quinta-feira, 2 de abril de 2015

Aconteceu num 2 de abril.


"O maior jogo do mundo". Assim se referia ao principal duelo alvinegro dos anos 60, o alvinegro do Rio, e o alvinegro do litoral Paulista. Duas constelações que formaram a base da seleção brasileira, ajudando a conquistar o bicampeonato mundial em 1958/62, e ainda teriam um papel importante do tri do México, já com uma outra geração.


E parece que estes dois times tinham consciência desta importância, e protagonizaram jogos épicos, mesmo quando acabava em 0x0 (acho que só houve um jogo com este resultado, válido pelo Rio-São Paulo).

A Taça Brasil era o principal - e único - campeonato nacional da época. Criada nos moldes da Taça dos Clubes Campeões Europeus (por isso adotou o nome "Taça"), com jogos eliminatórios ( e campeões de seus países e estados no nosso caso), e  que hoje recebe o nome de Champions League. Pois é, tínhamos a nossa Champions League, aqui, com alguns dos principais jogadores do futebol mundial, o maior deles (Pelé) e talvez o único capaz de rivalizar com ele (Garrincha). A diferença, de ontem pra hoje ou vice-versa, é que não havia tanta televisão, tanta mídia e tantos patrocinadores. Não tinha o cara da "Budweiser" tocando bateria antes da transmissão.

A importância da Taça Brasil daquele ano de 1962 se deve pelo fato que os dois times estavam na sua melhor forma; todos os jogadores estavam voando, muitos recém campeões mundiais no Chile. Não tenho dúvidas ou talvez não se tinham dúvidas de que o vencedor daquela melhor de três fatalmente conquistaria a América e depois o mundo. Tanto santistas quando botafoguenses falam até hoje: "Nós éramos muito confiantes, e tínhamos muita fé no nosso time". O que não quer dizer que eram prepotentes, acho que prepotência é algo quando você pensa mais do que realmente é, o que não era o caso.

Pois bem, o primeiro jogo da final da Taça Brasil, realizado num Pacaembu para 29.000 pagantes (geralmente havia muito mais gente) foi um fantástico 4x3 para os santistas. Fico devendo a sequência dos gols, mas para o Santos marcaram Pepe (2), Coutinho e Dorval, e para o Botafogo Amarildo, Amoroso e Quarentinha.

O segundo jogo no Maracanã, com mais de 100.000 pagantes, foi um passeio botafoguense. O jogo acabou em 3x1, mas o time da estrela solitária perdeu outras chances e também praticamente a chance de decidir o título nesta partida. Rildo (que depois também faria sucesso no Santos), fez contra o patrimônio. Para os botafoguenses marcaram: Amarildo, Edson e Quarentinha.

O terceiro jogo (curiosamente com menos público que o segundo, pouco mais de 70.000) foi o que acabou definindo a supremacia do futebol mundial naquela temporada. A "sorte" foi lançada para o Santos. O time "encaixou" como se diz na gíria futebolistica. E se o Botafogo desperdiçou a chance de dar um sapeco no Santos e liquidar a fatura no segundo jogo, o mesmo não ocorreu com o Peixe, que ainda estava vivo, e não desperdiçou. Dorval abriu o placar aos 25' do primeiro, Pepe aos 40' terminando 2x0 a primeira etapa. Coutinho aos 8' e, como uma obstinação, caberia ao Rei do Futebol, terminar o espetáculo, marcando aos 29' e encerrando a fatura aos 34' da etapa complementar: 5x0 placar final.

Pois é, a Taça Brasil, tinha valor, tinha público (praticamente 200.000 pessoas somando os três jogos), tinha prestígio, e - ao contrário do que já ouvi falar por aí - tinha até "taça". Taí nosso capitão Zito para comprovar. Também tinha festa e muito "refrigerante" depois do jogo, conforme sempre lembra nosso ponta Pepe. Só não tinha Pay-per-view.

Depois deste Bi da Taça Brasil, o Santos ainda levaria o Bi da América, e o Bimundial ou Intercontinental, como queiram, marcando mais um capítulo inédito para a história do alvinegro praiano.


Obs: Lembrando que o jogo foi no 2 de abril de 1963, mas ainda válido pela Taça Brasil do ano anterior.




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