Olá leitores!
E temos mais um nome na galeria dos tricampeões da Fórmula 1:
Lewis Hamilton. Dentre os pilotos que possuem carros para andar na parte da
frente do grid não me parece ser o mais talentoso, mas definitivamente é o mais
arrojado e eu diria que é o que comemora com mais emoção as suas conquistas.
Conquistou o título ainda faltando 3 corridas para o encerramento da temporada,
afinal o carro da Mercedes é tão superior que o único adversário era o próprio
companheiro de equipe, que esse ano estava com a cabeça em qualquer outro
lugar, menos na pista de corrida. Até o meio do ano a preocupação era a
gravidez da esposa, que não estava sendo das mais fáceis, depois nasceu a
criança e – como diria o Comendador – ficou meio segundo mais lento (ainda),
então a tarefa do Hamilton era de não atrapalhar o carro em sua trajetória até
o título, e ele não atrapalhou. Acredito ter sido uma conquista com um sabor
especial devido às condições difíceis da pista, pois a passagem do furacão Patrícia
pelo Golfo do México tornou a cidade de Austin (Texas) definitivamente muito
molhada, tanto que na sexta-feira à tarde não teve treino livre, a
classificação foi transferida da tarde do sábado para a manhã do domingo, e a
corrida começou com pista molhada, secou, e no final ainda caíram algumas gotas
de água para dar um pouco mais de emoção (como se precisasse...) à corrida, que
se não foi a melhor do ano está entre as 3 melhores.
Azar da TV e das emissoras de rádio, que perderam uma
corrida com diversas emoções do começo ao final e a decisão do título para
passar jogo de futebol... infelizmente, a médio prazo, creio que as únicas
alternativas para transmissão de automobilismo no Brasil sejam a TV por
assinatura ou o streaming, pois a partir do momento em que não existe um “novo
Senna” para mostrar o descaso e o desrespeito da mídia tradicional com o
automobilismo está cada vez mais escancarado. Fica o sonho de termos algo no
Brasil como existe na Europa com a Sky Sports 1, canal por assinatura que faz
uma cobertura que começa meia hora antes da corrida e termina meia hora após,
com comentaristas altamente conceituados e especializados no meio. Enfim, sonhar
AINDA não paga imposto, que sonhemos, pois.
Vitória e título do Hamilton, que liderou a partir da
primeira curva, quando passou arrojadamente o companheiro Rosberg (2º), que
depois ficou com cara de criança mimada que não ganhou de Natal o presente que pediu.
O que dizer do Rosberg? Fez a pole, masfoi espremido pelo Lewis na primeira
curva, preferiu reclamar no rádio ao invés de disputar a posição, e depois
terminou em 2º porquê a pista secou e a vantagem de carro sobre os demais era
muito evidente. Até chegou a liderar a corrida, passou Hamilton na pista e não
nos boxes, mostrou por alguns minutos ser um piloto com um pouco de vontade de
chegar na frente. Só que depois cometeu um erro de piloto novato e permitiu que
seu companheiro o ultrapassasse de novo. Se eu sou da Mercedes, já arrumava uma
vaga para o Werhlein (campeão desse ano no DTM com Mercedes) para 2017, pois
não dá. Ano passado ele teve um brilhareco, antes conseguiu se impor sobre um
Schumacher que tinha se afastado da condução de algo tão especializado quanto
um F-1, mas é um bom segundo piloto. Um Patrese de luxo, com salário de luxo.
Quase um Boutsen. Piloto alemão por piloto alemão, existem melhores opções que
o Rosberg para a Mercedes colocar ao volante de seus carros. Enfim, vitória e
título com méritos para o Lewis Hamilton, parabéns!
Em 3º, grudado no Rosberg, chegou Vettel. Fez uma CORRIDAÇA,
largando de 12º (recebeu punição de perda de 10 posições no grid pela troca do
motor), terminando a primeira volta em 7º e galgando até o 3º lugar. Para mim,
o melhor piloto da pista nesse domingo. Seu companheiro Räikkönen (16º) também
teve um desempenho bom, mas perdeu o controle em uma das freadas de curva que
estava particularmente escorregadia (outros pilotos também estavam com
problemas ali) e foi de encontro às placas de proteção. Ainda assim, conseguiu
retornar aos boxes para fazer alguns reparos, mas depois acabou abandonando a
31 voltas para o final. Pelas condições meteorológicas, devia estar se sentindo
em casa...
