Olá leitores!
Na China sou obrigado a ser repetitivo: pista boa faz
corrida boa... essas “muletas” do regulamento (sistema de recuperação de
energia, asa móvel para ultrapassagens) acabaram tornando algumas corridas que
eram muito ruins em provas interessantes. Mas nem isso foi capaz de fazer o GP
da China ser algo que merecesse a atenção. Esse vosso escriba mesmo deu umas
boas “cabeçadas” durante a corrida, de tão desinteressante que estava. Menos
mal que na hora das cenas mais inusitadas dos últimos tempos eu estava
acordado. Quem conseguiu dar um pouquinho de emoção à prova foi o pelotão do
meio para trás, pois na frente teve alguma
movimentação no começo da corrida, depois foi um ótimo medicamento para
dormir.
Vitória de Hamilton, que largou na frente e apenas teve que
andar rápido o suficiente para seu companheiro Rosberg (2º) não o alcançar. Não
que tenha precisado fazer muita força para isso, já que o Rosberg está com a
cabeça na casa dele, pois a esposa está aguardando o primogênito e passa por
uma gravidez de risco. Em resumo, deram sono.
Em 3º chegou o Vettel, que com os pneus mais moles até
tentou alcançar as Mercedes, mas com os mais duros não conseguiu manter o
desempenho. Ainda falta um bocado de caminho para a Ferrari percorrer para
alcançar o desempenho da Mercedes quando a temperatura está mais baixa – a temperatura
estava por volta de 20°C, ao contrário do calorão escaldante da Malásia. Mas
ele fez o que estava ao alcance do carro, e durante a corrida chegou a fazer
voltas mais rápidas que a dupla da Mercedes. Dependendo do verão europeu,
poderemos ver algumas surpresas... seu companheiro Räikkönen chegou em 4º
lugar, sem enfrentar os diversos problemas que o afetaram em Sepang, mas também
sem pressionar o Vettel. Andou bem, bem os suficiente para impedir qualquer
ataque das Williams.
E por falar em Williams, chegaram logo em seguida, com Massa
em 5º e Bottas em 6º. Aquilo que apareceu levemente nos testes de pré temporada
ficou meio escancarado agora: a Williams desse ano não é tão boa quanto a do
ano passado. OK, a Ferrari melhorou de desempenho, mas a distância da Williams
para a Mercedes aumentou, o que já demonstra a perda de desempenho. Vamos ver
se com o desenvolver da temporada a equipe melhora o carro para termos mais
disputas no pelotão da frente. Massa até que começou bem a prova, foi ultrapassado
pelo Bottas e recuperou a posição, mas aí faltou carro para ir em busca das
Ferrari. Bottas largou bem, passou Massa e Kimi, mas perdeu as posições e fez
uma corrida isolada, já que não estava conseguindo andar com o Massa mas tinha
muito mais carro que o pessoal que vinha atrás. Outra dupla que deu sono na
corrida.
Em 7º chegou Grosjean, marcando seus primeiros pontos esse
ano com a Lotus, que ao contrário da Red Bull e da Toro Rosso esse ano não sofre mais com os motores
da Renault. Fez uma corrida comportada (jamais pensei que escreveria isso sobre
o Grosjean...) e mereceu a pontuação obtida. Seu companheiro Maldonado
abandonou a 7 voltas do final, e foi envolvido em uma situação inusitada:
disputou posição limpamente com Button, passou o piloto da McLaren (que, de
novo, ficou fora da zona de pontos... esse motor Honda melhorou, mas vai levar
um tempo para ficar bom) e... foi atingido por trás pelo Button! Sim, o
Maldonado não causou o acidente, foi vítima de um acidente! Não serei maldoso em
dizer “vivi para ver isso”, mas que foi insólito, isso foi.
Em 8º chegou Felipe Nasr, que pela segunda vez em suas 3
corridas na F-1 pontuou. O carro da Sauber apresentou um bom ritmo de corrida
(bom ritmo para os padrões Sauber, deixemos bem entendido), embora inferior ao
da Toro Rosso e da Lotus. Contudo, o erro do Maldonado no pit-stop o ajudou,
assim como a quebra do motor de uma da Toro Rosso de Max “The Kid” Verstappen,
e ganhou duas posições com isso. Seu companheiro Ericsson também pontuou, chegando em 10º lugar. Esse batalhou por
posições em diversos momentos da prova, e parecia estar com a frente do carro
instável. Estivesse o carro “na mão”, talvez conseguisse um resultado mais
próximo do Nasr . Por falar no Verstappen, como a quebra do motor aconteceu na
reta dos boxes, tiveram a ótima ideia de abrir uma das passagens dos boxes para
a pista para retirar o carro... mas aí os fiscais de pista fizeram uma senhora
lambança, em português castiço, e bateram o carro na mureta umas 3 vezes antes
de finalmente conseguirem levar o carro para dentro. Sem brincadeira, a
inabilidade deles parecia coisa de programa humorístico.
O 9º colocado foi Daniel Ricciardo, que até que fez uma
classificação boa no sábado, mas no domingo teve um problema no controle de largada,
perdeu diversas posições, e o 9º lugar pode servir de prêmio para o grande
esforço que ele fez para subir na classificação da corrida. Seu companheiro
Kvyat foi um dos que abandonaram por quebra de motor.
E para compensar uma corrida muito chata, vai uma boa
notícia envolvendo o Brasil: existe uma equipe brasileira correndo em um
campeonato de GT europeu, a Blancpain Series, que funciona como um Mundial de
GT (Grã-Turismo, carros esportivos “de rua” adaptados para pista), e a equipe
corre como BMW Team Brazil, comandada pelo experiente Washington Bezerra, com anos
e anos de militância nas pistas brasileiras, e pelo Antonio Hermann. Pois bem,
semana passada teve corrida de Stock Car, e devido aos dois pilotos titulares (Valdeno
Brito e Átila Abreu) terem seus compromissos no Brasil com a Stock, a equipe
chamou dois pilotos da BMW europeia... e venceu a prova disputada na França, na
pista de Nogaro. O outro carro da equipe também correu com pilotos reservas, já
que os titulares Cacá Bueno e Sergio Jimenez estavam também correndo de Stock,
e terminou em 10º lugar. Parabéns ao Washington e ao Hermann!!
Próxima corrida de F-1 será já na semana que vem, na “emocionante”
pista do Bahrein, mas ao menos o horário da corrida não é tão ingrato, meio dia
no horário de Brasília.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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