quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Dinheiro, sempre o dinheiro



Que lástima. Acabo de ler aqui no blog do jornalista Rodrigo Matos que o Neymar, ou melhor, o seu pai, ou melhor ainda, a empresa de consultoria do seu pai recebeu 10 milhões de euros do Barcelona, seis dias antes do jogo final do Mundial Interclubes de 2011, como adiantamento de uma negociação que somente foi concretizada em 2013.

A minha decepção não é pelo valor, porque acredito que jogadores de futebol de primeira linha devem ganhar grandes somas mesmo, pois, o futebol movimenta muito dinheiro. Nem tampouco lastimo o fato de que, supostamente, o Santos não sabia dessa negociação. Esse mercado da bola é assim mesmo. “It’s Just business”, como diria Don Corleone.

Fico triste pelo crime. O crime contra a paixão do torcedor, particularmente o torcedor santista que acompanhou o time, torceu, acreditou numa improvável vitória contra o Barcelona e sofreu diante da contundente derrota. 

O resultado do jogo  comprovou a superioridade do time catalão, mas, por conta desse adiantamento recebido em 2011 a atuação do craque Neymar na partida vai ser questionada. Ô sei vai! Será que Neymar estava concentrado como deveria para o jogo? Será que o caminhão de dinheiro entregue pelo Barcelona seria capaz de mudar o seu estado de espírito, a sua motivação? Não sei, acho que não. Mas, muitos pensarão o contrário.

E é exatamente aí aonde quero chegar. Precisava disso, Neymar Pai? Não podia ter esperado mais alguns dias pra acertar os ponteiros com os gringos? Precisava ter exposto o seu filho a esse tipo de questionamento ético? Acho que não precisava.

O maior nome da história do Santos, desde Pelé, corre o risco de ter seu nome enlameado porque o seu pai não pôde conter a ansiedade de receber uma grana dos catalães. Não agüentou aquela coceirinha que dá simultaneamente nas pontas dos dedos polegar e indicador. É o dinheiro, meus amigos, sempre o dinheiro, destruindo as coisas belas.

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