Olá, leitores!
Quando amanheceu chovendo, eu juro que imaginei que a
corrida seria emocionante... que engano! Tudo errado: carros que dependem quase
exclusivamente da aerodinâmica para manter a aderência, pneus de chuva ruins da
fornecedora oficial, e uma geração de pilotos que prefere reclamar no rádio a
pilotar de verdade. Os carros mudarão para o ano que vem, mas os pneus devem
continuar tão ruins quanto, e os pilotos... esses não tem jeito. Geração mimimi
cheia de força na principal categoria de monopostos do planeta. Por isso
prefiro acompanhar a NASCAR, o WTCC e o WRC, categorias em que se o piloto for
um bebê chorão ele não dura nem uma temporada inteira. Enfim, como dizem, é o
que temos para hoje.
E tem também os dirigentes que não cooperam com a situação
geral... não é que o Toto Wolff, da Mercedes, ligou para o Jos Verstappen e
pediu educadamente que ele falasse para o filho não se envolver na disputa
entre os dois pilotos da Mercedes? Tem condições isso? Claro que foi
solenemente ignorado e o Jos ainda tornou público o conteúdo da conversa,
básico. Tão ridículo que não merece permanecer privado... é esse tipo de dirigente
que a categoria merece? Creio que não.
Bom, vamos ao que interessa: a vitória da conturbada corrida
ficou com Hamilton, que assim adia a decisão do título para Abu Dhabi, no
último domingo de novembro. Soube aproveitar as oportunidades de ficar na
frente nas relargadas, não cometeu erros, e levou merecidamente o troféu de
vencedor para casa, realizando seu sonho de vencer na terra do Senna, piloto
que o inspirou a ponto de usar capacete inspirado no dele – aliás, para o GP
Brasil usou um capacete comemorativo, metade a sua pintura, metade a do Senna.
Seu companheiro Rosberg (2º) não quis correr riscos, apenas teve que ficar um
pouco mais atento quando estava em 3º após ser ultrapassado pelo Verstappinho,
mas conseguiu voltar ao 2º lugar graças às tentativas equivocadas da Red Bull
em usar os pneus intermediários, e continua dependendo apenas de si mesmo para
ser campeão. Agora é torcer para nada dar errado em Abu Dhabi, né seu Nico? Vai
que um pneu fura, algo errado acontece no motor, um retardatário roda e bate
nele, e aí Rosberguinho perde o título por falta de vontade de decidir antes...
enfim, vamos ver o que acontece.
Em 3º, após fazer uma corridaça, chegou Max Verstappen.
Largou bem, pressionou Rosberg, passou Rosberg, caiu lá para trás na estratégia
da Red Bull, botou a faca entre os dentes no piso molhado, e recuperou a
posição que lhe era devida, a de melhor entre os não Mercedes. Esse garoto
pilota muito, muito bem, definitivamente ouviremos muito dele no futuro... Seu
companheiro Ricciardo (8º) teve a corrida atrapalhada pela estratégia, pelo
safety car e até pelas bandeiras vermelhas. Lutou bastante, mas essa luta não
rendeu posições no final. Talvez o mais azarado dos pilotos que terminaram a
corrida.
Em 4º apareceu um surpreendente Sérgio Pérez, que poderia
ter terminado no pódio não fosse o dia absolutamente inspirado do Max
Verstappen. Pérez demonstrou uma grande habilidade no piso molhado, e devo
admitir que ele merecia o pódio, porém havia um Verstappen no meio da pista, no
meio da pista havia um Verstappen... Seu companheiro Hülkemberg (7º) poderia
ter chegado mais à frente, mas atingiu os destroços do carro do Kimi e furou o
pneu, indo parar lá no fundo do pelotão. Até conseguiu recuperar um bocado de
posições em condições de visibilidade precárias, mas fica a dúvida de quão à
frente ele poderia estar sem o furo no pneu... ainda assim, uma grande
exibição.
Em 5º chegou Sebastian Vettel, fazendo aquilo que ele faz de
melhor ultimamente: se lamentar. Foi a rodada, a aquaplanagem, o tempo que
levou para passar o Sainz, a disputa de posição com o Max... que venha 2017,
novo carro e principalmente novo astral para ele, muito difícil esse Vettel de
2016. Seu companheiro Kimi Räikkönen (20º) abandonou após aquaplanar em plena
reta dos boxes com os “maravilhosos” pneus de chuva da Pirelli, e deu muita,
mas muita sorte de não ser atingido por outro carro após bater no muro pela última
vez.
Em 6º lugar, feliz da vida, chegou Carlos Sainz Jr., e com motivos: fez uma
belíssima corrida, afinal largou em 15º e terminou 9 posições adiante, o que na
F-1 moderna é um grande feito. A chuva com certeza ajudou a amenizar a falta de
potência do motor Ferrari do ano passado, e ele teve condições de fazer uma
apresentação de gala. Seu companheiro Daniil Kvyat (13º) deu azar, foi atingido
em uma das relargadas pelo Palmerzinho (tinha que ser...) e ficou com o carro
desalinhado, acabando com sua chance de qualquer bom resultado.
A grande surpresa foi o Felipe Nasr, com aquela carroça
chamada Sauber, terminar em 9º lugar. Definitivamente um feito para o jovem
brasileiro que, infelizmente, ainda não tem vaga confirmada para o ano que vem.
Espero sinceramente que essa corrida possa ajudar na disputa por um assento
para 2017. Seu companheiro Marcus Ericsson (21º) errou na subida dos boxes, deu
uma beliscada na molhada zebra interna da entrada da Curva do Café, rodou,
bateu forte na mureta de proteção e acabou parando o carro na entrada dos
boxes, garantindo mais uma entrada do safety car na pista. Deu sorte no
acidente.
Fechando a zona de pontuação, encontramos Fernando Alonso
(10º), que não ficou exatamente feliz com a posição de chegada, afinal largou
em 10º, terminou em 10º, mas alguns abandonos aconteceram na frente dele, fazendo
com que ele não ficasse exatamente satisfeito com o ponto conquistado. Seu
companheiro Button (16º) reclamou muito do carro, que segundo ele estava muito
instável.
E no seu último GP Brasil o Felipe Massa não conseguiu
terminar a prova, mas ficou emocionado com o carinho recebido da torcida que
enfrentou a chuva para ver a corrida. Bateu na subida para os boxes, abandonou
em frente à sua torcida, se enrolou em uma bandeira do Brasil que lhe foi oferecida,
e passando pelos boxes em direção àquele da Williams foi aplaudido pelos
mecânicos da Mercedes, assim como pelos mecânicos com quem trabalhou em seus
tempos de Ferrari. Não deixou de ser bonito. Que ele vá encontrar sua
felicidade no WEC, na F-E, ou qualquer outra categoria que ele ache que será
seu futuro. Pessoalmente acho que a carreira dele acabou no dia que recebeu a
mola na cabeça, já que naquele momento morreu qualquer arrojo que ele tinha
antes daquilo, mas até aquela época foi um piloto muito bom.
Agora é torcer para que a próxima prova não nos faça dormir
em frente à TV – o que, com o traçado de Yas Marina, acho difícil.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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