Olá leitores!
Tivemos nesse domingo mais uma edição do tradicional GP de
Mônaco de F-1 (a corrida já existia antes de surgir a Fórmula 1, primeira
edição data de 1929), e pode-se dizer que foi uma corrida dentro do esperado.
Como a pista é muito estreita (afinal, onde se vai desapropriar imóvel para
alargar a rua ou abrir grande avenida lá??), não há espaço para ultrapassagens,
daí que a tendência de fazer o famoso “trenzinho” é grande. A briga do
Ricciardo contra o Hamilton no final é emblemática: não foi somente o fato da
Mercedes acelerar melhor na saída das curvas que impediu a manobra de
ultrapassagem, no único ponto em que daria para tentar algo o Hamilton vinha em
trajetória defensiva, e aí, em Mônaco, não passa mesmo. Óbvio que a chuva teria
trazido emoções maiores, mas ela não veio, e dentro daquilo que é possível em uma
corrida no seco nas estreitas ruas do Principado, foi interessante.
Vitória ficou com Rosberg; metade dessa vitória foi
garantida na classificação, quando ele superou o Hamilton, e a outra metade foi
garantida na largada, quando ele chegou primeiro na Saint-Devote. Depois foi
acelerar e levar o carro até o final. Seu companheiro Hamilton (2º) não estava
em um final de semana dos mais inspirados, talvez a ausência da namorada tenha
contribuído para o comportamento... irritadiço, para ser suave, do piloto.
Reclamou muito no rádio, de tudo e de todos. No final da prova perdeu contato
com o Rosberg por ter deixado a viseira entreaberta e ter entrado um cisco no
olho esquerdo. Inusitado, para dizer o mínimo.
Em 3º chegou Ricciardo, o piloto mais sorridente do grid.
Admitamos: se eu fosse piloto, iniciante na categoria, e estivesse andando na
frente do tetracampeão Vettel, eu também sorriria como o Coringa. Não fez uma
largada muito boa, mas depois os 2 carros que o ultrapassaram tiveram problemas
e ele recuperou a posição. Foi o segundo pódio consecutivo do jovem
australiano, que está em 4º no campeonato de pilotos e merecendo a alcunha de “novo
Vettel”. Muito, muito bom o desempenho dele. Já o tetracampeão Vettel acabou
abandonando com problemas no motor e no gerenciamento do câmbio após 5 voltas.
Em 4º lugar, arrancando desempenho de onde não existe,
chegou Alonso. Não brilhou, mas levou o carro até o final e marcou mais pontos
no campeonato, onde ocupa a 3ª posição. Seu companheiro Räikkönen (12º) largou bem,
mas conseguiu ser acertado por trás durante a primeira entrada do safety-car
pelo Chilton (Marussia), teve que entrar para trocar o pneu traseiro, e aí a
corrida começou a ficar comprometida, pois se recuperar no meio do “pelotão do
tiroteio” em Mônaco não é uma tarefa exatamente fácil. Para atrapalhar mais
ainda, o finlandês tentou ultrapassar o Magnussen onde não havia o menor espaço
(a curva Lowes, a mais lenta da F-1), se tocaram, ele foi parar no muro, e
perdeu mais tempo ainda. Mais uma participação para esquecer.
Em 5º chegou Hülkemberg, que fez mais uma bela corrida após
largar em 11º. Afinal, qualquer ganho de posição em Mônaco deve ser comemorado.
Seu companheiro Pérez abandonou logo no começo, atingido por Button.
Em 6º terminou Button, outro que fez uma bela corrida,
largando em 12º lugar. Lamentou ter ficado a corrida toda atrás do Hülkemberg,
mas como já disse, Mônaco não é um lugar fácil de ultrapassar. Seu companheiro
Magnussen (10º) conseguiu pontuar mesmo tendo se envolvido no enrosco com o
Räikkönen, o que mostra que o carro estava bem ajustado para as condições do
Principado.
Em 7º terminou Massa, interrompendo uma sequência de azares
que o impediam de pontuar. Ainda está 26 pontos atrás do companheiro de equipe,
mas já é alguma coisa. Não que ele não tenha tido azar: ser atingido pelo carro
mais lento do grid quando foi abrir para ele ultrapassar durante a
classificação não é exatamente uma demonstração de sorte, mas largar em 16º e
terminar em 7º mostra um trabalho bem feito. Seu companheiro Bottas dessa vez
abandonou, com problemas elétricos.
Em 8º chegou Grosjean, que pela primeira vez desde que
chegou na F-1 conseguiu terminar a corrida nas ruas de Monte Carlo. Já seu
companheiro Maldonado nem largou, tendo apresentado problemas na hora de sair
para a volta de apresentação. Muitos pilotos devem ter respirado aliviados.
Em 9º lugar, pela primeira vez na história na zona de
pontos, e provocando grande alegria nos boxes da equipe, chegou Bianchi com a
sua Marussia. Coisas de Mônaco, onde o talento pode sobrepujar as fraquezas do
carro. Seu companheiro Chilton ficou em 14º, 2 voltas atrás de Bianchi, que já
terminou 1 volta atrás do Rosberg.
Próxima etapa, dia 08/06 no Canadá, circuito Gilles
Villeneuve, no meio da Ilha de Notre-Dame, em Montreal. Uma das pistas que mais
gosto, e não só pelo nome homenagear meu maior ídolo na F-1. A pista é bem
legal, daquela época em que não vinha tudo pasteurizado do computador do Tilke.
Não poderia encerrar a coluna sem falar da outra grande
competição do dia, as 500 Milhas de Indianapolis, uma das corridas que fazem
parte da Tríplice Coroa, junto com o GP de Mônaco de F-1 e as 24 Horas de Le
Mans. Corrida ainda mais tradicional que o GP de Mônaco (sua primeira edição
foi em 1911), foi a típica corrida de 500 milhas (pouco mais de 800
quilômetros): os pilotos e equipes “cozinhando o galo” até as últimas 100
milhas, quando a corrida pegou fogo e teve um final proibido para cardíacos,
com Helio Castroneves perdendo a corrida para o Ryan Hunter-Reay por cerca de 5
metros, no cronômetro deu 60 milésimos de segundo, menos que um piscar de
olhos. Pena que o vencedor do ano passado, Tony Kanaan, teve um problema no
pit-stop e perdeu 17 voltas parado, pois a imprensa americana estava dando
grande atenção para ele e poderia ter feito uma bela apresentação. Vai ficar
para o ano que vem.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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