Nessa
quinta feira de Copa no Brasil, o único assunto que realmente
importa é a dentada do Luizito Suárez, ou melhor dizendo é a
punição “Padrão Fifa” que o atacante uruguaio recebeu hoje.
Se foi
ombrada no dente, como afirmam os uruguaios, ou se foi dentada no
ombro, como acusa o restante do mundo, o fato é que a punição foi
severa demais. Nove jogos oficiais da Fifa, quatro meses longe do
futebol e mais uma multa em dinheiro. Só faltava os cardeais da
moralidade da Fifa exigirem que o rapaz voltasse pro Uruguai de
joelhos, em súplicas.
Eu também
sou adepto do Fair Play, do jogo limpo, como prega a Fifa, mas, sou
mais devoto ainda do tal do Jogo Bonito. Se o Luiz Suárez fosse um
desses cabeças de bagre que assistimos aos borbotões nos últimos
dias, vá lá, faz sentido uma punição desse tamanho, mas, o
Luizito é craque, e essa raça em vias de extinção precisa ser
preservada pela Fifa.
Concordo
que o atacante errou, o lance foi feio, pegou mal, principalmente por
ter ocorrido no evento mais televisado do mundo. Compreendo. É
preciso manter a boa imagem do torneio, mas, não precisava de tanto.
Dois ou três jogos de punição já estaria de bom tamanho, mesmo
porque a seleção uruguaia sem o Luizito é quase um Íbis/PE falado
em espanhol. A suspensão do atacante é quase que a decretação da
eliminação do time sulamericano.
Sem
Suárez a Copa perde um pouco do sabor, da magia e do inesperado que
somente os craques conseguem proporcionar ao público. Faltou cabeça
ao Suárez e sensibilidade à Fifa. O Luizito, na minha opinião é
um doido varrido. Cem por cento emoção. A qualidade do seu futebol
está relacionada à intensidade com a qual ele vive cada lance, cada
jogo. É um desses jogadores que jamais conseguiremos entender,
apenas, talvez, aceitar e torcer para que ele não exploda numa final
de campeonato ou coisa parecida. Por essa razão é um alvo fácil
para as provocações dos zagueiros.
Não
crucifico o Suárez. Tive o prazer de assistir ao Serginho Chulapa
jogar e o desprazer de acompanhar a suas inúmeras suspensões por
tudo quanto era maluquice que aquele homem fazia em campo. Assisti
também ao Edmundo que, pasmem, durante um certo período da sua
carreira, talvez, tenha sido o melhor jogador do mundo e era um
doidivanas que arrumava as piores confusões dentro de campo. Outros
tantos como Gascoigne, Renato Gaúcho, Neto e Cantona, grandes
jogadores e que, também, padeciam do mesmo desparafusamento
momentâneo das ideias.
Nove
jogos, quatro meses de gancho é muita coisa. Não é possível
deixar um craque tanto tempo assim fora dos gramados. É muita
crueldade. Se é pra punir, sei lá, manda o rapaz pra uma terapia
intensiva, pra alguma clínica de repouso em Campos do Jordão, mas,
não afaste por tanto tempo esse tipo craque, de comportamento pouco
convencional, do único ambiente no qual ele pode fugir da
normalidade de uma forma bonita e lúdica; o campo de futebol.
...
Ilustração:http://www.df.superesportes.com.br/app/noticias/colunistas/2012/01/31/noticia_colunista,28238/com-a-faca-entre-as-gengivas.shtml

Um comentário:
Exagero extremo da Fifa.
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