Olá leitores!
Sempre é difícil escrever sobre a corrida de Barcelona...
como escrever a respeito de uma corrida TÃO chata? É fácil escrever sobre uma
corrida agradável, com uma pista legal, com boas disputas de posição... o
circuito localizado em Montmeló não é nada disso. É uma pista que na época em
que o regulamento permitia grandes diferenças de motorização e a aerodinâmica
não era tão fundamental como hoje ainda conseguia gerar algum interesse. Hoje
em dia, mesmo levando em conta as pistas do Oriente Médio e da Ásia fora do
Japão, produz a corrida mais chata da temporada. Talvez porquê se espere de uma
corrida europeia um pouco mais de emoção do que uma pista feita em um país que
não tem a menor tradição em esporte a motor. A própria Espanha possui pistas
melhores: com o atual regulamento, Jerez de la Frontera seria uma pista melhor
do que era na época de Senna, Mansell e Prost. Com o atual regulamento, o
barulho dos carros diminuiu razoavelmente, e poderia ser usada a velha Jarama,
ameaçada que está pela especulação imobiliária. Existe uma pista nova, feita
pelo queridinho da FIA e detestadinho desse vosso colunista Hermann Tilke em
Aragón que poderia perfeitamente ser usada, está de acordo com as regras de
segurança da Federação Internacional de Motociclismo, que são mais rígidas que
as da FIA por questões óbvias... até concordo com a existência da corrida na
Espanha, desde que em outro autódromo. Opções existem.
Mas vamos ao que interessa, corrida! E na pista a vitória
ficou com Nico Rosberg, mostrando que não desaprendeu a pilotar de um ano para
outro. Ao menos nessa corrida, aquele Rosberg apático das primeiras etapas não
apareceu e ele dominou a corrida com certa facilidade. Nos momentos em que
sofreu alguma pressão soube manter a cabeça fria e não teve dificuldades
maiores para fazer valer a sua pole position nos treinos – aliás, uma volta de
encher os olhos. Seu companheiro Hamilton (2º) até que tentou no final ameaçar
o jovem alemão, mas não foi possível. Foi uma prova conturbada: perdeu o 2º
lugar na largada para o Vettel, depois teve um problema na roda traseira
esquerda no primeiro pit-stop, e utilizou uma estratégia de paradas diferente
para ganhar a posição do Vettel, já que as tentativas na pista não foram bem
sucedidas. Ele fez uma bela apresentação, mas duvido que tenha ficado feliz com
o resultado, já que ficou nitidamente contrariado pelo rádio quando a equipe
informou que não daria para atacar o Rosberg. Enfim, mais uma dobradinha da
Mercedes.
Em 3º chegou Vettel, que fez o que pôde com um carro que
andou menos perto das Mercedes que nas etapas anteriores. Por menos perto podem
ler a grande diferença de 45 segundos para o líder... Largou melhor que o
Hamilton pois estava na parte emborrachada da pista enquanto o inglês largou na
parte suja, mas nitidamente tinha como trunfo a velocidade de reta para manter
o Hamilton atrás de si. E lembremos, se não tiver uma grande diferença de
motorização ou se o piloto da frente não deixar, não passa nessa pista. Seu
companheiro Räikkönen (5º) até que fez uma boa corrida, largou em 7º e ganhou
duas posições – o que sempre é digno de nota nessa pista. Assim como Vettel,
teve alguns problemas com retardatários, o que pode ter custado a 4ª posição
para ele. Enfim, ainda é um lucro. Quem não deve ter ficado nada feliz é a
equipe de projetistas da Ferrari, ao ver que as novas asas não apresentaram
melhora significativa no desempenho do carro... muito trabalho para os
projetistas agora.
Em 4º chegou Bottas, fazendo uma bela corrida, muito
consistente. OK, chegou na mesma posição em que largou, mas defendeu muito bem
essa posição. O pacote de atualizações na aerodinâmica do carro funcionou, e
ele teve como andar forte boa parte da corrida. De quebra, subiu na
classificação do campeonato, ocupando agora a 5ª posição, à frente de Massa mesmo
com uma corrida a menos. Por falar em Massa, ele terminou na 6ª posição após
uma corrida boa porém discreta. O 6º lugar acabou não sendo ruim para quem
largou em 9º.
Em 7º chegou Daniel Ricciardo, fazendo milagres com o carro
da Red Bull para chegar nessa posição. Nas atuais condições, sem quebra ou
acidente com Mercedes, Ferrari ou Williams, é o máximo que ele pode almejar com
esse carro. Pilotou muito bem. Seu companheiro Kvyat (10º) largou mal e teve
que batalhar a corrida inteira para recuperar o tempo perdido. No final fez uma
bela disputa com Sainz Jr pela 9ª posição, com direito a passeio pela área de
escape e tudo o mais.
Em 8º chegou a Lotus Mercedes de Grosjean, nessa etapa com o
sugestivo patrocínio do filme Mad Max... haja vista a dupla de pilotos da
Lotus, perfeito. Com problemas no freio, acabou errando o ponto de freada no
pit-stop e “atropelou” o macaco, fazendo com que ele batesse com força no
mecânico que o opera. Vai ter que se desculpar um bocado com a turma... seu
companheiro Maldonado (19º) teve uma prova conturbada, com direito a quebra da
aba direita da asa traseira e pedido da equipe para ele recolher o carro para
os boxes no último terço da corrida. Uma prova para se esquecer.
Em 9º chegou Carlos Sainz Jr, marcando pontos na primeira
vez que corre de F-1 em seu país. Fez uma ótima classificação (largou em 5º),
mas não conseguiu manter esse desempenho durante a corrida. Diga-se de
passagem, para um estreante fez uma bela corrida. Seu companheiro Verstappen
(11º) teve problemas para gerenciar o consumo de pneus durante a prova, mas não
foi uma má apresentação.
Próxima corrida dia 24/05, GP de Mônaco, residência de
muitos pilotos e uma das mais tradicionais corridas que existe. Espero
sinceramente que tenha pelo menos metade da emoção da prova de Fórmula E que
aconteceu no sábado (em uma versão mais curta da pista), com dois brasileiros
no pódio (Lucas di Grassi em 2º e Nelsinho Piquet em 3º), para compensar um
pouco essa coisa modorrenta que foi o GP da Espanha.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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