Olá leitores!
Eu diria que esse final de semana foi didático. Ensinou que
jamais devemos nos levar pelas primeiras impressões. O fã de automobilismo que
assistiu ao treino classificatório para o Grande Prêmio do Bahrein (muito
estranho o nome do país, até por ser islâmico – portanto não permitindo o
consumo de bebidas alcoólicas – e foneticamente parecer muito com o final da
frase “Te encontro lá no bar, hein!”, difícil se acostumar) achou que o final
de semana automobilístico seria perdido, de tão chato que foi com o velado
boicote das equipes e pilotos ao novo formato de classificação. Eu entendo esse
formato: a FIA tentou atrair o público jovem. Provavelmente algum dos velhinhos
vetustos da FIA viu algum dos netos ou bisnetos jogando videogame, e descobriu
que em alguns videogames de corrida tem um formato de corrida que é isso, a
cada volta o último colocado é eliminado da disputa. Achou que seria uma boa
fazer isso no treino de classificação, e inventou esse método. Só que não necessariamente
o que funciona no videogame funciona na vida real, e o formato, apesar de
teoricamente interessante, não está funcionando. As equipes querem voltar ao
formato antigo, mas a Dona FIA não quer. A propósito, foi apresentada uma nova
proposta, que seria a somatória das duas voltas mais rápidas do piloto em cada
um dos segmentos do treino. Apesar de em tese apresentar alguma complexidade
por conta dos pneus, pareceu-me algo mais lógico, dentro da intenção da FIA de
aumentar o tempo dos carros circulando pela pista. Pessoalmente, gostei da
ideia, vamos ver se vinga...
E o final de semana, para quem gosta de esporte a motor, foi
maravilhoso. No sábado, começamos com a vitória do brasileiro Lucas di Grassi
na etapa da corrida de furadeiras, ops, Fórmula E, em Long Beach (dessa vez,
sem desclassificação...), depois tivemos uma corrida muito boa no curto mas
simpático oval de Phoenix, onde na largada tivemos uma primeira fila brasileira
(Helinho na pole e Kanaan em 2º) mas a vitória ficou com o atual campeão Scott
Dixon, que se aproveitou dos azares de Helinho com os pneus (terminou em 11º) e
Tony Kanaan com uma bandeira amarela (terminou em 4º, provando que estava com o
carro muito bem acertado) para alcançar mais uma vitória com uma estratégia e
uma pilotagem excelentes. Domingo, após a F-1, tivemos uma empolgante corrida
de MotoGP na Argentina, com vitória do Marc Márquez e 2º lugar do Valentino
Rossi, posição que caiu no colo dele depois que os dois pilotos da Ducati se
envolverem em um acidente bizarro na última curva (Andrea Iannone foi tentar ultrapassar
o companheiro Andrea Dovizioso, perdeu o controle da moto, caiu e levou o
companheiro de equipe junto. O clima no motor home após a corrida deve ter
ficado muito legal...), e na NASCAR o Buschinho obteve sua primeira vitória na
categoria principal esse ano, após uma corrida muito consistente e com a
surpresa de ter o A.J. Allmendinger em 2º lugar, logo ele que é um especialista
de circuitos mistos tendo um dos melhores resultados de sua carreira no oval
mais curto da NASCAR.
Com todas essas corridas legais, seria um anticlímax logo a
F-1 ter uma corrida chata. E a prova foi bem interessante, ajudada pelo
incidente entre o Hamilton e o Bottas na primeira curva (na MINHA opinião,
choque de corrida, o Lewis não viu que o Bottas estava colocando o bico do
carro por dentro, fechou a porta e se tocaram; os brilhantes comissários da FIA
não entenderam assim e puniram o finlandês com um drive-through).
Vitória do Nico Rosberg, que superou seu companheiro na
largada e depois apenas teve o trabalho de fazer os outros competidores ficarem
a uma distância segura do seu carro. Vitória relativamente fácil. Seu parceiro
Hamilton terminou em 3º, mesmo tendo caído para 8º lugar após o toque do
Bottas, mas a superioridade do carro (mesmo com o assoalho danificado) fez com
que o pódio fosse possível, e a distância dele para o companheiro na pontuação
do campeonato não cresceu muito. Precisa parar de errar feio nas largadas, mas
velocidade mostrou que ainda tem de sobra.
