Olá leitores!
Nesse Dia das Mães tivemos mais uma edição do GP da Espanha,
no belo mas chato circuito de Montmeló, nos arredores de Barcelona. Circuito
esse que produz corridas de motos e de carros de turismo bem interessantes, mas
quando chega a hora dos carros de fórmula correrem lá... a coisa fica
sonolenta, bem sonolenta. Uma pista com curvas longas, que requerem bom
aperfeiçoamento aerodinâmico dos carros... e quando você está próximo do carro
da frente o suficiente para tentar uma ultrapassagem, você acaba entrando na
região de turbulência aerodinâmica do carro da frente, perde pressão
aerodinâmica, e consequentemente velocidade na curva – aquela curva que você
devia fazer bem próximo do carro da frente para tentar ultrapassar na reta. É a
Física contribuindo para você dormir (ou ao menos cabecear) sentado no sofá em
frente à TV. As outras categorias citadas dependem menos da aerodinâmica, e
produzem corridas mais interessantes. As do moto, grande paixão espanhola, são
de deixar a arquibancada em pé. Esse ano tivemos público menor que nos anos
anteriores, seja pela crise econômica espanhola seja pela fase afastada do
pódio do ídolo local Alonso. Menos mal que a corrida seguiu o padrão NASCAR,
modorrenta até perto do final, quando alguma emoção apareceu.
O vencedor, mais uma vez, foi Hamilton. Vitória fácil, de
ponta a ponta, administrou bem no final a pressão do companheiro Rosberg, que
com mais um segundo lugar perdeu a corrida e também a liderança na pontuação do
campeonato. Rosberguinho poderia ter ultrapassado Hamilton se a corrida tivesse
duas voltas a mais, pois estava em um belo ritmo de corrida no final, mas... é
a velha história, o “se” não existe.
Em 3º, feliz da vida, chegou Ricciardo, afinal foi o
primeiro entre os “normais”, tendo chegado na mesma posição em que largou. No
começo perdeu a liderança para Bottas, mas depois conseguiu recuperar a
posição, em que pese a inferioridade de velocidade em retas do motor Renault da
Red Bull em relação ao motor Mercedes da Williams. Bendita estratégia de troca
de pneus... Seu companheiro Vettel terminou em 4º e fez uma excelente corrida,
tendo largado em 15º. Sempre tem algum gênio que contradiz a regra de que é difícil
ultrapassar aqui, e esse gênio nessa corrida foi o tetracampeão alemão.
Em 5º (e último lugar na mesma volta que o líder) terminou
Bottas, que fez jus ao seu sobrenome e acelerou muito, combateu muito e fez uma
corrida de encher os olhos. O garoto está fazendo por merecer uma chance em uma
equipe maior que a Williams. Já o seu companheiro Massa terminou em péssimo,
digo, décimo terceiro lugar. Sim, isso mesmo: 13º. Levando em conta que, graças
aos patrocinadores e a uma maior experiência, ele tem uma leve preferência
dentro da equipe, pela segunda corrida seguida terminar fora da zona de
pontuação não deixa de ser preocupante. Corrida passada ainda tinha a
justificativa que ele recebeu um toque do Alonso e isso poderia ter desequilibrado
ou desalinhado o carro. Nessa corrida não teve toque nenhum e o Bottas assumiu
que conquistou o 4º lugar no grid de largada copiando o acerto do Massa (que
errou na volta lançada e largou apenas em 9º), ou seja, o carro estava bom.
Óbvio que depois da corrida ele deu diversas desculpas, culpou a posição de
largada, o Alonso (que teria espremido ele na primeira curva), o tráfego, a
estratégia de pit-stops... apenas para registro, Massa está com 12 pontos no
campeonato e Bottas tem 32. Está chegando o momento em que a equipe, por
motivos de estratégia no campeonato, poderá legitimamente pedir que Massa ceda
a posição na pista para Bottas, pois esse está consideravelmente melhor
colocado na pontuação e tem mais chances de disputar posições que o brasileiro.
Em 6º terminou Alonso, e esse parece ser o melhor resultado
que a Ferrari pode almejar na atualidade. O carro simplesmente não anda como
esperado e para piorar o Räikkönen (7º lugar) parece nitidamente desmotivado,
em nada lembrando o piloto dos tempos de McLaren ou do título pela Ferrari. Ele
reclamou de falta de aderência do carro, e pelo desempenho apenas pouca coisa
melhor o Alonso deve ter sentido o mesmo problema, o que indica erro de projeto.
As coisas não andam bem para os lados de Maranello...
Em 8º terminou Grosjean, extraindo o que podia do seu Lotus
para conseguir essa posição. O carro realmente não “nasceu” muito bem, e aí
pode juntar no caldeirão o orçamento limitado da equipe e temos a receita para
um desempenho apenas mediano. Seu companheiro Maldonado (15º) foi uma das sensações do final de semana,
principalmente com o desempenho na classificação: abriu a volta, vez a
primeira, a segunda, a terceira curva e... muro! Largou em penúltimo, mas logo no
começo forçou a ultrapassagem para cima do Ericsson, os dois carros saíram da
pista, voltaram, mas Maldonado recebeu uma punição de parar nos boxes por 5
segundos. Esse Maldonado...
Encerrando a zona de pontuação tivemos a dupla da Force
India, dessa vez com Pérez (9º) à frente do Hülkemberg (10º). Numa pista que
não os favorece (eles costumam projetar o carro com menor pressão aerodinâmica,
daí o bom desempenho em pistas velozes), terminar com os dois nos pontos é
positivo.
Próxima etapa, o clássico GP de Mônaco, aquele que foi certa
vez agraciado com a frase “Pilotar em Mônaco? É como andar de bicicleta dentro
da sala de casa.” (Piquet, Nelson), dia 25/05, mesmo dia em que devem acontecer
as 500 Milhas de Indianapolis (Indy) e as 600 Milhas de Charlotte (NASCAR). Dia
que devo ficar a maior parte do tempo na sala, em frente à TV.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
Um comentário:
Voltei a dormir depois de algumas voltas... Realmente, F1 ficou sem empolgação sem um brasileiro que faça frente, pontue, vença corridas... 25/05 Indy500 sem Luciano do Valle, com será, hein?...
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