terça-feira, 22 de abril de 2014

Marasmo, tédio e solidão

O Campeonato Brasileiro começou no final de semana. Mas tudo está muito sem graça. O fato do campeonato ser interrompido depois de nove rodadas é um banho de água gelada num campeonato já muito morno. Enfim, somente a Portuguesa mesmo nos tirando da mesmice.


O campeonato brasileiro começou no final de semana. Ainda na ressaca dos campeonatos regionais e nas festividades da páscoa, parece que nada está acontecendo. Assisti apenas um jogo da rodada, mas pelo que ouvi e li sobre o campeonato, posso dizer que não perdi absolutamente nada. Fato curioso ainda é a briga jurídica da Portuguesa, querendo por justiça o seu lugar na série A. Enquanto isso, seu algoz, está na liderança: Fluminense seria campeão em ordem alfabética. Nada mais justo a mudança de regras com o andar da carruagem: Fluminense campeão se o campeonato terminasse hoje.

E convenhamos, era melhor mesmo que ele terminasse. Iria nos poupar um precioso tempo. Poderíamos com isso estudar os campeonatos na Europa, nos inteirar da Copa dos Campeões e quem sabe escolher com carinho algum time estrangeiro para nosso coração. Já disse isso num texto anterior: os gringos estão tomando nossas crianças, logo tomarão os adultos. Os times magníficos e históricos do Brasil serão apenas coadjuvantes no cenário brasileiro.

E se nada mudou dentro do campo, também estamos sem perspectiva fora dele. A mesmice no futebol se dá pela mesmice dos seus dirigentes. A ousadia por uma melhora no calendário, nas regras (ou pelo menos regras claras) e na ordem do futebol brasileiro foi jogado por água a baixo nas eleições para a CBF. O mais do mesmo, que já temos no nosso terrível futebol paulista, agora dominando o futebol nacional. Não espero nada além do que estou vendo, não espero nada da justiça que faz uma bagunça tremenda com a pontuação alheia. Não espero nada de um futebol que não consegue se modernizar, criar alternativas; fazer diferente. O futebol brasileiro está mingando, se deteriorando; e cada dia mais perdendo a credibilidade. A gota d´água foi a briga Fluminense e Portuguesa, num emaranhado de questões nada transparentes, numa confusão que eles mesmos nos meteram.

Por isso, cada dia que passa, fica mais complicado escrever sobre futebol por aqui. Não temos nada com isso, escrevemos pois gostamos de futebol. Não existe qualquer remuneração, não existe conluio com qualquer dirigente. Vemos o futebol e falamos sobre ele, é simples. E nessa simplicidade eu tentei falar sobre tudo, menos sobre tribunais, razões e jurisprudência. Tentei falar sobre o futebol dentro de campo, jogo jogado. Mas tudo passa a ser uma coisa, todos os problemas dentro de campo têm lá suas explicações nas decisões tomadas por aqueles que sequer entraram em campo uma única vez na vida. O futebol está perdendo espaço por causa da falta de futebol como pauta.

Evidente que será um esforço enorme discutir São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos. Será ainda pior seguir equipes paulistas do segundo escalão, perdidos na série B do brasileiro. E de pensar que um campeonato tão disputado, que carrega tantos clubes com potenciais chances de títulos; será ignorado por muitos que gostam do esporte, é uma maneira trágica de começar a análise de suas primeiras rodadas. É não lhe dar o seu valor; pois a cada novo jogo; nova rodada, ele perde um pouco mais de sua importância.

O marasmo dos primeiros jogos não são coisa do acaso. O tédio dos jogadores, dos esquemas táticos e das jogadas que marcam o futebol brasileiro não é resultado do treinamento da semana, mas é uma coisa da base; lá no início da história de cada jogador. A solidão do torcedor que pretende acompanhar o brasileiro, fazendo dele um campeonato empolgante e apreciável, está cada vez mais evidente. Em alguns momentos eu me sentia o único que ainda acreditava no futebol brasileiro.

Mas perdi o resto de empolgação.

Um comentário:

Mario disse...

E põe marasmo nisto...