Em 4º lugar chegou o monumental Max Verstappen, 18 anos
completos em 30/09, fez mais uma de suas corridas de encher os olhos, que
saltam mais à vista quando lembramos que ele corre com motor Renault,
nitidamente em desvantagem em relação aos Mercedes e Ferrari. Ano que vem a
Toro Rosso deve receber motores da Ferrari (a novela do fornecimento para a
equipe principal continua...), o que deve gerar um salto qualitativo no
desempenho da equipe. Seu companheiro Sainz Jr chegou em 7º lugar, ajudando a
equipe no Mundial de Construtores e fazendo uma bela corrida também. Conseguiu
se desvencilhar de uma série de enroscos no começo da corrida, e fez seu papel
com competência.
Em 5º chegou Pérez, outra boa apresentação do mexicano que
está em uma fase realmente iluminada. Deve atrair um bocado de gente para o GP
em sua terra natal semana que vem (se é que ainda tem ingresso à venda... o
mexicano gosta muito de automobilismo). Se aproveitou das boas retas da pista
texana e dos diversos abandonos para obter mais um bom resultado, embora não
tenha aparecido muito na transmissão de TV. Seu companheiro Hülkemberg (14º)
abandonou a 21 voltas do filam após se enroscar com o Ricciardo e danificar o
carro. Antes disso, vinha fazendo uma prova bem razoável.
Em 6º, beneficiado pelos deuses da pista escorregadia,
chegou Button, com sua McLaren Honda. Sim, a McLaren conseguiu mais uma vez
pontuar, por mais estranho que isso possa parecer essa temporada. E ele estava
com a versão anterior do motor, ao passo que seu companheiro Alonso (11º)
estava com a mais nova, com alguns cavalinhos à mais. Uma daquelas corridas em
que a suavidade na condução do carro em condições de baixa aderência foi
amplamente recompensada. Alonso, por sua vez, só não foi ultrapassado pelo
americano Rossi, da Manor. O espanhol devia estar tããããããão bem humorado no
final...
Em 8º, sem se envolver em um único acidente que fosse em uma
corrida acidentada, chegou Maldonado. Sim, é isso mesmo que vocês leram,
Maldonado deixou os outros se envolverem em acidentes e ele não fez nada de
errado. Parabéns a ele pelo resultado! Seu companheiro Grosjean (18º), em
compensação, teve problemas mecânicos e abandonou cedo a corrida.
Em 9º veio Felipe Nasr, marcando mais 2 pontinhos para a
Sauber e provavelmente aprendendo mais a respeito do carro na corrida mesmo, já
que nos treinos duvido que tenha dado mais de 20 voltas com o carro. Haja vista
as condições do carro (que praticamente não evoluiu durante o ano) e da falta
de conhecimento dele a respeito da pista e das reações do carro nela, um grande
resultado. Se não tivesse se enroscado logo nas primeiras voltas com seu
companheiro Ericsson (19º), forçando o abandono dele, talvez pudesse até, quem
sabe, chegar em 7º lugar.
Em 10º, fechando a zona de pontuação, chegou Ricciardo. Fez
uma corrida muito boa, disputou muitas posições, chegou a liderar a prova, mas
teve seu desempenho prejudicado após o toque com a Force India do Hülkemberg, sendo
que o resultado final definitivamente não fez jus ao desempenho apresentado por
ele durante a corrida. Seu companheiro Kvyat (13º), último piloto a abandonar a
prova, também fez uma corrida ótima, mas bateu na última curva a 15 voltas do
final. Uma pena, pois foi um dos mais arrojados na pista e merecia um resultado
melhor.
Próxima etapa já na semana que vem, GP do México, a F-1
voltando ao Hermanos Rodriguez após ele receber “intervenções” do Tilke. Ou
seja, esqueçam a Peraltada (que não existia mais desde os anos 90), aqueles
esses que tinham antes da reta que levava à Peraltada foram suavizados, menos
mal que a reta dos boxes continua enorme e a chicane ao final dela continua
como era antigamente, apenas com mais área de escape. Mas preciso ver a pista
antes de emitir qualquer juízo a respeito. Novamente, transmissão de qualquer
coisa apenas pela TV por assinatura, duvido que tenha rádio na semana que vem (esse
final de semana, conforme informei lá no começo, não teve).
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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