Felipão convoca os vinte e três
jogadores. Tantas dúvidas eram meras especulações. A base da seleção está
formada desde a Copa das Confederações. Jornalistas dispersos esperando a mera
formalidade. Alguns jogadores são figuras carimbadas. Outros são surpresas, mas
não causam grande discussão. Talvez o murmurinho apenas pela troca de Henrique
pela quase unanimidade Miranda. Hernandes ganhou a vaga pendente no meio de
campo. Robinho, a torcida de parte da crônica esportiva, principalmente de São
Paulo, não vingou. Sem grandes surpresas, sem grandes discussões. Uma seleção
normal, excelente para o padrão brasileiro; e com tudo isso, favorita.
Em 7 de março eu relatei uma lista dos
meus convocados. Acertei a maioria dos nomes. E não é por ser um expert no
negócio, mas pela simples falta de opção. Jogadores mais velhos estavam fora,
isso estava cravado quando Mano assumiu a seleção. Kaká, Robinho e Luiz Fabiano
sem qualquer chance. Talvez Júlio César seja o grande entrave da renovação,
pois ele não pode ser enquadrado no perfil dos novos jogadores. Mesmo assim ele
está lá, incontestável. Sem jogar numa grande equipe e participando de algumas
peladas. Nome indiscutível de Felipão, que bate no peito e diz que o goleiro é
titular. Dentro do ambiente deve existir um motivo, uma razão fortíssima para a
escolha; pois mesmo nesse cenário, ninguém ousou discutir sua convocação na
coletiva de hoje.
Júlio César titular e os goleiros
Jefferson e Victor. Jefferson é o emblema que queremos esquecer. Dizem alguns
torcedores que goleiro negro não traz boas lembranças. Pura
babaquice de um pessoal tão supersticioso. Barbosa não perdeu a Copa de 50
sozinho, nem foi o culpado. Queria ganhar com Jefferson no gol, apesar de sua
campanha razoável numa equipe para lá de mediana. Victor em melhor fase anda
fazendo milagres mesmo num Atlético Mineiro tão displicente em 2014. Nas
laterais Maxwell no lugar de Rafinha e Maicon no lugar de Filipe Luis. Na zaga
a surpresa por conta de Henrique no lugar de tantos outros zagueiros que jogam
mais ou menos da mesma forma.
Nas mãos do Felipão a relação daquilo
que temos de melhor para montar uma seleção. Jogadores acostumados com
campeonatos europeus apesar da idade. Jogadores que conseguiram a confiança do
técnico. E confiança tem um percentual importante na regularidade de uma
equipe. Felipão chamou não só aqueles que estão melhores tecnicamente, mas fez
a opção por aqueles que ele se relaciona melhor. É uma versão menos escrachada
daquela que chamaram “Família Scolari”. No entanto, obedece a mesma lógica
hierárquica. Todos jogarão por Felipão, pois ele encarará todas as críticas por
eles.
De todos os nomes, em sua maioria,
pouco se ouve falar de grandes movimentações extracampo. Estamos falando de
futebol, evidente; mas a fofoca em torno da vida pessoal de um jogador explica
muito de sua condição dentro de campo. São jogadores que parecem menos
“baladeiros” do que estamos acostumados. Num campeonato tão curto e tão
intenso, nada melhor que jogadores focados. Jogadores novos para uma competição
que promete exigir muito da condição física. Jogadores em sua maioria fora do
Brasil, acostumados com a pressão de grandes competições.
O lado negativo é que, sendo
praticamente “estrangeiros”, podem não entender direito o Brasil dos últimos
dois ou três anos. O país com uma sede desenfreada de justiça não é mais aquele
país que muito reclamava e pouco agia. Agimos de maneira torta, sem sentido;
sem uma ideologia; mas agimos. Uma derrota, um jogo ruim pode pesar uma
tonelada nas costas desses bons jogadores; que nada têm com os bolsões para
construtores e politização de um evento esportivo. Uma derrota que pode trazer
graves prejuízos ao futebol do país, que já anda empurrando sua autoestima para
debaixo do tapete.
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