Olá leitores!
Até que enfim recomeçou a temporada de Fórmula 1! Os fãs
daquela que AINDA é a principal categoria de monopostos do planeta (e digo
ainda pois a concorrência não ajuda, é muito incompetente em retirar a primazia
da F-1 apesar de todas as decisões erradas da FIA) teve como característica
principal o anticlímax, seja no treino classificatório, seja na corrida
propriamente dita.
Vamos aos treinos: Q1 e Q2 foram maravilhosos, movimentados
como há muito não se via com essa receita de “dança das cadeiras”, onde a
partir mais ou menos da metade do treino os pilotos mais lentos iam sendo retirados
da briga por posições. Só que no “filé” da classificação, o Q3, simplesmente
quem não tinha chance de brigar pela pole fez uma volta rápida logo no início
do treino, voltou para os boxes...e não saiu mais. No meio do tempo, todos já
tinham feito suas voltas, sabiam que no máximo retirariam alguns décimos que
serviriam para ganhar no máximo uma colocação no grid, e desencanaram de voltar
para a pista. Anticlímax total. Tanto que Dona FIA fez uma reunião após o
treino e ficou decidido que na próxima etapa, no Bahrein, volta o formato do
ano passado. Acho que poderia ser tentado manter o novo formato para Q1 e Q2 e
voltar ao padrão anterior para o Q3, mas, enfim...
Já na corrida, com a nova limitação de auxílio de largada. As
Mercedes largaram mal (principalmente Hamilton) e as duas Ferrari assumiram a
ponta. O espectador começou a pensar “Oba, algo diferente em relação ao ano
passado!”, mas ao final da corrida... outro anticlímax, a temporada 2016
começou como terminou a de 2015. Acho que o grande ponto positivo da prova foi
mostrar como os carros estão seguros hoje em dia, graças ao forte acidente do
Alonso ao tocar na traseira do Gutiérrez e capotar. Aliás, está na hora da FIA
pensar em proteções como as usadas na Indy atrás dos pneus traseiros para
evitar essas decolagens. É feio? Sim, definitivamente, mas as laterais de cockpit
altas, os bicos dos últimos anos e o novo sistema de proteção de cabeça que
está sendo desenvolvido, ao menos na configuração testada pela Ferrari nos
treinos coletivos de Barcelona, o Halo (a.k.a. “Tira de sandálias Havaianas”),
também são muito feios e nem por isso foram ou estão sendo desconsiderados.
Vitória na estratégia de equipe para Rosberg, que aproveitou
a bandeira vermelha causada pela monumental panca do Alonso para colocar os
pneus mais duros possíveis e levar o carro sem paradas até o final, seguindo o
exemplo de seu companheiro Hamilton (2º) que já tinha feito essa mudança.
Hamilton, por sinal, que veio em uma bela corrida de recuperação após cair para
7º lugar. Dobradinha da equipe que dominou ano passado e tem grandes chances de
dominar esse ano também. Mas foi bom ver que, em pistas mais lentas ao menos, a
vitória não virá de maneira fácil.
Em 3º chegou Vettel, que pareceu contente – ou ao menos
conformado – com o resultado, brincando com Hamilton antes de subirem ao pódio.
Talvez a alegria tenha a ver com a primeira parte da prova, onde ele foi
realmente ótimo, desde a magnífica largada até o gerenciamento da vantagem
sobre o companheiro de equipe. Poderia ter obtido resultado melhor com outra
estratégia? Talvez. Mas, como disse, pareceu satisfeito. Seu companheiro
Räikkönen (18º) abandonou com problemas mecânicos – inclusive fogo saindo da tomada
de ar do motor, requerendo intervenção do bombeiro.
Em 4º chegou Daniel Ricciardo, para alegria da sua torcida,
que o apoiou o final de semana todo. Aparentemente o motor Renault recalibrado
e rebatizado de Tag Heuer (marca de relógios que patrocina a equipe) é mais competitivo
que o do ano passado, ao menos em pistas lentas. Vamos ver como vai se
comportar na hora em que forem necessários muitos e muitos cavalos
empurrando... ao menos já deu para ver que o chassi da Red Bull nasceu muito
bem, pois nos trechos sinuosos ele estava sempre entre os mais rápidos. Seu companheiro
Daniil Kvyat ficou em último lugar, teve problema no final da volta de
apresentação e nem largou.
Em 5º, com razoável surpresa por conta desse vosso escriba,
chegou Felipe Massa. Surpresa pois aparentemente esse carro da Williams poderia
e deveria ser melhor, mas o resultado acabou vindo. Vou até bater 3 vezes na
madeira, mas a equipe não sacaneou os pilotos na troca de pneus, acho até
melhor comentar baixo, vai que eles escutam e voltam a fazer aquele serviço
horroroso do ano passado... a bem da verdade, o que ajudou mesmo o carro de
Massa foi a Toro Rosso se atrapalhar com a estratégia na hora da bandeira
vermelha. Ambos os pilotos estavam mais rápidos que a Williams, o que já acende
a luz vermelha, ou pelo menos uma amarela piscante, na sede da equipe. Os
engenheiros vão ter que trabalhar para arrancar melhor desempenho do carro
durante a temporada. Se conseguirão, é outro departamento... Seu companheiro
Bottas terminou em 8º lugar, após largar em 16º lugar por conta de uma punição
por troca de caixa de câmbio. Não foi mal, mas...
Em 6º lugar, um feliz Grosjean com a estreante Haas. Largou
em 19º, andou no pelotão intermediário por um bom tempo e por ocasião da
bandeira vermelha recebeu os pneus médios (os mais duros disponíveis para o
final de semana) para ir até o final sem paradas. Deu certo, e ele e a equipe
comemoraram como se fosse uma vitória. Seu companheiro Gutiérrez vinha na mesma
estratégia até ser abalroado pelo Alonso e excluído da prova.
Em 7º chegou Nico Hülkemberg, em uma pista que historicamente
não se adapta muito às características dos carros da Force India, e dando mais
uma vez prova do seu enorme talento ao pressionar o Grosjean enquanto era
pressionado por outros pilotos que buscavam sua posição. Grande corrida, mais
uma vez. Seu companheiro Pérez (13º) largou mal, ficou encaixotado no tráfego e
ainda teve problemas de freio no final. Que dia...
Fechando a zona de pontuação vieram as duas Toro Rosso,
respectivamente Sainz Jr. e Verstappen. Resultado bom para Sainz Jr, e
decepcionante para Verstappen, que largou muito bem e chegou a andar entre os
ponteiros no começo da corrida. Enfim, o carro mostrou que é bom. Como a equipe
usa o motor Ferrari do ano passado, não deve ter evoluções durante o ano,
portanto devemos ver como o carro irá se comportar. Ao menos para as primeiras
corridas demonstrou grande potencial de resultado.
Próxima etapa será no deserto, Bahrein, dia 3 de abril. Espero
que seja uma corrida mais consistente em termos de emoções propiciadas ao
público. Talvez eu seja um otimista incorrigível.
Até a próxima!!
Alexandre Bianchini
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