Olá leitores!
A Fórmula 1 voltou à Áustria com uma corrida bem interessante.
A pista não é mais aquele traçado maravilhoso que viu Senna, Piquet, Prost,
Mansell, Fittipaldi, Lauda, Keke Rosberg, entre outros, percorrerem suas curvas
de alta velocidade a mais de 200 km/h. Esse circuito viu os F-1 pela última vez
em 1987, tendo ficado fechado por algum tempo e retornando ao calendário em
1997, já com o atual desenho feito por Tilke, Hermann Tilke. Com os regulamentos
vigentes de 1997 a 2003 a pista era um tanto quanto sonolenta, mas com o atual
regulamento, com as “muletas” do ERS e da asa móvel, até que a corrida
conseguiu ser interessante por mais da metade do tempo. Obviamente o limite de
combustível a ser utilizado conspira contra o interesse da corrida, já que o
piloto precisa economizar gasolina para chegar ao final, mas ainda assim não
foi das piores.
Vitória do piloto que se aproveitou das paradas para trocas
de pneus mais inteligentemente, o Nico Rosberg. No início apertou os carros da
Williams (que largaram na primeira fila após muito tempo) sabendo que o ritmo
de corrida deles e – principalmente – o trabalho de boxes deles é inferior ao
da Mercedes, e após a primeira rodada de troca de pneus passou os dois carros britânicos.
Depois foi só passar o Pérez (que estava em uma estratégia de pneus
diferenciada e não tinha parado ainda) e assumir a liderança. No final, ainda
conseguiu evitar os ataques do companheiro de equipe. Com essa vitória, abriu
29 pontos de vantagem para Hamilton... lembrando que a vitória vale 25 pontos,
uma margem confortável. Seu companheiro Hamilton (2º lugar) não se classificou
bem (largou em 9º), mas fez uma ótima largada e não demorou muitas voltas para
assumir o segundo lugar. Pelo ritmo de corrida, creio que poderia ter vencido
se não tivesse errado na classificação e largado mais para trás.
Em 3º chegou o jovem talento Valtteri Bottas, que conquistou
seu primeiro pódio e honrou a tradição finlandesa na comemoração com champanhe:
o primeiro gole é dele, depois ele joga o restante para a galera. A título de
curiosidade, é o 9º piloto finlandês na F-1 e o 7º deles a subir no pódio. Realmente
o país é um celeiro de bons pilotos. Seu companheiro Massa (4º) fez a pole
position, mas perdeu tempo na primeira parada dos boxes e ainda assim
conquistou sua melhor colocação esse ano.
Em 5º chegou Alonso, novamente arrancando leite de pedra de
um carro que na reta era 14 km/h mais lento que a Williams do Massa. Para dar
uma ideia do quão boa foi a pilotagem do espanhol, basta dizer que seu
companheiro de equipe, o rápido Kimi Räikkönen, foi apenas o 10º colocado com o
mesmo carro. Aliás, o carro do Kimi ainda estava mais lento em linha reta,
provavelmente devido a diferenças de acerto. Esse é um ótimo momento para a
Ferrari começar a desenvolver o carro do ano que vem, pois o desse ano não há o
que fazer, o projeto efetivamente não deu certo. Agora ainda dá tempo de partir
de uma tela de computador em branco e reprojetar tudo.
Em 6º terminou Pérez, outro que fez uma bela corrida, já que
largou em 15º por causa da punição de 5 posições no grid de largada recebida
pelo acidente com o Massa na etapa canadense. Ter o segundo carro mais rápido
em linha reta com certeza ajudou nessa corrida de recuperação. Seu companheiro
Hülkemberg (9º) enfrentou problemas de balanceamento no carro e teve uma
corrida complicada, mas conseguiu se manter na zona de pontuação – o que é
muito importante para a equipe, já que a parcela de dinheiro distribuído para
as equipes é diretamente proporcional à sua colocação no Campeonato de
Construtores.
Em 7º terminou o Magnussen, se aproveitando dos
aperfeiçoamentos que a McLaren vem fazendo no carro, que por mais um ano não
nasceu bem. Mesmo levando em conta que esse é um ano de transição, já que ano
que vem a equipe receberá os motores da Honda, que voltará para a categoria em
2015, o carro não aproveita integralmente a vantagem de ter o melhor motor da
atualidade, o Mercedes. Seu companheiro Button, 11º colocado, tentou uma
estratégia de pneus diferente e se deu mal. Uma corrida para esquecer.
Em 8º chegou o Ricciardo, que largou bem mas escolheu o lado
errado para fazer a primeira curva, perdendo algumas posições. A partir daí, foi
correr atrás do prejuízo. Na última volta ainda conseguiu passar o Hülkemberg
em uma bela disputa de posições. Seu companheiro Vettel continua envolto em uma
maré de azar. Além de largar num fraco 12º lugar, logo na 2ª volta o carro teve
uma pane (provavelmente eletrônica), que da mesma maneira que surgiu
misteriosamente desapareceu... só que aí ele já tinha perdido uma volta em
relação aos outros pilotos. Para completar, o carro foi danificado em uma
disputa com Gutiérrez, ele até foi trocar o bico do carro mas os danos eram
maiores e acabou abandonando após algumas voltas. Seria interessante visitar um
terreiro em Salvador para tomar um descarrego dos bons...
A próxima etapa será dia 06/07 em Silverstone, na
Inglaterra. Outra pista que pouco lembra dos anos de glória, mas ainda um
traçado interessante e que permite boas disputas. Se o proverbial mau tempo
inglês cooperar, melhor ainda.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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