Estava lendo sobre a Copa de 1958 num livro que tenho sobre
as Copas. Já vimos e revimos os lances, gols e o futebol arte protagonizado
pela Seleção Brasileira neste período. O que era comum por estes lados dos
trópicos, era uma novidade para os europeus.
Felipão fez sua convocação e até aí, nenhuma grande
surpresa. Nomes que já estamos acostumados a ver pela seleção, com alguns
jogando em grandes clubes europeus, e outros, em times medianos do velho mundo.
Confesso que até serem convocados, alguns nomes eram estranhos para mim: David
Luiz, Dante, Marcelo, Luiz Gustavo, Fernandinho, Willian, Hulk... Jogadores
cujas trajetórias sabemos muito pouco, e duvido que você leitor, saiba me dizer
de “bate-pronto”, os clubes de todos estes jogadores (sem falhar nenhum!) ou
quais clubes atuaram no Brasil antes destes partirem para a Europa. Não que eu
esteja fazendo uma crítica ou discutindo o quesito técnico destes jogadores.
Meu questionamento vai além disto, ou seja, a quantas anda o futebol em solos
guarani e tupiniquim, e não sobre a “família Scolari”.
A “luzinha” acendeu para escrever este post quando o
glorioso Jornal Nacional passou a falar da vida dos convocados de Felipão, que
soa mais como uma espécie de cartilha de apresentação destes jogadores do que outra coisa. Pois é,
isto mesmo. Se para mim, um cidadão com alguns recursos, já fica difícil
reconhecer alguns selecionados, imagina pra boa parcela da população que não
tem TV a cabo ou acesso a jogos internacionais. Ontem a figurinha mostrada (Paulinho), foi
fácil, jogador revelado pelo segundo clube mais popular do país. Aí
também não vale. Mas outros, vamos sim precisar da cartilha do JN para
conhecê-los melhor.
Faz-se necessário trazer estes jogadores não apenas para
conhecê-los melhor, como disse, mas também para “abrasileirar” nossa seleção. Apresentá-los para o público leigo ou comum. Mostrar que eles possuem raízes
brasileiras, apesar de toda fama e dinheiro conquistados na Europa e de estarem longe daqui já algum tempo. Continuam “gente
como a gente”, apesar de jatinhos particulares e hotéis seis estrelas.
Foi o que fez também o Globo Repórter com uma espécie de “especial Felipão”,
mostrando os tempos de docente do treinador, e de zagueiro botinudo do time de
Caxias do Sul, que sinceramente, não sei se ele tem muita saudade desta época.
E o programa terminou mostrando os jogadores cantando efusivamente o hino na
final da Copa das Confederações, um artifício talvez, de intimidar os espanhóis.
Podemos ser campeões, mas não com o futebol que se joga por
aqui. Caso o Brasil for campeão, e acho que tem boas chances para isto, será
com um futebol jogado mais com cara de Europa. Talvez não tão pragmático como
em 1994, pois jogando em casa, fica difícil manter a serenidade e a frieza. Mas
muito diferente do que aconteceu em 1958, quando os europeus conheceram o
futebol arte e pela primeira vez ouvia-se gargalhadas nas arquibancadas, quando
Garrincha pegava algum zagueiro para “João”. Não estou propondo uma volta a
este “futebol romântico”, que se nos informarmos um pouco, também vamos
descobrir que não era tão romântico assim. Mas não acho que seria impossível
segurar nossos principais jogadores, e dar uma melhora substancial no futebol
praticado aqui e manter a nossa identidade. Mas para isto, tornar-se-ia
necessário a interrupção desta cadeia que segue esta “lógica” de mercado
criada, que começa com as ervas-daninhas que vivem da exportação de jogadores;
os empresários de futebol. Além disto, há também os “Gaviões Buenos” da vida,
que estão aí para engrossar o coro internacional, e por consequência estamos
vendo cada vez mais nossos jovens torcendo ou comprando camisas de times
europeus, o que não deixa de ser pernicioso ao nosso futebol de certa maneira.
Nada como inverter esta lógica e traçar um caminho inverso. Mas
isto requer primeiro uma mudança de mentalidade. Temos que abrasileirar novamente
nosso futebol e nossa Seleção, mas não através e - somente - da mídia, como está sendo feito. Pois talvez o
"brasileiro", ainda gosta de se vangloriar de pertencer ao “país do futebol”. Ou
pelo menos, já foi ou pertenceu algum dia. Disto temos certeza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário