ficar mais cascudo, mais rápido e resistente, capaz de suportar diferentes percursos e altimetrias. Esse fortalecimento é alcançado com a consistência nos treinamentos de corrida, que prepara os nossos músculos e articulações para o esforço do esporte e, também, com os exercícios de força, seja com os aparelhos de academia, seja com o peso do próprio corpo.
Corro há mais de dez anos e sempre fui avesso ao treino de força. Gostava de correr, apenas isso. Nutria um preconceito tolo acerca do treino de musculação, achava chato, entediante. Tinha verdadeira ojeriza à academias, odiava aquele estilo de vida fitness, aquela trilha sonora “dance music” no talo, aqueles instrutores preguiçosos. Enfim, as poucas vezes que frequentei academia, fazia o tal do plano mensal. Treinava três dias, sentia dores por outros seis, tirava uma semana de folga pra me recuperar e nunca mais voltava.
Mesmo durante os treinos pra Maratona de Porto Alegre, quando tinha instruções expressas de meu treinador para fazer os treinos de força, resolvi desobedecer e encarar os 42 km na raça, só com os treinos de corrida. Por volta do km 34 os músculos das minhas pernas; quadríceps e posteriores pareciam que iam romper tamanha era dor que eu sentia. A musculatura praticamente não respondia aos meus comandos. Oito quilômetros de puro sofrimento. Completei o percurso, mas conversando com outros corredores que faziam treinamento de força e chegaram um pouco mais inteiros no final, fiquei com aquela pulga atrás da orelha.
Após a maratona entrei numa ressaca de corrida; sem motivação, sem objetivos e sem cuidados com a saúde. Pois bem, há quatro anos resolvi sair dessa rebordosa e mudar completamente o rumo da minha vida - falarei mais sobre isso nos próximos dias - Uma das primeiras atitudes adotadas foi trabalhar os músculos. Comecei realizando flexões, agachamentos, barras fixas e abdominais que, além de melhorar a minha silhueta e, consequentemente, auto estima, mostraram o quanto o meu corpo precisava ser desafiado. Treinei os mesmos três dias, senti outros tantos dias de dores, mas não desisti, continuei firme, sabia o quanto essa mudança de hábito era vital.
Recentemente, voltei para as academias. Já não considero o estilo de vida fitness tão odioso, pelo contrário, percebo o quão democrático é o ambiente. Não considero os instrutores tão preguiçosos, conheci muita gente boa e responsável nesse meio. Confesso que fico tão focado no meu treino que nem percebo o que está tocando nos alto falantes. A musculação tornou-se uma ferramenta fundamental nos meus treinos de corrida e um prazer. Permite que eu fique longe de lesões e consiga correr mais rápido por muito mais tempo, além de dar alguns minutos de um certo autocentrismo . Bastam dois ou três dias de musculação na semana, trabalhando todos os grandes grupos musculares para que os benefícios sejam percebidos de imediato.
No próximo dia 30 de julho estarei de novo numa largada de maratona. A distância será a mesma de dez anos atrás, mas, as mudanças ocorridas na maratona da minha vida, transformaram-me num corredor diferente, numa pessoa diferente daquela que largou em Porto Alegre, querendo apenas provar que conseguia completar a maratona, talvez, quem sabe, uma pessoa mais forte!
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