quarta-feira, 9 de julho de 2014

O maior vexame (da história).

Foi o maior. A maior goleada, o maior vexame, a maior tragédia, como queiram. A maior goleada em uma semifinal, a maior derrota de uma seleção anfitriã, ou a maior derrota de uma seleção tradicional em copas do mundo. Um recorde negativo, que se fuçarmos nas estatísticas, vamos encontrar mais números.

Goleada de 7x1. Placar que remonta à época amadora do nosso futebol. Sim, nossos jogadores são profissionais, os preparadores físicos, os médicos, chegando ao roupeiro, todos muito bem qualificados. Mas no que se refere à administração, ou dirigentes, ainda estamos no amadorismo, aliado ao velho “jeitinho” brasileiro: não há planejamento e tudo na base do imediatismo. Deu certo na Copa das Confederações, um torneio amistoso que a Fifa chancelou como oficial. Não deu certo na Copa e o vexame veio contra a primeira seleção qualificada.

Sempre tive restrições com relação a esta Seleção. Provavelmente a única - desde 1914 no qual comemoramos nesta Copa 100 anos de uma liga de futebol nacional, que originaria a CBD – que dependia apenas de um craque. Muito pouco para uma história de tradição. Mas a vontade de vencer uma Copa em casa, fez com que nós torcedores ocultasse ou transformasse esta deficiência em algo referente à superação, principalmente quando este jogador se contundiu. E um time que só tinha como referência Neymar e ainda perdera seu principal zagueiro Thiago Silva, ficou totalmente perdido em campo, aliado a um esquema tático totalmente ultrapassado.

E já comentamos aqui algumas vezes, em que o Felipão não teve um “upgrade” uma atualização desde 2002. O auxiliar Parreira idem, desde 1994, aquele mesmo discurso de “jogar sem a bola”. Pois é, jogamos sem ela. Nem vimos a cor. E o futebol brasileiro como um todo, sem nenhuma novidade e cada vez mais empoeirado. Adicionando-se a este quadro, também entram em campo os idiotas da subjetividade: narradores, comentaristas e até ex-jogadores consagrados, que colocam o futebol brasileiro em condição de inferioridade ao europeu, como se a Europa fosse o único caminho para o “aperfeiçoamento” dos nossos jogadores.

Evidente que estamos atrás, e bem atrás. E em boa parte por culpa desta mentalidade mercantilista e exportadora. “Revelamos os jogadores aqui, e o aperfeiçoamento, o toque final, ocorrerá na Europa.” Plantamos a cana, mas o açúcar, só pode ser refinado na metrópole. E porque os jogadores não podem serem formados aqui? Esta é a pergunta que os idiotas da subjetividade não respondem, porque ficam com os olhinhos brilhando toda vez que algum jogador brasileiro vai para alguma equipe europeia.

O resultado é uma seleção brasileira sem jogadores para colocar no meio de campo, sem jogadores no ataque que não possuem competência para fazer gols (mal acertam aquele retângulo), um Hulk, um Fred, laterais medianos, dois zagueiros razoáveis e só um cara bom lá na frente. Esta é a síntese do time e que reflete a carência de jogadores capazes de vestir a camisa de uma seleção brasileira.

Conseguimos organizar uma Copa, coisa que muitos duvidavam, mas não conseguimos organizar um time. Não só não conseguimos, como não estamos conseguindo, e, se nada mudar, não vamos conseguir. Passado (só tradição), presente (eliminação e vexame histórico) e futuro (ainda incerto).

E se quisermos “aprender”, o caminho não é cultivar alguns poucos craques e “refiná-los” nos campos europeus. O que temos que assimilar desta cultura é o profissionalismo e organização que não existem aqui. Tempo e paciência. Enchemos nosso calendário com excesso de competições e jogos ruins, para encher a grade televisiva, e com pouco tempo para formar um jogador. Alguns clubes daqui são tão bem estruturados quanto os de lá, mas só academia e fisioterapia não bastam.

Podemos ter uma visão pessimista ou otimista deste fiasco. A visão pessimista é que pouca coisa vai mudar e continuaremos “colocando medo” nos adversários, somente com a nossa tradição. O Santos é um exemplo. Não aprendeu nada com a derrota para o Barcelona por 4x0, e pior, marcou depois um amistoso e com o Neymar do outro lado.  Uma “brilhante” jogada de marketing dos dirigentes que ridicularizou uma marca também centenária. E a Seleção teve que esperar 100 anos e mais uma Copa em casa, para também ser humilhada em rede mundial.

E a visão otimista? Colocar a prepotência e os pezinhos no chão, e tentar tirar algum proveito deste vexame histórico. Precisaria de uma reformulação quase que total. Pois se continuarmos com esta penca de treinadores pragmáticos, prepotentes e defensivos, e com esta enxurrada de jogos ruins no principal campeonato nacional, ao qual somos “agraciados” toda quarta-feira e domingo, pouca coisa vai acontecer em 2018, na próxima Copa.



Obs: E não acabou, ainda tem a disputa do terceiro lugar. Se ganhar, fica como está, não fizeram mais que a obrigação. E se perder ainda pode piorar um pouquinho, se é que ainda é possível. Dependerá de quantos cacos a Seleção vai conseguir juntar para este jogo.





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