Em 2º chegou Kimi Räikkönen, mostrando que Murphy está de
marcação com ele: ultimamente consegue chegar ao pódio apenas em países onde o
consumo de álcool é proibido, e o pódio é comemorado com água de rosas
gaseificada... independente disso, fez uma senhora corrida, mesmo não tendo
largado bem. O ritmo de corrida da Ferrari se mostrou bem próximo daquele das
Mercedes, embora o finlandês tenha declarado que não era o suficiente para a
vitória, e é uma pena que o motor do companheiro Vettel tenha estourado ainda
na volta de apresentação, seria o dia para a equipe fazer um bom resultado.
Em 4º chegou um (para mim) surpreendente Daniel Ricciardo.
Por que surpreendente? Ora, o motor da Red Bull ainda tem um bocado de cavalos
a menos que os da Mercedes e Ferrari, mesmo tendo um preparador diferente da própria
Renault... a verdade é que o australiano pilotou muito, e fez por merecer o
resultado. Literalmente descontou no trecho mais sinuoso aquilo que perdia nas
duas grandes retas do final da volta, e isso é digno de nota. E lembremos que
ele teve a asa dianteira danificada no enrosco entre Bottas e Hamilton, e
continuou na pista assim mesmo até o primeiro pit-stop. Seu companheiro Kvyat
(7º) teve uma prova um pouco mais conturbada, mas conseguiu um bom ritmo de
corrida e, dentro das dificuldades que enfrentou, foi um belo resultado.
Em 5º veio Romain Grosjean, com a surpreendente Haas.
Poderia fazer a piada que esse foi fazer a América, mas seria muito infame e muito
batida. A verdade é que os americanos aproveitaram o regulamento à perfeição, e
a parceria técnica com a Ferrari está rendendo frutos. Os europeus estão com
mimimi, mas esquecem que nos anos 70 uma boa parte das equipes apenas construía
seu chassi, comprando o mesmo motor Ford Cosworth e o mesmo câmbio Hewland para
seus carros. Enfim, não pareceu aquele Grosjean de antigamente, que vivia se
envolvendo em acidentes, fez uma corrida arrojada mas madura, e o resultado foi
mais do que merecido. Seu companheiro Gutiérrez (19º) teve um bom início de
prova, mas depois abandonou por problemas nos freios.
Em 6º, último na volta do líder, chegou Max Verstappen, com
sua Toro Rosso. Ele se aproveitou da velocidade de reta do motor Ferrari para
construir um bom resultado, e dessa vez desceu do carro calminho, sem xingar ninguém,
devem ter trocado o Red Bull da garrafinha dele por chá de capim limão, estava
quase zen. Seu companheiro Sainz Jr. (18º) acabou abandonando a prova.
Em 8º e 9º a dupla da Williams, respectivamente Massa e
Bottas. Sinceramente, eu preferia não comentar sobre a equipe, mas devo
ressaltar a evolução deles: ano passado estragavam o trabalho do piloto na
estratégia e nas paradas de boxe, dessa vez foi só na estratégia... não é nada,
não é nada, já representa um avanço. Bottas admitiu o erro na freada após a
largada, e nem ficou bravo com a punição que recebeu.
Fechando a zona de pontos, Stoffel Vandoorne... ops,
quem???? Sim, o piloto reserva da McLaren, que ganha um salário muito, mas
muito menor que as estrelas da equipe, Button e Alonso, foi ele quem deu o
primeiro ponto para a McLaren esse ano. Entrou no lugar de Alonso, vetado pelos
médicos após a terrível panca na Austrália, e aproveitou a chance que teve
mostrando MUITO serviço ao volante de um carro que... não é tão ruim como o do
ano passado, mas está longe de ser uma maravilha da mecânica. Button abandonou logo
no começo. Se eu sou o chefe da McLaren, começo a avisar que vou jogar nos
dadinhos quem vai sair da equipe para a entrada do menino Stoffel, quem sabe os
dois figurões não se animam...
Próxima corrida, 17 de abril, na China. Vamos ver se até lá
o pessoal se define por um formato de classificação mais razoável, ou se ao
menos para de boicotar esse atual e vai para a pista acelerar a sério.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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