segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tem coisa que não muda: Apelido é uma delas

 

Itaquerão foi inaugurado. Enfim a novela do novo estádio do Corinthians chega ao fim. Pensam que acabou? Nada disso. Existirá uma discussão interminável em relação à Arena de São Paulo. A principal delas em relação ao nome: Itaquerão. Informalmente é assim que o estádio ficou conhecido. Referência maior da Zona Leste, ao bairro e a estação do metrô: Itaquerão! O metrô chegou primeiro, mas ali já sabiam ser o ponto final do clube: Corinthians- Itaquera. Ficou, colou e pegou. Pior que apelido, quando se odeia, é nome que cai bem. Itaquerão não pode ter outro nas conversas afiadas dos adversários; na alcunha carinhosa dos torcedores. E assim ficou, assim parece ter marcado território.

Acontece que no meio dessa discussão existe uma questão importante: grana! Grana de um direito que os brasileiros ainda não estão acostumados: o namig rights. Nome complicado e um conceito ainda mais assustador. Quer dizer, é uma coisa simples, mas, mesmo assim, não é coisa tradicional no país. Naming rights é a concessão de direitos de nome: Itaquerão será chamado de qualquer nome, de qualquer empresa, de qualquer parte do mundo; que compre esse direito. Um exemplo é Credicard Hall. Mas para o futebol? Alguém conhece Kyocera Arena? Itaipava Arena? Allianz? Esses batismos são complicados no mundo do futebol.

Andrés Sanches, tutor do estádio do Corinthians, anda irritado com a mídia por causa dessa questão. Irritou-se agora com a CBF, que em seu site resolveu “oficializar”, ainda que “não oficial”, o estádio em Itaquera: Itaquerão. No entendimento do ex-dirigente corintiano, será mais difícil negociar o direito de nome; principalmente quando o apelido ficar incrustado na memória dos torcedores e adversários. Morumbi, Maracanã e Pacaembu: todos apelidos que pegaram. Itaquerão? Todos sabem agora do que se trata. Assim, em partes, concordo com Andrés; mas, por outro lado, ele não tem como mudar a cultura de um povo. E sabe qual o motivo de chamarem o “sem nome” de Itaquerão? Pois é. Batismo ao acaso, batismo de órfão. Batismo com um nome mais simpático, menos burocrático; cheio de estrangeirismos. Itaquerão passou a chamar Itaquerão, pois nunca o pai deu-lhe qualquer nome mais convincente. Itaquerão todos sabem onde.

Então, o Itaquerão foi inaugurado. Depois de uma novela terminável de burocracia, incentivo e política; Itaquerão está quase pronto. Há poucos dias da Copa do Mundo, o palco de abertura escancara nosso modo de fazer as coisas: na última hora sempre é mais divertido. Lembrando bem: aqui não é a Alemanha. Na última hora decidiriam fazer uma homenagem aos antigos e muito antigos craques e não craques que vestiram a camisa corintiana. Foi uma festa: à moda brasileira. Gente brigando por não ter sido chamado, gente fazendo birra por ter sido chamado; e grande parte dos jogadores da história do Corinthians não estava lá. Era impossível que todos fizessem parte, humanamente impossível.

Itaquerão, que Andrés quer chamar de um nome impronunciável, está moderno; simples e quase pronto. Dizem as más línguas que foi projeto do governo, financiado pelo governo; com dedo do governo - Vai ver que é por isso que demorou. Mas outras línguas dizem que a casa corintiana foi construída com dinheiro emprestado, e pegar dinheiro emprestado não é crime. Fico com a última opção, e o resto é conversa da oposição. Bom, deixando esse papo burocrático, acadêmico e político de lado, o estádio está lá. É a casa que o Corinthians merecia. É a casa que eu esperava há pelo menos trinta e cinco anos; quando vi pela primeira vez uma das inúmeras maquetes e promessas de uma casa para a torcida.

Está lá, e pelo menos nesse primeiro contato, foi para a torcida; com a cara da torcida. Nenhuma reclamação de quebradeira, de bagunça e de depredação. Só aquela famosa desorganização que estamos acostumados no Brasil. Enfim, a torcida cuidou do estádio, chorou com o estádio e fez dele um pouco do seu lar.

O resto é conversa fiada.
  











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