quarta-feira, 7 de maio de 2014

Não podia (tinha como) ser melhor

 

Felipão convoca os vinte e três jogadores. Tantas dúvidas eram meras especulações. A base da seleção está formada desde a Copa das Confederações. Jornalistas dispersos esperando a mera formalidade. Alguns jogadores são figuras carimbadas. Outros são surpresas, mas não causam grande discussão. Talvez o murmurinho apenas pela troca de Henrique pela quase unanimidade Miranda. Hernandes ganhou a vaga pendente no meio de campo. Robinho, a torcida de parte da crônica esportiva, principalmente de São Paulo, não vingou. Sem grandes surpresas, sem grandes discussões. Uma seleção normal, excelente para o padrão brasileiro; e com tudo isso, favorita.

Em 7 de março eu relatei uma lista dos meus convocados. Acertei a maioria dos nomes. E não é por ser um expert no negócio, mas pela simples falta de opção. Jogadores mais velhos estavam fora, isso estava cravado quando Mano assumiu a seleção. Kaká, Robinho e Luiz Fabiano sem qualquer chance. Talvez Júlio César seja o grande entrave da renovação, pois ele não pode ser enquadrado no perfil dos novos jogadores. Mesmo assim ele está lá, incontestável. Sem jogar numa grande equipe e participando de algumas peladas. Nome indiscutível de Felipão, que bate no peito e diz que o goleiro é titular. Dentro do ambiente deve existir um motivo, uma razão fortíssima para a escolha; pois mesmo nesse cenário, ninguém ousou discutir sua convocação na coletiva de hoje.

Júlio César titular e os goleiros Jefferson e Victor. Jefferson é o emblema que queremos esquecer. Dizem alguns torcedores que goleiro negro não traz boas lembranças. Pura babaquice de um pessoal tão supersticioso. Barbosa não perdeu a Copa de 50 sozinho, nem foi o culpado. Queria ganhar com Jefferson no gol, apesar de sua campanha razoável numa equipe para lá de mediana. Victor em melhor fase anda fazendo milagres mesmo num Atlético Mineiro tão displicente em 2014. Nas laterais Maxwell no lugar de Rafinha e Maicon no lugar de Filipe Luis. Na zaga a surpresa por conta de Henrique no lugar de tantos outros zagueiros que jogam mais ou menos da mesma forma.

Nas mãos do Felipão a relação daquilo que temos de melhor para montar uma seleção. Jogadores acostumados com campeonatos europeus apesar da idade. Jogadores que conseguiram a confiança do técnico. E confiança tem um percentual importante na regularidade de uma equipe. Felipão chamou não só aqueles que estão melhores tecnicamente, mas fez a opção por aqueles que ele se relaciona melhor. É uma versão menos escrachada daquela que chamaram “Família Scolari”. No entanto, obedece a mesma lógica hierárquica. Todos jogarão por Felipão, pois ele encarará todas as críticas por eles.

De todos os nomes, em sua maioria, pouco se ouve falar de grandes movimentações extracampo. Estamos falando de futebol, evidente; mas a fofoca em torno da vida pessoal de um jogador explica muito de sua condição dentro de campo. São jogadores que parecem menos “baladeiros” do que estamos acostumados. Num campeonato tão curto e tão intenso, nada melhor que jogadores focados. Jogadores novos para uma competição que promete exigir muito da condição física. Jogadores em sua maioria fora do Brasil, acostumados com a pressão de grandes competições.

O lado negativo é que, sendo praticamente “estrangeiros”, podem não entender direito o Brasil dos últimos dois ou três anos. O país com uma sede desenfreada de justiça não é mais aquele país que muito reclamava e pouco agia. Agimos de maneira torta, sem sentido; sem uma ideologia; mas agimos. Uma derrota, um jogo ruim pode pesar uma tonelada nas costas desses bons jogadores; que nada têm com os bolsões para construtores e politização de um evento esportivo. Uma derrota que pode trazer graves prejuízos ao futebol do país, que já anda empurrando sua autoestima para debaixo do tapete.


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