Itaquerão foi inaugurado. Enfim a
novela do novo estádio do Corinthians chega ao fim. Pensam que acabou? Nada
disso. Existirá uma discussão interminável em relação à Arena de São Paulo. A
principal delas em relação ao nome: Itaquerão. Informalmente é assim que o
estádio ficou conhecido. Referência maior da Zona Leste, ao bairro e a estação
do metrô: Itaquerão! O metrô chegou primeiro, mas ali já sabiam ser o ponto
final do clube: Corinthians- Itaquera. Ficou, colou e pegou. Pior que apelido,
quando se odeia, é nome que cai bem. Itaquerão não pode ter outro nas conversas
afiadas dos adversários; na alcunha carinhosa dos torcedores. E assim ficou,
assim parece ter marcado território.
Acontece que no meio dessa discussão
existe uma questão importante: grana! Grana de um direito que os brasileiros
ainda não estão acostumados: o namig
rights. Nome complicado e um conceito ainda mais assustador. Quer dizer, é
uma coisa simples, mas, mesmo assim, não é coisa tradicional no país. Naming rights é a concessão de direitos
de nome: Itaquerão será chamado de qualquer nome, de qualquer empresa, de
qualquer parte do mundo; que compre esse direito. Um exemplo é Credicard Hall. Mas para o futebol?
Alguém conhece Kyocera Arena? Itaipava Arena? Allianz? Esses batismos
são complicados no mundo do futebol.
Andrés Sanches, tutor do estádio do
Corinthians, anda irritado com a mídia por causa dessa questão. Irritou-se
agora com a CBF, que em seu site resolveu “oficializar”, ainda que “não
oficial”, o estádio em Itaquera: Itaquerão. No entendimento do ex-dirigente
corintiano, será mais difícil negociar o direito de nome; principalmente quando
o apelido ficar incrustado na memória dos torcedores e adversários. Morumbi,
Maracanã e Pacaembu: todos apelidos que pegaram. Itaquerão? Todos sabem agora
do que se trata. Assim, em partes, concordo com Andrés; mas, por outro lado,
ele não tem como mudar a cultura de um povo. E sabe qual o motivo de chamarem o
“sem nome” de Itaquerão? Pois é. Batismo ao acaso, batismo de órfão. Batismo
com um nome mais simpático, menos burocrático; cheio de estrangeirismos.
Itaquerão passou a chamar Itaquerão, pois nunca o pai deu-lhe qualquer nome
mais convincente. Itaquerão todos sabem onde.
Então, o Itaquerão foi inaugurado. Depois
de uma novela terminável de burocracia, incentivo e política; Itaquerão está
quase pronto. Há poucos dias da Copa do Mundo, o palco de abertura escancara nosso
modo de fazer as coisas: na última hora sempre é mais divertido. Lembrando bem:
aqui não é a Alemanha. Na última hora decidiriam fazer uma homenagem aos
antigos e muito antigos craques e não craques que vestiram a camisa corintiana.
Foi uma festa: à moda brasileira. Gente brigando por não ter sido chamado,
gente fazendo birra por ter sido chamado; e grande parte dos jogadores da história
do Corinthians não estava lá. Era impossível que todos fizessem parte,
humanamente impossível.
Itaquerão, que Andrés quer chamar de
um nome impronunciável, está moderno; simples e quase pronto. Dizem as más línguas
que foi projeto do governo, financiado pelo governo; com dedo do governo - Vai ver
que é por isso que demorou. Mas outras línguas dizem que a casa corintiana foi construída
com dinheiro emprestado, e pegar dinheiro emprestado não é crime. Fico com a última
opção, e o resto é conversa da oposição. Bom, deixando esse papo burocrático,
acadêmico e político de lado, o estádio está lá. É a casa que o Corinthians
merecia. É a casa que eu esperava há pelo menos trinta e cinco anos; quando vi
pela primeira vez uma das inúmeras maquetes e promessas de uma casa para a
torcida.
Está lá, e pelo menos nesse primeiro
contato, foi para a torcida; com a cara da torcida. Nenhuma reclamação de
quebradeira, de bagunça e de depredação. Só aquela famosa desorganização que
estamos acostumados no Brasil. Enfim, a torcida cuidou do estádio, chorou com o
estádio e fez dele um pouco do seu lar.
O resto é conversa fiada.

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