Olá leitores!
Com a F-1 de volta ao palco da primeira corrida da categoria
em 1950 (embora a pista da época fosse muito mais veloz que a de hoje em dia)
os espectadores foram presenteados com uma corrida à moda antiga. Há quanto
tempo não víamos uma corrida ser interrompida com bandeira vermelha por causa
de um acidente? Há quanto tempo não víamos uma briga com as facas entre os
dentes como a protagonizada por Alonso e Vettel? A corrida não foi espetacular
pois o atual regulamento não favorece o carros a andarem muito próximos, e
ainda tem a questão da economia de combustível, mas nas limitações impostas
pelo regulamento foi suficientemente boa.
Vitória (27ª da carreira) há muito esperada por Hamilton,
que não se classificou muito bem mas correu com inteligência e arrojo,
empurrado pela fanática torcida britânica (ao contrário daquela propaganda que
diz que “brasileiro é apaixonado por carro”, o título na verdade pertence aos
britânicos) que vibrou intensamente quando viu o Rosberg abandonar com o câmbio
quebrado. De quebra, ainda ficou com a volta mais rápida da corrida. De quebra,
ainda viu a diferença na pontuação do campeonato para o seu companheiro cair de
29 para 4 pontos. Ou seja: temos um campeonato em aberto. Seu companheiro
Rosberg largou na pole, fez tudo certinho, estava poupando o carro... mas foi
traído pelo câmbio, que a princípio começou a apresentar dificuldades nas
reduções de marcha, depois nas subidas de marcha, até que travou.
Em 2º lugar, melhor resultado do ano para a equipe Williams,
chegou Valtteri Bottas. Em uma palavra: CORRIDAÇA. Largou em 14º e terminou em
2º, o primeiro entre os carros “normais”, já que os Mercedes estão competindo
entre eles mesmos. Na primeira largada já pulou de 14º para 9º, após a segunda
largada foi galgando posições e estava preparado para terminar em 3º quando o
carro do Rosberg quebrou. Corrida monumental, talvez a grande apresentação do
final de semana – afinal, Hamilton ganhou mas com o carro que tem e sem o
companheiro na pista não fez nada mais que a obrigação dele. Afirmo sem medo
que, com um carro que permita que ele dispute vitórias, ele tem grande chances
de ser campeão mundial. Já está em 6º lugar na pontuação dos pilotos. Seu
companheiro Massa, que estava comemorando seu 200º GP, teve um final de semana
para esquecer: além do erro da equipe na classificação, teve uma falha na
embreagem na largada, caiu para último, e no meio da reta Wellington, logo após
passar sob a ponte que cruza a pista, encontrou uma Ferrari atravessada na
pista. A grande sorte do Kimi foi o reflexo do Massa ser o de desviar, pois se
tivesse apenas freado teria acertado o finlandês à meia nau, e o resultado
poderia ser trágico, já que o choque em T (um carro acertando o outro a
aproximadamente 90°) é um dos mais mortais do automobilismo. Lembremos de Alessandro
Zanardi, que correndo pela CART (no Brasil, Fórmula Indy) não morreu pois não
era a hora dele, mas teve as pernas instantaneamente amputadas no acidente. Ou
dos dois acidentes na Curva do Café, em Interlagos, na Stock Car. Enfim, não
foi o 200° GP que o Massa esperava, mas podia ter sido pior. Sempre pode.
Em 3º chegou Ricciardo, que apostou suas fichas em uma
estratégia de apenas uma parada para troca de pneus e deu certo, conquistando
mais um pódio. Com isso, ele já está em 3º no campeonato, apenas atrás dos dois
pilotos da Mercedes. Muito bom. Seu companheiro Vettel chegou em 5º após
protagonizar um belíssimo duelo com o Alonso... mas admito que esse duelo ficou
ofuscado pela chuva de reclamações de ambas as partes pelo rádio. Sabe, é muito
chato esse pessoal que vai disputar posição e depois fica chorando no rádio
feito criança que brigou na escola. Só faltou sair um “Mamãe, ele me fechou,
vai lá e reclama com esse bobo!”, foi ridículo.
Em 4º chegou Jenson Button, que correu com um capacete rosa
homenageando seu pai, John Button, falecido no começo do ano e grande fã de
camisas cor de rosa. Mesmo admitindo ficar decepcionado por perder uma chance
de subir ao pódio (chegou a menos de 1 segundo do Ricciardo), teve um bom
desempenho na corrida e fez uma atuação no limite do que o carro permitiu. Seu
companheiro Magnussen (7º) fez uma corrida correta, nada mais que isso.
Em 5º chegou Alonso, grande piloto cujo talento para pilotar
pode apenas ser comparado ao talento para reclamar. Como ele e o Vettel
reclamam, impressionante. Depois da corrida disse que estava com “problemas
aerodinâmicos” no carro e que “pensava em recolher o carro aos boxes”. Ora, se
fosse verdade não teria oferecido tanta resistência ao Vettel e teria recolhido
mesmo, não é? Fala muito esse Fernando... Seu companheiro Räikkönen não largou
bem, depois na saída da curva Aintree “espalhou” muito na disputa com um carro
da Force India, foi na área de escape asfaltada, e na volta – acelerando fundo,
diga-se de passagem – perdeu o controle do carro numa faixa de grama que separa
a pista da área de escape, que existe justamente para o piloto não se empolgar
muito na volta da área de escape, rodou, bateu de frente no guard-rail (que
nesse ponto é próximo à pista por causa das fundações de uma ponte que
atravessa a pista e serve para circulação interna da pista) e ricocheteou para
o meio da pista... o resto é história. Na batida sofreu uma pancada forte no
joelho, vai ficar uns dias dolorido e roxo onde o cinto de segurança o prendeu,
mas deve voltar à pista na próxima etapa.
Em 8º, pontuando mais uma vez, chegou Hülkemberg com sua
Force India. Admito que por causa da boa velocidade máxima do carro indiano eu
esperava um resultado melhor, mas ele não largou bem e depois teve problemas no
equilíbrio do carro. Seu companheiro Pérez chegou apenas em 11º, após se tocar
com o Vergne e cair para último na largada.
Em 9º e 10º, encerrando a zona de pontuação, apareceu
novamente a dupla da Toro Rosso, respectivamente Kvyat e Vergne. Corrida
correta para ambos, nada mais.
Próxima etapa dia 20/07, em Hockemhein, uma pista que já foi
muuuuuuuuuuuuuito legal mas que ficou meia boca depois de ter sofrido uma “intervenção”
do Tilke... Ainda oferece emoção, mas nada parecido com o que era no passado.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
4 comentários:
Boa análise da prova,no qual o duelo Vettel x Alonso, lembrou os bons tempos dos anos 90, quando tínhamos Senna, Piquet, Mansell e Prost protagonizando o espetáculo.
Faltou mencionar o "encontro latino" de Maldonado e Gutierrez.
Esse Tilke é um bom FDP... Acabou com as pistas antigas e inventou umas novas que Deus me livre...
Com perdão da expressão, mas, a corrida de domingo foi "ducarai". Que prova! E mais um grande texto pra esses analfabetos do volante como eu.
Valeu, pessoal!
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