sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um título com sabor especial ( Parte 1).

No elenco, a experiência dos campeões mundiais Zetti e do zagueiro Ronaldão. Dois bons batedores de falta e bola parada: Ânderson Lima, e Marcos Assunção. O zagueiro Sandro, que também era batedor; além do bom meia atacante Alexandre. A velocidade e oportunismo de Macedo e jogadores que "pensavam" no meio - campo como Wagner e Robert. Sabiam distribuir o jogo. E um ponta-esquerda típico, um dos últimos talvez que existiram no futebol: Alessandro, o popular "cambalhota"; jogador habilidoso, destaque daquele torneio. Tudo bem, estava me esquecendo do Rogério Seves, que não era mal jogador. Além do voluntarioso Baiano, promovido por Luxemburgo, e que não apareceu nesta foto.



Torneio Rio-São Paulo, um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. Até a criação da Taça Brasil em 1959, era a principal competição nacional, ou interestadual, melhor dizendo. A primeira edição ocorrera em 1933, com o Palestra Itália sendo o campeão. Inviável economicamente, pelas longas viagens e desacordos entre federações amadoras e profissionais, a competição só iria ser retomada nos anos 50, passando a ter uma certa regularidade. Desde esta época, a competição era oficialmente conhecida como "Torneio Roberto Gomes Pedrosa", (goleiro da Copa de 1934 e que também foi dirigente). Em 1967, com clubes do eixo Sul-Minas sendo convidados, o torneio ficaria conhecido popularmente como "Robertão"; oficialmente, " Taça de Prata". Em parelelo com a Taça Brasil, teríamos dois campeonatos nacionais até 1968, quando no ano seguinte, em 1969, o Robertão seria o principal campeonato nacional até 1971, quando a CBF passou a organizar o "Campeonato Nacional de Clubes", nome oficial da competição, com a mesma fórmula do Robertão e para alguns, o "início" do campeonato brasileiro de futebol, apesar de também não possuir esta denominação na época.


Após ser dado como extinto, em 1993 reouveram o tradicional Torneio Rio-São Paulo. E como em 1933, o Palmeiras foi o campeão, desta vez em cima de seu maior rival, o Corinthians. Novo hiato, até 1997 quando ele voltara novamente, e seria transmitido pelo SBT. Novamente cercado de desconfiança, seria talvez mais uma tentativa fracassada de dar vida a este torneio. Mas ao contrário que muitos pensavam, ele teria fôlego e se prolongaria até 2002, já com a Globo tendo comprado a idéia. (Mas até que eu tinha um certo interesse naquela ocasião. Me lembro até de ter acompanhado o sorteio em 1997, acho que mediado pelo Dr. Osmar de Oliveira. Contava até com a participação de ex-jogadores). Sorteio feito, e o Santos jogaria contra Vasco; São Paulo x Fluminense; Botafogo x Palmeiras; Flamengo x Corinthians. Jogos eliminatórios simples de ida e volta.


Contra o Vasco (que contava com Juninho Pernambucano, Ramón, Felipe), dois empates : 2x2 no Morumbi e 3x3 em São Januário. Nos pênaltis, 4x3 para o Santos. Próximo adversário, o Palmeiras, que contava com jogadores como Velloso, Cafu, Cléber, Júnior, Rincón, Djalminha, Viola, Luizão, dentre outros. Anos de ouro da Parmalat. Márcio Araújo era o técnico do Verdão. Mas desta vez, Wanderley Luxemburgo (o melhor técnico do Brasil na ocasião), estava do nosso lado. No Parque Antártica, 3x1 para o Santos, com gols de Baiano, Marcos Assunção e Robert. Djalminha de pênalti, faria o gol de empate dos palestrinos (1x1). Em Presidente Prudente, o jogo de "volta"(não sei por que levaram o jogo pra lá): 1x0 para o Palmeiras, gol do Ronaldão contra, tentando cortar um cruzamento de Cafu. Pelo saldo de gols, o Santos passaria à fase seguinte, e decidiria o título contra o Flamengo, que contava com Zé Carlos, Júnior Baiano, Nélio, Sávio, e Romário.


O primeiro jogo seria no Morumbi, com um público até pequeno para o tamanho do estádio: 24.236. Talvez os santistas não estavam botando muita fé no time, ou as críticas com relação ao torneio provavelmente esfriaram o público. 2x1 para o Santos, com Alessandro Cambalhota infernizando os zagueiros Fábio Baiano e Júnior Baiano. O Santos começava arrasador e Alessandro marcaria logo aos 6 minutos do primeiro tempo; Macedo faria o segundo, após cruzamento de Alessandro, numa jogada iniciada no meio campo com Alexandre, após aplicar um belo lençol num flamenguista. Marcelo Ribeiro descontaria para os rubro-negros aos 40' do 2º.


Após 14 anos, o Santos voltaria a disputar uma decisão no Maracanã, que ao contrário do Morumbi, receberia um grande público: 70.729. Hoje seria sua lotação máxima. Os rubro-negros estavam muito confiantes e esperavam uma reedição da final do campeonato brasileiro de 1983. Júnior era jogador nesta época e agora era o treinador. Com certeza deve ter usado esta lembrança para animar o time da Gávea. Mas esta final, bem como outras "curiosidades" desta edição, deixarei para o próximo post. Surpresas vem por aí, por isso merece um post ou comentário adicional.




* Este título do Torneio Rio-São Paulo conquistado pelo Santos F. C. completou 15 anos nesta semana. Homenagen no ano do Centenário a todos os campeões de 1997.



2 comentários:

Cesar Augusto disse...

Jesus!!! Devo realmente estar ficando "esclerosado". Não consigue lembrar de absolutamente nada desse torneio.

Mario disse...

Não está não Geléia! Aposto que no próximo post (2ª parte) você irá lembrar...