Olá leitores!
Sob alguns aspectos, eu diria que o GP do México foi
didático. Ele serviu como aula para mostrar tudo o que existe de errado na F-1
de hoje em dia. Desde o básico (a incapacidade de fazer uma corrida interessante
para o público) até as questões mais complexas (a falta de critério dos
comissários e a postura dos pilotos), tem muita coisa errada e muita coisa que
precisa ser mudada mas que não vejo possibilidade prática de mudança; só quem
deve ter gostado da prova (além do Hamilton, claro) deve ter sido aqueles
profissionais da televisão que editam a corrida para mostrar os melhores
momentos. Começo da prova, final da prova, e ponto. Trabalho feito.
Metade dos problemas da corrida não existiriam nos anos 80.
Esse negócio de “fulano saiu dos limites da pista”, “beltrano obteve vantagem
ao cortar caminho”, esse tipo de coisa é de fácil solução: basta a FIA largar
de FRESCURA e voltar a colocar caixa de brita onde hoje existem essas áreas de
escape asfaltadas. O elemento que não ficar sobre o asfalto entre as duas
linhas brancas, na melhor das hipóteses vai perder um bom tempo para passar por
ali, mas o mais provável é que a corrida acabe para ele quando ficar atolado na
mistura de areia e cascalho. Pronto.
Os critérios subjetivos já são mais complexos... o que o “Mad
Max” Verstappen fez (cortando a curva) que o Rosberg não tenha feito? A imagem
aérea é clara: ele recebeu sim o toque do Ricciardo, ele controlou o carro,
começou a voltar para a trajetória normal E, de repente, vira para a esquerda e
corta o caminho. Foi tão intencional a alteração de trajetória que é um espanto
que os doutos comissários não tenham punido ele. Aí no final da prova o “Mad
Max” recebeu uma punição por ter cortado caminho tão intencionalmente quanto o
Nico, mas foi punido. Verdade seja dita, o Verstappinho já está recebendo punição
pelo “conjunto da obra”, de tantas que já fez esse ano. E a punição ao Grão
Chiliquento Mor do momento, Sebastian Vettel, também foi justa. OK, ele está
frustrado com o carro medíocre que a Ferrari fez para essa temporada, irritado
pelo “Iced Vodka Man” ter andado na frente dele em algumas etapas, mas um tetracampeão
do mundo precisa aprender a ter os nervos sob controle e pilotar de acordo com
o regulamento. Se os outros pilotos reclamaram de algo que o Verstappinho fez
regularmente e esse comportamento foi proibido, o mínimo que se espera de um
piloto que foi dos que mais reclamou do “Mad Max” é que não repita o que o
outro fez agora que o movimento é proibido. E ficar dando “piti” no rádio
também não contribui em nada. Seria excelente ter um chefe de equipe que
respondesse para ele “Fala menos e acelera mais!”, mas todos sabemos que isso
hoje em dia é igual pássaro dodô, não existe mais.
Após a bandeirada, aquela coisa insólita: Verstappinho vai
para a antessala do pódio, chega a punição e é retirado de lá. Chega o Vettel,
comemora, recebe o troféu... e depois os comissários vão lá, punem ele e o
terceiro lugar muda de dono novamente. Isso tem que acabar, não dá para ser
sério assim. Que outra categoria no mundo tem esse tipo de problema? Lembro de
uma época do automobilismo brasileiro em que os recursos de final de prova eram
quase a norma, e as vistorias técnicas volta e meia encontravam algum carro
fora do regulamento, então não necessariamente quem recebia o troféu
efetivamente era quem ficaria registrado como o merecedor do prêmio, mas isso
em um país terceiro-mundista é quase aceitável, em uma categoria que se diz a
mais importante do mundo não pode ter isso. Bota para largar em último na
corrida seguinte, impõe multas milionárias, ou até mesmo atrasa a cerimônia de
premiação até que tudo tenha sido resolvido, mas não façam esse tipo de coisa.
