Olá leitores!
Se existiu uma corrida movimentada esse ano, foi o GP do
Japão. Dessa vez a movimentação não se resumiu à pista, os bastidores também
estiveram muito movimentados. Já se tinha ideia que o Alonso não estava com a
menor vontade de continuar na Ferrari, mas o anúncio que Vettel não estará ano
que vem na Red Bull pegou todo mundo de calças na mão. Acredito inclusive que o
próprio Vettel se surpreendeu com a maneira que o mundo soube da sua decisão,
já que provavelmente ele mesmo gostaria de chegar para os jornalistas e
comunicar a sua decisão. Contudo, o chefe da Red Bull, Christian Horner, passou
atestado de fofoqueiro e contou para todo mundo antes que o piloto o fizesse,
já aproveitando para anunciar quem substituirá o alemão, no caso o russo Kvyat
(Toro Rosso). Automaticamente começou o burburinho a respeito da “dança das
cadeiras” ano que vem, com as previsões de Vettel e Kimi na Ferrari, Alonso e
Magnussen na McLaren-Honda e Button deixando a categoria e indo para os braços
da namorada Jessica Michibata, modelo de lingeries...
Infelizmente tudo isso, juntamente com o resultado da
corrida, acabou ficando em segundo plano após o grave acidente sofrido por
Jules Bianchi, da Marussia, a mais promissora revelação da escola de pilotos da
Ferrari. Ele escapou na mesma curva onde na volta anterior o Adrian Sutil
(Sauber) tinha aquaplanado e batido na barreira de pneus. Só que ao invés da
barreira de pneus o jovem piloto encontrou o guindaste que retirava o carro do
Sutil da barreira, sofrendo um grave traumatismo craniano na batida. Até o
momento em que essa coluna está sendo escrita, ele já tinha passado por uma
cirurgia e estava se recuperando, respirando sem auxílio de aparelhos. Ficam os
votos para uma completa recuperação, que ele não fique 1 segundo mais lento
como o Massa ficou.
Para completar o domingo triste, faleceu vítima de um acidente
de motocicleta na Itália o ex-piloto Andrea De Cesaris, um dos maiores destruidores
de carros que a categoria já teve – teve o apelido de “De Crasheris” graças às
suas inúmeras batidas. Chegou a ser demitido da Ligier no meio da temporada de
tantos chassis destruídos durante a temporada. O fato do pai ser representante
da Phillip Morris na Itália (leia-se Marlboro) certamente contribuiu para a
longa carreira dele na categoria, tendo disputado 208 corridas. Não deixa de
ser irônico ele ter falecido de acidente...
A vitória ficou com Hamilton, que ampliou sua vantagem na
pontuação para 10 pontos sobre Rosberg (2º), a Mercedes novamente fazendo a
dobradinha no pódio. A bem da verdade, nenhum dos dois carros da Mercedes foi
incomodado pelos outros competidores, mais uma vez foram soberanos na pista.
Rosberg largou na frente, se manteve lá por um bom tempo, mas perdeu a
liderança em uma bela ultrapassagem de Hamilton por fora na primeira curva do
circuito na abertura da volta 29.
Em 3º (ou o 1º dos “carros normais”) chegou Vettel, que
lutou como um leão durante a corrida toda. Esse esforço todo foi recompensado
com a sua “escalada” de 7º ao ser dada a bandeira verde pela primeira vez até o
pódio. As disputas dele com Magnussen, Ricciardo e a dupla da Williams foram de
encher os olhos, merecido. Seu companheiro Ricciardo terminou em 4º. A equipe
ter investido na classificação em um acerto mais voltado para o molhado que
para o seco rendeu frutos durante a corrida, com os dois carros sendo os mais
estáveis na chuva descontando os Mercedes.
Em 5º chegou Button, que tradicionalmente anda bem na chuva
(afinal, é inglês, e deve ter visto muita chuva em seu início nas pistas) e foi
o primeiro piloto a parar para trocar os pneus de chuva intensa pelos de chuva
leve (os intermediários). Foi o único piloto que chegou a pressionar um pouco a
Mercedes do Rosberg, para dar uma ideia do quão boa foi a apresentação dele na
pista. Seu companheiro Magnussen passeou muito pelas áreas de escape, teve um
problema com o volante do carro, e terminou a corrida apenas em 14º lugar.
Em 6º e 7º chegaram os pilotos da Williams, respectivamente
Bottas e Massa. Tentaram fazer valer a boa posição de largada (3º e 4º), mas em
ritmo de corrida não conseguiram oferecer resistência às Red Bull e ao Button,
que estavam com carros nitidamente mais estáveis na pista molhada.
Em 8º terminou Hülkemberg, que fez uma bela corrida,
evoluindo de 14º na largada para a zona de pontos. Como na chuva a habilidade
dos pilotos se sobressai, ele pôde mostrar o que sabe e conseguiu um bom
resultado para a equipe. Seu companheiro Pérez terminou em 10º, mais uma vez os
dois carros da equipe pontuando.
Em 9º chegou o por enquanto desempregado Vergne, que mesmo
antes do Vettel anunciar a saída da Red Bull já sabia que seu contrato com a
Toro Rosso não seria renovado para o ano que vem. Agora com a ida do Kvyat para
a Red Bull, talvez a sorte dele possa mudar, mas não acredito nessa hipótese.
Já Kvyat teve um dia um pouco mais difícil, e terminou em 11º.
A essa altura vocês devem estar perguntando: E a Ferrari?
Pois é, caros leitores, Alonso abandonou ainda no comecinho da corrida,
enquanto os carros seguiam o safety-car, provavelmente vítima de pane elétrica,
já que nos esses o carro simplesmente apagou de uma vez, e Räikkönen terminou
apenas em 12º lugar...
A próxima corrida é já na semana que vem, na estreia do
circuito de rua feito no parque olímpico de Sochi, na Mãe Rússia. O desenho do
traçado não parece dos piores, mas prefiro emitir opinião após a corrida.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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