quarta-feira, 23 de março de 2016

Expectativa X Realidade



E foi complicado parar alguns minutos para falar de futebol. Não que não tenha tido tempo para isso. Faltou-me mesmo é motivação. Já vi começo de temporada piores dos times grandes paulistas, mas, mesmo assim, eram casos isolados. Os times considerados grandes, mesmo remodelando suas equipes, sempre apareciam com uma sequência de trabalho do ano anterior, ou com uma perspectiva para que isso acontecesse. Desta vez não aconteceu. Equipes parecem ter começado do nada, zero. Jogos terríveis para os torcedores, mesmo quando há vitória. Derrotas em jogos fáceis, empates técnicos na ruindade dos jogos. Não tem sido o melhor ano dos quatro grandes de São Paulo.

Dentro de um comparativo, Corinthians é a melhor equipe atualmente. Não que haja uma grande diferença entre eles. Acontece que a equipe campeã brasileira, que não existe mais, foi reformulada num trabalho de pouco mais de dois meses. Novos jogadores, a mesma disposição tática. Trabalho de início o coloca na segunda fase da Libertadores e classificado a largos passos no Paulista. Nem o mais otimista torcedor esperaria uma coisa dessas. Muito disso se deve a comissão técnica, estrutura de trabalho e uma filosofia construída há cinco anos.

Na contramão disso, Palmeiras parece não se acertar. Vieram muitos jogadores, e quase todos medianos para bons. Nenhum fora de série, é verdade; mas um conjunto forte dentro dos padrões brasileiros. É perceptível que para algumas funções não acertaram, mas isso não é fundamental na campanha. Há elemento que, críticos, torcedores e diretores (descobriram tardiamente); veem na equipe: a falta de conjunto. Mesmo com meses e meses de trabalho de Marcelo Oliveira, Palmeiras começa o ano de 2016 como se os jogadores tivessem se conhecido há pouco. A chegada do Cuca já alterou a questão da posse de bola, mas os resultados não vieram. O grande problema é: se não vierem? Cuca pode ter um tempo encurtado, como não aconteceu com Marcelo Oliveira, saindo antecipadamente antes de montar uma equipe. O que significa mais uns meses de trabalho perdido.

A situação do São Paulo é um tanto pior. Se o Palmeira não tem conjunto, embora tenha uma equipe, o Tricolor não tem ambos. Não dá para saber quem está pior, mas dá para criar uma expectativa para o Palmeiras, coisa que ninguém envolvido com o São Paulo é capaz de fazer. Péssima fase administrativa, péssima fase de alguns jogadores; só não dá para culpar ainda a comissão técnica. São Paulo é um conjunto de jogadores que, não tendo conjunto dentro dele, parece ter também fora de campo várias questões de falta de sincronia. É muito difícil Palmeiras e São Paulo ficarem fora do Paulista, mas ambos correm risco na Liberadores. 

Não dá para colocar nesse bolo a equipe do Santos. Não participando da Libertadores, era evidente que a diretoria não gastaria um centavo para grandes contratações. Os únicos jogos do Santos são contra equipes do interior de São Paulo. Ganhou, é verdade, do Corinthians em casa. Em condições não igualitárias, visto a prioridade do time da Capital. Assim, não há como compará-lo aos times que participam da Libertadores. Aquilo que vi até agora é o resumo do Santos dos últimos anos: seleiro de jogadores no ataque, um sofrimento para manter ordenada a defesa. 





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