Ah, é, os resultados... Vencedor com tranquilidade, Hamilton
igualou a marca de Alain Prost. Acho complicado esse tipo de estatística, até
porquê hoje em dia os pilotos participam de um número de corridas maior do que
no passado, mas fica o registro. Acredito que a estatística mais justa é a do
percentual de corridas vencidas pelo número de participações (onde até hoje
Fangio é o grande nome), pois equilibra os dados de uma época em que se corria
6 vezes por ano com as quase 20 corridas anuais dos últimos tempos, mas
enfim... vê-se que Hamilton está empenhado em fazer a sua parte, vencendo as
corridas, e aguarda algum azar por parte do companheiro, já que para ser
campeão não depende mais única e exclusivamente de si próprio. Nico Rosberg
(2º), por seu lado, está correndo com o regulamento preso ao volante. Se continuar
até o fim da temporada assistindo de camarote as vitórias do Hamilton, chegando
em segundo lugar, está com o título na mão. Se arriscar para quê? Enquanto
isso, o público cochila em frente à TV, ou fica na arquibancada de olho no telefone
celular procurando se tem algum Pokemon na área para caçar...
Em 3º, ao menos de acordo com os comissários, e pelo menos
até o horário de fechamento dessa coluna, podendo mudar de acordo com os
humores da Dona FIA, chegou Daniel Ricciardo. Correu direitinho, trocou os
pneus muito cedo (já no safety-car do início da corrida, causado pelos gênios
do volante Gutiérrez, Wehrlein e Ericsson), e a sua estratégia diferente acabou
dando certo. Não merecia ter participado daquela ópera bufa entre Mad Max e o
Grão Chiliquento Mor, mas pelas vias tortas acabou sendo recompensado. Seu
companheiro Max Verstappen acabou ficando em 4º lugar, e continuo achando que
umas 10 corridinhas na NASCAR fariam um bem enorme para o garoto. Ele tem que
entender que não está sozinho na pista, e que automobilismo não é xadrez,
envolve riscos. Acho que até os 25 anos aprende.
Em 5º terminou o atual Grão Chiliquento Mor da categoria (o
antigo detentor do título, Fernando Alonso, agora é o Vice Chiliquento Mor),
Sebastian Vettel. Piloto nervoso, muito nervoso, com os nervos completamente
fora de controle. O melhor que pode acontecer para ele é o final da temporada.
Seu companheiro Kimi Räikkönen (6º) fez uma corrida apagada. É o melhor que se
pode dizer dele, outro que está torcendo por um carro menos ruim ano que vem.
Em 7º chegou Nico Hülkemberg, mostrando que a decisão da
Renault de o contratar para o ano que vem foi acertada, conquistando o melhor
resultado que ele poderia almejar em condições normais e sem quebra do carro de
alguma das 3 grandes equipes. Seu companheiro Sérgio Pérez (10º) correu com o
apoio da torcida, mas para azar dele esse apoio não se converteu em velocidade
máxima para ultrapassar os dois carros da Williams. Contudo não foi um
resultado ruim, longe disso.
Em 8º e 9º lugares chegaram os pilotos da Williams, Valtteri
Bottas e Felipe Massa, respectivamente, com um carro excelente de retas mas não
tão brilhante nos trechos sinuosos. Ainda assim, foi o suficiente para os dois
carros pontuarem novamente.
Próxima corrida daqui a duas semanas, GP de Interlagos, em
uma semana festiva para o segmento de eventos em São Paulo, afinal também
teremos nesse período o Salão do Automóvel, fazendo alguns segmentos da
economia faturarem bastante nesses dias.
De resto, Jimmie Johnson confirmado para o segmento final do
Chase na NASCAR, com a vitória no (para mim) horrível oval de Martinsville.
Ainda bem que semana que vem a corrida é numa pista de verdade, no Texas.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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